Operadores logísticos investem em eficiência e tecnologia para contornar queda de encomendas

publicado 06/10/2015 11h17, última modificação 06/10/2015 11h17
São Paulo – TNT renovou frota, DHL aperfeiçoou rastreabilidade e Wilson Sons revisou processos
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Com a diminuição de cargas para transportar em função do consumo em baixa, os operadores logísticos Wilson Sons, DHL Global Forwarding e TNT Express concordaram, no Seminário de Eficiência na Cadeia Logística da Amcham – São Paulo na quinta-feira (1/10), que o foco é em eficiência e automação para preservar a rentabilidade.

No mesmo evento, a ABOL (Associação Brasileira de Operadores Logísticos) afirmou que os serviços logísticos não são commodities, e dependem muito da colaboração dos clientes para serem eficientes.

Já antecipando um 2015 com volumes menores, a TNT Express havia investido R$ 40 milhões no final do ano passado em renovação de frota, disse Fabiano Fração, diretor de operações e TI da TNT Express. A renovação de veículos fez com que a transportadora deixasse de emitir 1.900 toneladas de gás carbônico e fez a companhia economizar com manutenção de veículos. “Com isso, também melhoramos a nossa produtividade. Carro parado é dinheiro que não entra.”

Outra iniciativa da TNT foi a automação de máquinas de separação de produtos, que gerou aumento de 5% de eficiência na unidade de São Paulo. Fração também destaca uma parceria com o cliente para detectar e evitar desperdício na fase de processos, e o desenvolvimento de um aplicativo móvel de rastreamento de cargas. “Com isso, o cliente pode saber onde está a carga e se programar com mais eficiência para o recebimento.”

Thomas Rittscher, diretor de logística da  operadora de contêineres Wilson Sons, disse que a empresa tem discutido com os clientes a revisão de processos e estratégias de preços. “Temos trabalhado com as empresas para entender suas necessidades específicas.”

Sheila Souza, head de desenvolvimento de negócios da DHL Global Forwarding, unidade de transporte de cargas internacionais da multinacional alemã DHL, disse que a empresa tem renegociado contratos de serviços em função da queda da demanda em relação a 2014. “A volumetria baixou neste ano, é isso uma realidade. Muitos contratos estavam na volumetria anterior, e pedimos ao clientes para revisitar as condições.” 

Apesar do cenário desfavorável, a DHL investiu em tecnologia de rastreabilidade no segmento de Cuidados com a Saúde, o que permite ao cliente monitorar toda a cadeia de importação de seu produto. "Nossa tecnologia monitora toda a cadeia de importação até a entrega da carga no destino final."

Para a ABOL (Associação Brasileira de Operadores Logísticos), é preciso criar relacionamentos duradouros com os clientes. “Boa logística não se faz com acordos de menos de três ou cinco anos. Ter SLA (sigla em inglês para Acordo de Nível de Serviço) e gestão correta de risco e custos, por exemplo, exige contratos de longo prazo”, afirma Carlos Cesar Meireles Vieira, presidente da ABOL.

Apesar dos esforços de produtividade, o dirigente reforça que as estratégias de ganhos de eficiência precisam ser debatidos com a indústria. “Serviço de logística não é commodity. Sem parceria com as empresas, não há como ser eficiente.” Gisela Mangabeira de Sousa, sócia da consultoria ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain) e mediadora dos debates, disse que, além de maior visibilidade de projetos, é preciso dar tempo de maturação para que cada atividade seja colocada em prática de forma eficiente. "A forma de a indústria lidar com os operadores gera impacto na eficiência operacional", resume.