Parceria Transpacífico também vai beneficiar o Brasil, diz representante americano

publicado 19/11/2015 11h48, última modificação 19/11/2015 11h48
São Paulo – Timothy Reif, do USTR, cita a intensificação do comércio nas áreas dos países membros
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O conselheiro-geral da Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Timothy Reif, acredita que os benefícios econômicos da Parceria Transpacífico [acordo comercial entre os EUA, Canadá, México, Chile, Peru e mais sete países] chegarão ao Brasil. “As regras do TPP são um ponto de referência em várias áreas (de comércio e barreiras não tarifárias) e podem trazer benefícios ao Brasil”, disse Reif, na tarde de segunda-feira (16/11) na Amcham – São Paulo.

No encontro que reuniu cerca de 80 representantes do empresariado brasileiro, Reif disse que um acordo global como o TPP serve de estímulo para que outros países da região aumentem sua interação com o bloco, seja aderindo ou fazendo negócios.

Para ele, comercializar com o bloco representa aumento do fluxo comercial, diminuição de barreiras comerciais, redução ou fim das tarifas de bens e serviços, padronização de normas trabalhistas, propriedade intelectual, proteção de dados, coerência regulatória, entre outros. Sobre a relação comercial com o Brasil, Reif acredita que a realização de acordos setoriais, como o de facilitação de comércio assinado em março, abre espaço para acordos mais amplos de trocas bilaterais.

Em 19/03, o ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) assinou nos EUA um acordo que prevê a desburocratização das exportações em setores considerados promissores e a convergência regulatória entre produtos brasileiros e americanos. O primeiro setor previsto no acordo foi o de cerâmica.

Além dele, o governo brasileiro negocia adesão ao programa piloto de Work-Sharing para patentes (baseado no PPH, sigla em inglês para Patent Prosecution Highway), tratado internacional que valida exames preliminares de patentes feitos em outros países. O acordo evitaria a dupla avaliação de exames previamente realizados em outros locais, encurtando o processo de concessão de patentes.

O evento contou com a presença dos professores Vera Thorstensen, coordenadora do Centro de Comércio Global e Investimento da FGV, e Marcos Troyjo, codiretor do BRICLAB da Universidade de Columbia (EUA), além de Joseph Tutundjian, conselheiro da Amcham e membro do conselho de comércio exterior da FIESP. O conselheiro da Amcham, Jaime Ardilla, presidente da GM para América do Sul, fez a mediação dos debates.

Sobre o TPP

A Parceria Transpacífico envolve 12 países da região do Pacífico (além das cinco nações do continente americano, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Cingapura, Vietnã, Brunei e Malásia também aderiram) e aguarda ratificação dos congressos dos países membros para entrar em vigor. A previsão é de operação a partir de 2025.

O PIB dos países membros representa cerca de 40% da riqueza mundial (em torno de US$ 50 trilhões). Quando o acordo começar a vigorar, deve gerar um comércio adicional de US$ 220 bilhões que beneficiará 790 milhões de consumidores.

Veja abaixo o vídeo em inglês de Timothy Reif na Amcham: