Nova Política de Desenvolvimento Produtivo considerará desafios atuais da economia brasileira, como o pré-sal

por giovanna publicado 25/02/2011 12h53, última modificação 25/02/2011 12h53
Recife – PDP também enfatizará desburocratização e desoneração do sistema de exportações, avalia representante da Apex.
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Um dos pontos centrais da nova Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), com divulgação prevista para meados de abril, é a adequação do plano anterior à nova realidade brasileira, considerando especialmente os desafios relacionados ao pré-sal. Quem diz é Rodrigo Gedeon, investment officer e coordenador nacional para Atração de Investimentos Estrangeiros Diretos em Pernambuco e São Paulo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“Acredito que não haverá muita mudança em relação às direções tomadas no primeiro plano. Com certeza, a PDP terá de se adequar aos novos números da economia, principalmente devido ao pré-sal e ao rápido desenvolvimento necessário para a área de petróleo e gás no Brasil. A infraestrutura energética do País receberá muita atenção”, afirmou Gedeon, que participou na última quinta-feira (24/02) do I Fórum de Comércio Exterior e Logística da Amcham-Recife. “Além disso, o governo deve enfatizar bastante a desburocratização e a desoneração do sistema de exportações”, completou.

Outro ponto comentado pelo representante da Apex foi a nova estrutura adotada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que prevê maior integração no trabalho entre o MDIC e órgãos a ele ligados, como o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Estas instituições trabalharão junto ao ministério em formato de fóruns, nos quais se buscará falar a mesma língua do empresariado brasileiro, visando atender necessidades com maior profissionalismo e transparência”, explicou.

Investimentos em Pernambuco

O I Fórum de Comércio Exterior e Logística também se debruçou sobre o tema do investimentos no País, sobretudo em Pernambuco. Jorge Jatobá, sócio-diretor da consultoria Ceplan, apresentou levantamento segundo o qual, de 2011 a 2010, o Estado receberá entre R$ 60 bilhões e R$ 73 bilhões em investimentos privados e públicos, nacionais e estrangeiros. O valor equivale a todo o Produto Interno Bruto pernambucano registrado em 2008.

O destaque desses recursos, conforme Jatobá, ficará com a indústria, que deve atrair 69,4% do total, e com a área de infraestrutura, alvo de 22,9%. A parte vinda do exterior (Investimento Externo Direto) está estimada em 10% dos investimentos totais e estará voltada principalmente a indústria (bens de consumo duráveis, bens de capital e insumos) e hotelaria, incluindo resorts.
O consultor destacou que os investimentos acontecerão em setores que fogem do padrão tradicional pernambucano, indicando perspectivas de transição da economia do Estado de importadora para exportadora.

Comércio exterior e logística

Durante o fórum da Amcham, André Nóbrega, foreign trade manager da São Paulo Alpargatas/ Dupé mostrou o case de comércio exterior da companhia, em expansão para Ásia e Europa. Também houve espaço no evento para o debate dos entraves logísticos que dificultam investimentos na região Nordeste.

Foram palestrantes ainda Marcílio Cunha, diretor do Grupo de Estudos da Logística em Pernambuco (Gelpe), que apresentou o panorama da infraestrutura do Estado; e Fernando Castelão, diretor de Logística da Coca-Cola Guararapes, que fechou a programação apresentando o funcionamento da estrutura logística da companhia.