Oferta de recursos de venture capital cresce no Brasil, mas não é totalmente absorvida pelos empreendedores

por daniela publicado 14/02/2011 15h36, última modificação 14/02/2011 15h36
São Paulo-Para especialistas, é preciso agir na vertente educativa e ampliar a comunicação sobre esse mecanismo de financiamento às companhias em estágio inicial.

A oferta de capitais dos fundos de venture capital está em forte expansão, impulsionada pelo bom momento da economia do País; entretanto, esse mecanimo de financiamento direcionado às empresas em estágio inicial ainda são está sendo totalmente aproveitado. Esta é a visão de especialistas que participaram nesta segunda-feira (14/02) do comitê de Finanças da Amcham-São Paulo.

“Oportunidades existem, mas acreditamos que o número de projetos ainda é insuficiente frente ao capital que o mercado tem disponível hoje para as companhias. A educação empreendedora é incipiente no País. Além disso, muitas vezes, os projetos não são elaborados com a qualidade ideal”, afirmou Marcio Oliveira Santos, sócio da Inseed Investimentos, gestora de recursos de terceiros.

“A ênfase na interlocução entre a indústria de fundos e os empreendedores é fundamental. O dinheiro existe, mas não está achando as melhores companhias. Vejo também que falta maturidade empreendedora. Os empresários devem estar preparados para governança corporativa e para a ideia de ter um sócio capitalista”, avaliou Francisco Jardim, gestor da regional São Paulo do fundo de capital semente Criatec.

Os fundos de venture capital realizam investimentos em capital de risco, ou seja, em empresas jovens, para permitir que possam expandir os negócios. Além de participar dos conselhos das companhias, atuam de forma sistematizada no apoio à gestão.

No Brasil, atualmente, grande parte do funding é proveniente de instituições públicas, especialmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que nos últimos anos aumentaram seus aportes. Porém, outras fontes estão intensificando gradualmente suas presenças; dentre elas, os fundos de pensão (por exemplo, Funcef, Petros e Previ). O capital externo também começa a olhar mais atentamente para o mercado, com fundos estrangeiros americanos como Carlyle e BlackRock.

“Certamente, o capital internacional está entrando nesse mercado, mas ainda há muita procura por renda fixa no País, que apresenta alta taxa de juros com menor risco”, ponderou Marcio da Inseed.

Vantagens

Conforme Francisco Jardim, gestor da Criatec, de maneira geral, as pequenas e médias empresas brasileiras, principalmente as que estão na fase inicial de operação, apresentam deficiências de gestão, não têm acesso fácil às linhas de financiamento bancárias ou pagam caro pelo crédito concedido.

A grande vantagem dos fundos de venture capital é que aliam gestão profissionalizada e networking, sem os tradicionais custos mensais das dívidas. Os fundos se tornam sócios do negócio, sentindo os reflexos dos saldos positivos ou negativos, ou seja, quando determinada empresa não ganha nada, não cobram nada; e quando a organização passa a gerar caixa de forma estruturada, cobram a participação.

“Os fundos de venture capital são provedores de recursos para nichos específicos empresas baseadas em inovação, que gerarão valor no longo prazo, contribuindo para o desenvolvimento do País”, comentou Jardim.

Desafios

Segundo ambos os especialistas presentes no comitê de Finanças da Amcham, a principal dificuldade no dia a dia das operações das startups está relacionada aos marcos regulatórios. Os maiores problemas ocorrem no âmbito da Anvisa (Agância Nacional de Vigilância Sanitária) e do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

“O lento trâmite interno e a burocracia para registro de produtos em algumas agências reguladoras fazem com que, em muitos casos, as empresas percam o timing dos negócios”, explicou Marcio Santos.


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