Para especialista do Insper, economia em 2018 cresce e não terá “surpresas”

publicado 12/04/2018 14h02, última modificação 12/04/2018 14h38
São Paulo - Juliana Inhasz avalia que, se ajustes continuarem e inflação permanecer na meta, ano será favorável
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Especialista participou do comitê de Finanças em São Paulo (10/04)

Apesar da melhora nos índices econômicos de 2017, o crescimento do PIB foi relativamente baixo (1%). A questão que fica é: o ano de 2018 será de retomada definitiva da economia? Para Juliana Inhasz, professora de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Insper, os índices, até então, indicam que sim. A especialista acredita que, apesar do clima político incerto das eleições, o ano de 2018 para a economia deve não ter muitas incertezas, “contato que os ajustes continuem a acontecer e inflação siga dentro da meta”, ressaltou. A especialista participou do comitê de Finanças da Amcham - São Paulo, realizado no dia 10/04, e deu algumas perspectivas de como a economia deve caminhar nos próximos anos.

 

Economia em 2018

Em 2018, Inhasz estima ainda um aquecimento maior do mercado de trabalho, uma perspectiva favorável aos juros em patamares mais baixos e a manutenção das políticas econômicas tomadas até agora. Já os índices de dólar e bolsa devem oscilar bastante - algo esperado em um ano de eleições gerais.

A reforma da Previdência, a reforma mais importante a ser feita, segundo Inhasz, não deve sair em 2018 - mas ela acredita que, logo no início do mandato do próximo presidente, ela deve se concretizar. As eleições acontecem nesse contexto atípico, aponta: “Mais do que em outros anos, [o candidato eleito] herda um Brasil diferente, que precisa de reformas importantes e impopulares, com uma dívida da pública”, relata.

 

Médio e longo prazo

Em um horizonte mais distante, a professora afirma que o resultado positivo ou negativo da economia ainda é bastante imprevisível, por depender de reformas e de um resultado de eleições muito incerto. “A gente não sabe quem são os candidatos, quais são as propostas que eles têm e quem vai se eleger. Se as reformas continuarem, que é a grande ideia, provavelmente temos um crescimento mais sustentável em 2020, 2022”, aponta. Até lá, a especialista avalia que, além de melhores condições macroeconômicas, o sistema político e o lado institucional do país estarão mais fortalecidos. Outra questão fundamental para o longo prazo é repensar em como melhorar eficiência do setor público, algo que impacta diretamente na produtividade da economia como um todo e no déficit público, de acordo com Inhasz.

 

O ano de 2017 na economia

A professora pontou alguns aspectos que ajudam a compreender melhor o que foi o ano de 2017 para a economia. Apesar de não ter sido a retomada que o setor privado esperava, foi um período significativo se comparado ao biênio 2015/2016. “Deixamos de andar para trás. Nesse sentido, foi um ano divisor de águas”, resume. Isso é, em parte, graças a aprovação de reformas como a PEC de Teto de Gastos e a Reforma Trabalhista. No entanto, esses grandes projetos ainda precisam de ajustes, segundo Inhasz.

Em 2017, a baixa da inflação, da taxa básica de juros Selic e do custo de operações de crédito também ajudou no resultado. Alguns problemas que xx ainda vê são a falta de investimentos, principalmente na formação de capital fixo, e os resultados fiscais do governo. Sobre investimento, ela lembra que, para a retomada do crescimento mais vigorosa, deveria estar a 25% do PIB; hoje, ainda estamos em dez pontos percentuais abaixo disso.

Em termos de resultado fiscal, apesar de o déficit ter melhorado, a especialista alerta que as despesas continuam aumentando, o que pode pressionar a dívida pública em um futuro próximo. “O governo tem se contido um pouco que as coisas estão melhorando demais porque o aumento de arrecadação vem mais de uma receita que não era esperada do que de crescimento [da economia]. Os gastos continuam aumentando, mas em ritmo menor. Continuamos a gastar mais do que arrecadamos”, alerta.

A respeito do emprego, um índice que ainda não melhorou tanto, a professora lembra que é um índice que demora mais a apresentar diferença. Algo que pontuou, no entanto, foi o crescimento de trabalhadores sem carteira de trabalho em relação aos que tem carteira assinada. A questão, nesse caso, é que o rendimento dos que não tem registro formal tem caído nos últimos meses. “Apesar de estarem trabalhando, o rendimento tem caído. No momento atual, não podemos criticar esse fato porque tem ganhos, eles estão trabalhando. Mas isso aqui pode ser um problema - não hoje, mas talvez para os próximos períodos”, assinala.