Parcerias com o setor privado ajudam a mapear demandas por tecnólogos e suprir carências regionais, diz superintendente do Centro Paula Souza

por andre_inohara — publicado 25/06/2012 17h06, última modificação 25/06/2012 17h06
André Inohara
São Paulo – Com escolas técnicas montadas a partir de demandas regionais, índice de empregabilidade dos formados chega a 93%.
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Formar profissionais técnicos adequados para atender à demanda das empresas é uma tarefa cujo sucesso envolve mapeamento de necessidades e conteúdo escolar direcionado. A estratégia do governo paulista é basear a montagem de cursos profissionalizantes em regiões onde eles são realmente necessários e os alunos serão absorvidos pelo mercado, numa parceria indispensável com o setor privado.

“Sem parceiros, não montamos nenhum curso”, disse Laura Laganá, diretora superintendente do Centro Paula Souza (CPS), autarquia estadual responsável pelo desenvolvimento do ensino técnico de nível médio e superior em São Paulo.

“Não vamos inventar (cursos) sozinhos. As empresas têm que mostrar suas necessidades e se sentar conosco para viabilizar uma experiência interessante porque muitas vezes elas não estão habituadas a pensar em termos de estrutura de cursos”, acrescenta a superintendente, que falou ao site da Amcham após participar do comitê estratégico de Relações Governamentais da Amcham-São Paulo nesta segunda-feira (25/06).

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Parceria com iniciativa privada ajuda a organizar demanda por cursos técnicos, avalia diretora do Centro Paula Souza

Cabe à iniciativa privada indicar as necessidades de mão de obra. “Temos que nos certificar com as empresas de que o profissional terá chance de se inserir no mercado de trabalho. Às vezes aparecem demandas tão pontuais que nem justificam a abertura de um curso”, detalha Laura.

As parcerias

As demandas por formação profissional são inúmeras. O curso técnico médio de Produção de Áudio e Vídeo foi um dos mais procurados na seleção para o próximo semestre, com quase 20 candidatos para cada uma das 80 vagas. Trata-se de um curso novo, viabilizado em parceria com a Rede Globo.

“A Globo nos propôs uma parceria para dois cursos profissionalizantes, um de Produção de Áudio e Vídeo e outro de Multimídia. Ela construiu uma escola no Brooklin (a Escola Técnica Estadual – Etec – Jornalista Roberto Marinho) e o governo a equipou. O interessante foi o intercâmbio de conhecimento porque sozinhos não conseguiríamos gente especializada para montar esse curso“, conta Laura.

O Estado também trabalha com parcerias internacionais. Laura disse que uma Etec será construída em conjunto com o governo da Itália, que vai investir 1 milhão de euros no projeto de formação de profissionais de gastronomia, hotelaria, bares e restaurantes. “Virão professores de gastronomia de Milão, além de equipamentos de última geração”, destaca a superintendente.

No setor agropecuário, uma das carreiras de nível médio que tem se destacado é a de operador de colheitadeiras, cujo curso funciona na cidade de Pompéia. “Um trator automatizado custa mais de R$ 1 milhão; por isso, os agricultores ficam apavorados em deixar esse equipamento nas mãos de gente que não entende do assunto”, comenta laura.

Uma parceria com a fabricante de equipamentos Jacto foi a saída para o treinamento dessa mão de obra. A empresa cedeu as máquinas e o campo de provas para treinamento, e o centro trouxe os alunos e professores.

O esforço conjunto fez com que o índice de empregabilidade dos alunos no Estado atingisse um percentual de 93% de contratações entre os formados das FATECs (de nível técnico superior) e 74% entre os formados das Etecs (ensino técnico médio), um ano após a conclusão dos cursos. Os dados são referentes a 2010; porém, os de 2011 não devem sair muito desse patamar, conforme a superintendente.

“O índice do ano passado tem se mantido. São esses números que estimularam o governo do Estado a ampliar o programa”, informou ela.

Rede profissionalizante em expansão

Atualmente, as unidades do Centro Paula Souza estão espalhadas em 264 municípios paulistas. A rede de ensino profissionalizante é formada por 204 Escolas Técnicas Estaduais (Etecs), sendo 169 na área urbana e 35 na agrícola, 55 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) e 260 Classes Descentralizadas, cursos ministrados em escolas públicas com capacidade ociosa. Até 2014, serão construídas mais 11 Fatecs e 20 Etecs.

O orçamento de 2012 para a ampliação das escolas é de R$ 1,3 bilhão, mais que o triplo dos R$ 407 milhões de 2006, ano em que os investimentos em formação profissional começaram a se acelerar.

De acordo com o centro, cerca de 290,7 mil alunos estão matriculados na rede profissionalizante. O ensino técnico médio abriga mais da metade dos estudantes, 171,7 mil, enquanto o nível tecnológico (superior) é frequentado por 59,3 mil alunos. Na rede profissionalizante, também há 54,5 mil alunos inscritos no ensino médio tradicional e 5,2 mil que frequentam cursos de rápida duração.

Para a superintendente, ainda há espaço para ampliar a rede de ensino, a julgar pela grande procura de vagas. “Temos, em média, três candidatos por vaga em nossas escolas. Ou seja, para cada candidato aceito, dois são excluídos, o que mostra que o Estado tem que expandir a formação de técnicos.”

Incentivo à inovação

A criatividade dos alunos de nível médio tem sido surpreendente, e o CPS quer incentivar o desenvolvimento da inovação entre eles.

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Além de incluir aulas de empreendedorismo nos cursos, o CPS vai montar, ao lado do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), um curso formal voltado ao desenvolvimento de empresas.

Em relação à inovação, o CPS promove uma feira anual de tecnologia para expor os melhores trabalhos. Muitos projetos criativos são apresentados, garante a superintendente, mas existe a preocupação de que eles acabem não chegando às empresas.

Para cuidar das patentes produzidas pelos alunos, o governo criou a agência de inovação Inova Paula Souza. “Mas falta o mercado conhecer o potencial desses projetos e transformá-los em produtos”, destaca Laura.