Parceria entre Estado e empresas possibilitou criação de escolas técnicas em municípios mineiros mais necessitados

por andre_inohara — publicado 01/07/2011 16h10, última modificação 01/07/2011 16h10
Belo Horizonte – Consórcio de companhias mapeou necessidades de mão de obra, e governo montou escolas técnicas nos locais deficitários.

Um dos méritos do consórcio Mínero Metalúrgico, formado por empresas do setor em Minas Gerais para suprir suas deficiências de formação de mão de obra técnica, foi o de levar escolas técnicas a cidades carentes desse tipo de ensino, o que tem elevado o nível de profissionalização dos trabalhadores.

Graças ao mapeamento de necessidades de pessoal, o governo mineiro criou escolas técnicas nos municípios da zona industrial de mineração e metalurgia que mais necessitavam de formação, disse a coordenadora do consórcio e gerente de Recursos Humanos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Alba Valéria dos Santos.

A formação de mão de obra pelas empresas e por meior de parcerias com o governo são importantes iniciativas para desenvolver capital humano, segundo a coordenadora.

Leia os principais trechos da entrevista concedida por Alba ao site da Amcham logo após o seminário Competitividade Regional realizado na terça-feira (28/06) em Belo Horizonte como parte do programa "Competitividade Brasil - Custos de Transação" da Amcham:

Amcham: Como o consórcio está ajudando a diminuir o desequilíbrio entre a oferta e a demanda por mão de obra qualificada no setor em MG?

Alba Santos: O consórcio incentiva, em conjunto com o Programa de Ensino Profissionalizante (PEP) da Secretaria de Educação, a formação de profissionais de nível técnico nos municípios das empresas que fazem parte dele. Dessa forma, conseguimos ter profissionais de nível técnico para atender à demanda das companhias nos municípios de Congonhas, Conceição do Mato Dentro e Conselheiro Lafaiete, entre outros.

Amcham: Como é feita a parceria entre as empresas e o Estado?

Alba Santos: Todas as iniciativas são feitas com o apoio de instituições do governo estadual. A formação em nível básico de ensino é trabalhada junto com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), em um projeto que se chama Usina do Trabalho. Com a Secretaria da Educação, desenvolvemos o pessoal de nível técnico, e, na Secretaria de Ciência e Tecnologia, o grau superior, por meio das universidades federais.

Amcham: Algumas empresas têm importado mão de obra técnica para áreas carentes. Qual a capacidade do consórcio de suprir todas as necessidades das empresas integrantes?

Alba Santos: Como brasileiros, precisamos priorizar a mão de obra nacional, mas algumas empresas serão, no futuro, obrigadas, a contratar profissionais de outros países caso não haja mão de obra qualificada por aqui. É um movimento inevitável, pois de outra forma não conseguiremos construir todos os empreendimentos previstos. Porém, entendo que a iniciativa de contratar pessoal junto a outros países tem de ser bastante estudada, e nunca em detrimento da mão de obra brasileira. As empresas deveriam valorizar o capital humano local até por questões de cidadania. Trazer gente de fora, só em último recurso e em casos onde não haja essa mão de obra no Brasil.