Para ganhar produtividade, Stefanini, Cummins e JSL inovaram e diversificaram mercados

publicado 25/04/2016 14h04, última modificação 25/04/2016 14h04
São Paulo – Empresários defendem reformas estruturais para aumento de produtividade
mais-competitividade-brasil-3514.html

O Brasil é complicado para se fazer negócios, mas Stefanini, Cummins e JSL encontraram oportunidades para crescer e competir não só no Brasil, mas também em outros mercados. Essas foram algumas das constatações que Marco Stefanini, presidente da Stefanini, Luis Pasquotto (Cummins) e Fernando Simões (JSL) fizeram durante o lançamento do programa Mais Competitividade da Amcham – Brasil, realizada na sexta-feira (15/4).

Atuando em Tecnologia da Informação (TI) no mundo todo, Stefanini define o Brasil como seu mercado mais desafiador. “O Brasil hoje é o país mais difícil (de competir), porque você é espremido no preço e as suas condições (de negócios) são piores”, observa.

No Brasil, o cliente quer serviço de qualidade, mas está pouco disposto a pagar por ele. “Aqui, mesmo prestando bom serviço, você é espremido na hora de renovar o contrato. E, obviamente, você tem dificuldades posteriores para manter a qualidade, porque o preço é baixo demais.”

A saída para competir no Brasil e no mundo foi aumentar o nível de flexibilidade dos serviços e gerenciar gastos. “Algumas coisas nos favorecem, como o nosso baixo endividamento. Também conseguimos ter uma estrutura global competitiva de preços.”

Outra desvantagem do mercado brasileiro é a complexidade do ambiente de negócios. “Com demandas do Ministério Público e questões trabalhistas, você acaba não tendo foco total no mercado, no competidor e em melhorar o produto. Isso é uma distração infeliz para o mercado brasileiro”, lamenta.

 

Motor movido à tecnologia

Pensando em se diferenciar, a Cummins decidiu há alguns anos ouvir o mercado e os clientes para desenvolver motores com tecnologia agregada, conta Pasquotto. No entanto, o executivo lembra que era necessário saber como aplica-lo. “Tecnologia em si não traz desenvolvimento. O negócio foi se aproximar dos clientes, conhecer mais os mercados e traduzir aquelas demandas em produtos”, argumenta.

Os avanços tecnológicos aplicados aos motores, combinados com uma conjuntura favorável, levaram a empresa a um novo patamar no Brasil. Outro fator de crescimento foi a diversificação de atividades a partir da década passada.

Mas para que o país ganhe competitividade como um todo, o executivo defende a realização de reformas estruturais, como a tributária e a trabalhista.

Oportunidades em logística

Na JSL, a diversificação de atividades iniciada há trinta anos permitiu à empresa atingir a liderança no mercado de carregamento e transporte de carga e passageiros. Buscando complementar suas atividades, a empresa adquiriu a locadora de carros Movida em 2013.

A compra da Movida foi feita para atender a um público de alta renda e interessado em novidades tecnológicas, disse Simões. “Um país como o nosso, com grandes empresas, não tinha um Audi ou uma Mercedes-Benz para alugar. Não tinha wi-fi no carro nem aplicativo. (A compra da Movida) veio de encontro com a necessidade do cliente”, disse Simões.