Parlamentares e especialistas apontam mensagens deixadas pelo seminário As Reformas Inadiáveis da Amcham

por marcel_gugoni — publicado 10/12/2012 17h23, última modificação 10/12/2012 17h23
São Paulo – Um dos destaques é a visão de que o empresário tem o desafio de continuar a empreender, apesar de instabilidades, acreditando no futuro do País.
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O seminário “As Reformas Inadiáveis”, realizado pela Amcham-São Paulo no dia 30/11, reuniu 20 parlamentares e especialistas para discutir com empresários uma agenda prioritária a uma maior competitividade nacional, focada em padronização do ICMS, modernização da regulação trabalhista e melhores condições para a participação da iniciativa privada em licitações e PPPs.

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Terminado o evento, o site da Amcham ouviu vários dos palestrantes, que expuseram a mensagem principal que ficou, em suas avaliações. Assita às entrevistas:

Ana Amélia, senadora (PP-RS)

“Saímos com um dever de casa nas sugestões apresentadas, seja no campo tributário da questão do ICMS, no campo das PPPs – que são o caminho mais rápido para se ter desenvolvimento, com a participação do setor privado na infraestrutura – e na questão relacionada à legislação trabalhista, uma legislação muito antiga e precisa ser aperfeiçoada. Temos que trabalhar intensamente para encontrar um caminho que seja importante para o País.” Assista à entrevista completa.

Cândido Vaccarezza, deputado federal (PT-SP)

“É um conjunto. Temos que fazer a reforma tributária para garantir o desenvolvimento econômico e os investimentos. Temos que fazer a reforma trabalhista também por esse motivo. E a discussão da infraestrutura e das PPPs também é urgente para continuarmos com o crescimento do Brasil.” Assista à entrevista completa.

Cristovam Buarque, senador (PDT-DF)

“A principal mensagem é a da necessidade de mudanças. Estamos esgotando 20 anos de um modelo que tem quatro pilares: democracia se esgota porque ela fica incompleta sem partidos [de real oposição] e financiamento de campanha pouco democrático; estabilidade monetária, que nos últimos 20 anos todos os quatro presidentes defenderam, mas está ameaçada pelo excesso de gastos públicos e pela liberalidade quando se está gastando; bolsas como o Bolsa-Família, um grande avanço do Brasil, mas que não podem durar tanto porque temos que dar um passo além e fazer com que as famílias não precisem mais delas, e não me refiro às famílias atuais [beneficiárias], mas nas dos filhos dessas famílias; e modelo econômico que ainda continua muito parecido com o dos anos 1950, concentrador, depredador do meio ambiente e baseado na metal-mecânica, requerendo um salto para um modelo sustentável ecologicamente, distributivo e produzindo bens de alta tecnologia.” Assista à entrevista completa.

Fernando Rezende, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

“A mensagem principal é de que há uma absoluta concordância da grande maioria dos presentes ao seminário de que todas as três propostas de reforma apresentadas são urgentes e mais do que inadiáveis, fundamentais para que o Brasil continue crescendo e gerando emprego para a população. Considero que a questão do ICMS é fundamental por uma razão que precisa ser bem compreendida: o clima que se gerou na disputa por atração de investimentos nos Estados criou uma situação de antagonismo na federação brasileira que prejudica de maneira muito forte a discussão política no Congresso Nacional.” Assista à entrevista completa.

Gabriel Rico, CEO da Amcham-Brasil

“Existe muito mais espaço para convergência e entendimento para aprovação de projetos muito importantes que imaginávamos antes da realização desse encontro. Os próprios parlamentares se surpreenderam ao ouvir a opinião um do outro, num ambiente mais descontraído, com reflexões muito balizadas, expositores de altíssima qualificação que conseguiram sintetizar o tema mantendo a profundidade. E o empresariado precisa participar mais. Sempre o empresariado se queixa da morosidade, e hoje ele viu que estando presente as coisas se movem. As divergências que pareciam ser enormes entre os partidos não são tão grandes. Portanto, quando nos sentamos na mesa e expomos os assuntos e argumentos prós e contras, a tendência é chegar a um acordo. A disposição do empresário de se colocar à frente e mostrar seus interesses de maneira natural é muito importante e temos que avançar nessa área.” Assista à entrevista completa.

Gesner Oliveira, consultor e ex-presidente do Cade e da Sabesp

“Fica a mensagem de uma vontade muito grande da sociedade, do Estado brasileiro, de ser competitivo e crescer mais. Para crescer mais, é necessário flexibilizar a legislação trabalhista, estimular os investimentos sobretudo a partir de parcerias público-privadas e criar um novo pacto federativo no qual o sistema tributário seja um estímulo à produção e não um entrave. O empresário e a empresária brasileiros sempre têm um grande desafio, que é trabalhar em um ambiente instável, construir coisas que não estão construídas. Em economias maduras, há muito mais estabilidade e previsibilidade. Em compensação, o Brasil oferece grandes oportunidades. O desafio é, apesar das dificuldades, ser capaz de continuar empreendedor e pioneiro, acreditando no futuro do Brasil.” Assista à entrevista completa

Jacques Marcovitch, professor da Universidade de São Paulo (USP)

“A mensagem principal é que, pela lógica do conhecimento das propostas que foram apresentadas, a distância entre as várias correntes político-partidárias não é tão grande. Há, sim, algumas diferenças tanto na legislação trabalhista quanto na questão das parcerias público-privadas e também na tributária, mas há uma convergência maior do que as diferenças. É preciso que o espaço que foi conquistado crie a síntese, e dela se discuta não mais o que deve ser feito, mas como implantar o que foi discutido. O acordo sobre o que é possível é o que foi feito. A questão agora é seguir em frente para implantar o que foi acordado.” Assista à entrevista completa

Julio Delgado, deputado federal (PSB-MG)

“A iniciativa da Amcham foi justamente para [alertar para que] coloquem os projetos em votação porque a sociedade espera e necessita que estejam vigorando num novo tempo e num novo momento para o nosso País. O projeto do Simples Trabalhista, do qual sou autor e que está pronto para pauta e tem condição de ser votado, atualizará muito a questão das relações entre empregador e empregado e se coloca num contexto de desonerar a folha de custos e encargos sociais para que o empregador possa colocar mais trabalhadores na formalidade. Este é um projeto que está em pauta. A questão das PPPs também está em discussão e pode ser olhada rapidamente.” Assista à entrevista completa.

Sandro Mabel, deputado federal (PMDB-GO)

“Todas as propostas são importantes, e é preciso pressão da sociedade por isso [aprovação das propostas]. Todas são possíveis ser feitas. A mensagem que deixamos é de otimismo sempre. Sou empresário e estou no Congresso defendendo a classe empresarial e produtiva para fazer o País crescer. O governo não pode nos atrapalhar, e, sim, precisa nos ajudar. O Congresso não pode atrapalhar, mas criar condições para ter legislações com segurança jurídica, impostos mais justos, parcerias que possam ser viáveis, com relação entre capital e trabalho também viável.” Assista à entrevista completa.