Para garantir trabalhadores especializados no futuro, é preciso despertar o interesse pela tecnologia desde cedo, argumenta executivo da IBM

por andre_inohara — publicado 28/07/2011 16h26, última modificação 28/07/2011 16h26
Campinas – Os professores têm um papel fundamental no incentivo às carreiras tecnológicas junto às crianças.
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Embora sinta a escassez de trabalhadores especializados em serviços de tecnologia, a IBM não deixou atrasar nenhum contrato. Mas, se o interesse pela carreira tecnológica não for incentivado desde cedo entre as gerações futuras, o problema da falta de pessoal técnico tende a piorar, prevê o vice presidente de Service Delivery da IBM, Marco Kalil.

Ele sustenta que é fundamental haver professores que consigam despertar o interesse pelas ciências nas crianças, além de melhorar a qualidade do ensino.

Veja a entrevista de Kalil ao site da Amcham, concedida depois do seminário Competitividade Regional em Campinas na terça-feira (26/07):

Amcham: Como a falta de mão de obra especializada atinge a IBM?
Marco Kalil:
Não chega a comprometer, porque temos várias formas de atender nossos clientes. Podemos alocar profissionais de outras regiões ou países para cumprir os contratos de serviços. Como podemos fazer muitas coisas usando a tecnologia, não temos limitação física. Porém, corremos um risco que não poderíamos ter, que é o de atrasar projetos, justamente por não contar com pessoas capacitadas em um primeiro momento.

Amcham: Quais as necessidades específicas de mão de obra da IBM?
Marco Kalil:
Precisamos desde o profissional básico de Tecnologia da Informação (TI), aquele que faz o primeiro atendimento, até os níveis mais altos. Na parte de Help Desk, por exemplo, embora o conhecimento exigido seja um pouco mais limitado, esse profissional precisa ter um bom nível de habilidade interpessoal, pois será a "cara" da empresa junto ao cliente. Também temos necessidade de gente que entenda de microinformática, redes e servidores médios e de grande porte.

Amcham: A oferta de mão de obra técnica formada na região de Campinas é suficiente para atender às necessidades da IBM?
Marco Kalil:
Ela está aquém do que precisamos. Por isso, trabalhamos com parcerias educacionais para fomentar a criação de mão de obra. Na região, há um índice que me preocupa: apenas entre 18% e 20% dos estudantes de carreiras técnicas conseguem se formar e, nesse percentual, ainda há aqueles que saem mal qualificados. Ou seja, há várias camadas de problemas. O primeiro é ter a mão de obra e segundo é o nível de capacitação das pessoas. Por tudo isso, é preciso ter uma base de trabalhadores especializados muito maior do que a atual.

Amcham: Como minimizar o impacto da escassez de mão de obra qualificada?
Marco Kalil:
 O trabalho tem de ser feito na base. Seria desejável trabalhar melhor a qualificação dos professores para que eles saibam despertar o interesse das crianças pela área de tecnologia. Isso é fundamental para que a geração futura decida seguir nessa direção.