Parceria com iniciativa privada ajuda a organizar demanda por cursos técnicos, avalia diretora do Centro Paula Souza

por andre_inohara — publicado 19/10/2011 11h50, última modificação 19/10/2011 11h50
André Inohara
São Paulo – Segundo ela, setor produtivo indica atualizações necessárias à formação de profissionais.
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A iniciativa privada tem papel fundamental ao formatar os cursos profissionalizantes. Por meio do diálogo com o setor produtivo, as instituições públicas de ensino técnico conseguem melhorar o treinamento de pessoal para as empresas.

De acordo com Laura Laganá, diretora superintendente do Centro Paula Souza, as parcerias com as empresas são fundamentais para melhorar a qualidade da formação de mão de obra técnica.

O centro administra 200 Escolas Técnicas (Etecs) e 51 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais em 155 municípios paulistas.

Veja abaixo a entrevista de Laura ao site da Amcham, concedida após o "Seminário Competitividade Brasil: Custos de Transação - Mão de Obra", na terça-feira (18/10) na Amcham-São Paulo:

Amcham: Qual a importância do trabalho em conjunto com as empresas?
Laura Laganá:
Para nós, essa ação de parceria tem sido muito intensa. Ela é especifica em alguns setores, mas os resultados são excelentes. As parcerias são importantes, porque quem tem a responsabilidade de formar pessoas precisa estar sempre em contato com as demandas.

Amcham: De que forma as parcerias acontecem?
Laura Laganá:
Estamos elaborando novos currículos e reformulando cursos já existentes em parceria com o setor produtivo. Criar uma nova metodologia de ensino é difícil, porque temos de traduzir para perfis profissionais o que o setor produtivo entende como ideal. A formação técnica precisa ter currículos atualizados, que são fundamentais para que a educação profissional atenda com agilidade e eficiência as novas demandas.

Amcham: Como o governo trata a questão da formação profissionalizante?
Laura Laganá:
O governo tem dado absoluta prioridade à expansão da educação profissional em São Paulo. Essa expansão tem sido feita de forma planejada, sempre atendendo às vocações regionais. Além disso, temos a preocupação de incluir as parcerias com o setor produtivo na elaboração e no planejamento de todo o plano de formação educacional.

Amcham: Que resultados estão sendo obtidos com as parcerias?
Laura Laganá:
Quando a empresa se envolve na elaboração da proposta de ensino, automaticamente acaba confiando mais nos profissionais que formamos e dando mais empregos ao pessoal treinado. Para nós, as parcerias são fundamentais pelo apoio ao desenvolvimento econômico e também na questão da empregabilidade.

Amcham: Sem a iniciativa privada, seria mais difícil localizar as demandas de formação?
Laura Laganá:
Não, as carências de formação até que estão bem mapeadas por estudos da Secretaria de Desenvolvimento do Estado. Fazemos escolas técnicas junto com as prefeituras, pois o prefeito e seus secretários sempre sabem qual é a necessidade de formação nas respectivas regiões. O que as parcerias com empresas fazem é organizar a demanda. E nós, que temos a responsabilidade de formação, somos orientados sobre o caminho mais adequado para atender à necessidade de formação técnica. A iniciativa da Amcham, por exemplo, de aplicar uma pesquisa sobre a necessidade de mão de obra técnica junto ao setor produtivo, é um exemplo disso.