Odebrecht: Brasil deve desenvolver instrumentos de financiamento de longo prazo para avançar em infraestrutura

por daniela publicado 25/08/2011 11h04, última modificação 25/08/2011 11h04
Daniela Rocha
São Paulo - Para Felipe Jens, presidente da Odebrecht Participações e Investimentos, o BNDES tem papel primordial para estimular o mercado de capitais.
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Na visão de Felipe Jens, presidente da Odebrecht Participações e Investimentos, o Brasil precisa desenvolver com urgência instrumentos de financiamentos de longo prazo para avançar nos projetos de infraestrutura, fundamentais para suportar o crescimento da economia.

Segundo ele, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) desempenha atualmente papel relevante no financiamento de longo prazo dos projetos de infraestrutura no Brasil, porém, com atuação “monopolista”.  “O BNDES tem agido sozinho e há dúvidas de se será capaz de levar a cabo todo o financiamento necessário” , sinalizou ele na terça-feira (23/08), quando participou do seminário "Competitividade Brasil - Custos de Transação/ Infraestrutura" realizado pela Amcham em sua sede em São Paulo.

Para Jens, cabe ao BNDES estimular o mercado de capitais brasileiro, alavancando outros recursos, canalizando, inclusive, investimentos estrangeiros para o segmento de infraestrutura, aproveitando este momento em que o Brasil está em evidência no cenário global.

Após o evento na Amcham, o líder da Odebrecht concedeu a seguinte entrevista ao site da entidade: 

Amcham: Na sua apresentação, o sr. disse que o Brasil tem de desenvolver mecanismos de financiamento de longo prazo...
Felipe Jens:
O que nos temos discutido inclusive com o próprio BNDES é que há uma necessidade primordial de se desenvolver o mercado de capitais no País. O BNDES tem o papel não só de emprestar os recursos, mas de ajudar na formação desse mercado.

Amcham: Como fazer isso?
Felipe Jens:
O BNDES, como já vem fazendo hoje, deve prosseguir colocando seus próprios recursos, mas numa modalidade em que a instituição não seja responsável por todo o montante. O próprio BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a International Finance Corporation (IFC, o braço financeiro privado do Banco Mundial) e outros organismos multilaterais fazem isso também.  Eles colocam um aporte de 10% a 30% dos recursos necessários e alavancam através das suas participações o restante, chegando a 70% dos recursos.

Amcham: Por que esse envolvimento do BNDES é fundamental?
Felipe Jens:
O custo do BNDES vis a vis o praticado pelo mercado financeiro ainda é muito menor. É preciso fazer uma média entre esses dois custos para que se tenha modicidade tarifária. Caso contrário, o custo do financiamento que representa de 70% a 80% dos investimentos, se for muito alto, refletirá na tarifa final do usuário dos serviços prestados. Para baixarmos isso, o custo de financiamento tem um impacto muito grande.

Amcham: No mercado de capitais, um dos principais instrumentos seriam as debêntures?
Felipe Jens:
Sim. A Odebrecht, inclusive, foi responsável pelo primeiro lançamento de Project Bonds, que são debêntures cuja garantia é o fluxo de caixa futuro da concessionária. Isso foi feito com uma concessão rodoviária chamada Rota das Bandeiras, a concessão da rodovia Dom Pedro I, no interior de São Paulo (região de Campinas). Foi levantado R$ 1,1 bilhão com debêntures com garantias ligadas aos fluxos futuros dos pedágios compartilhados com o financiamento que o BNDES estava dando para o investimento na infraestrutura.

Amcham: O Brasil vive um momento de atratividade de capitais estrangeiros. É ainda mais importante o desenvolvimento de financiamentos de longo prazo nesse momento? 
Felipe Jens:
Os holofotes estão voltados para o Brasil. O País está atrasado nessa missão de desenvolver novos mecanismos de financiamentos. Já passou o timing e a demanda é existente.