Pensando no longo prazo, Pernambuco amplia ferrovias e transporte marítimo

por andre_inohara — publicado 08/08/2011 14h51, última modificação 08/08/2011 14h51
André Inohara
Recife – Outro exemplo de planejamento com visão de futuro no Estado é o Complexo Industrial e Portuário de Suape.
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Além de ampliação das rodovias, Pernambuco está investindo na melhoria de outros modais logísticos, como o ferroviário e o marítimo, como parte de um projeto de infraestrutura logística de longo prazo. Este é um desafio pernambucano e nacional, indicou Frederico Amâncio, vice-presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape.

“O Brasil já deveria, há décadas, contar com uma estrutura maior de ferrovias e ter ampliado o transporte marítimo, como a cabotagem”, disse Amâncio no seminário Competitividade Regional em Recife na sexta-feira (05/08). O evento integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham.

O desgaste das rodovias se deve, em grande parte, ao uso excessivo desse meio de transporte, argumenta Amâncio. “Todos os países da Europa, os EUA, o Canadá e a China já avançaram há décadas no fortalecimento de outros modais de transportes”, lembrou.

Para o vice-presidente de Suape, é extremamente preocupante continuar com a visão de que a prioridade em investimentos é em rodovias. "Devemos continuar melhorando e recuperando nossas estradas, mas precisamos mudar o foco do trabalho e incentivar os demais modais de transporte", sustentou.

Integração de transportes é forma eficiente de reduzir custos

Para o Cone Suape, braço da construtora Moura Dubeux, a integração dos meios de transporte é uma das formas mais eficientes de reduzir custos.

“Dados revelam que a multimodalidade nos transportes ferroviário e de cabotagem (marítimo) barateou os custos logísticos em países que conseguiram essa evolução”, disse Arménio Ferreira, diretor de desenvolvimento do Cone Suape. “Para um país do tamanho do Brasil, o modal ferroviário é crucial. Não há outra saída para conseguir atender às necessidades de transporte com alta velocidade e baixo custo”, acrescentou.

O Cone – abreviatura de Condomínio de Negócios – é responsável pela infraestrutura básica para as empresas interessadas em se instalar no entorno do Complexo de Suape, e é constituído de quatro unidades de negócios: Multimodal (logística), Multicenter (serviços), Zona de Processamento de Exportações (ZPE) e Plug & Play (áreas prontas para a implantação de indústrias).

“Temos uma plataforma logística de 3,5 milhões de metros quadrados (m2), e que pode absorver 1,1 milhão m2 de área construída. Também disponibilizamos outra plataforma com área de pátio de 780 mil m2 para absorver cargas gerais de contêiner e de porão”, descreveu o executivo.

Ferrovias aumentarão integração do Nordeste com outras regiões

Amâncio, do Complexo de Suape, destacou que a construção de uma nova malha ferroviária pela Transnordestina Logística aumentará a interligação do Nordeste ao Centro Oeste, maior região produtora de grãos.

“O projeto da Transnordestina permitirá a Pernambuco não só um acesso maior aos grãos do Centro Oeste, mas também se conectar a outros projetos importantes, como a ferrovia Norte Sul”, comentou Amâncio.

Além dos grãos, o transporte de minérios igualmente também tende a se intensificar, rumo ao porto de Suape.

Para Miguel Andrade, gerente de Negócios da Transnordestina Logística, os projetos em Suape são uma resposta da iniciativa privada ao chamado do Estado por investimentos.

“Uma série de ações dos governos estaduais, em especial de Pernambuco, eliminaram alguns gargalos de investimento. Entre os ganhos, estão a rapidez nos processos de desapropriações e licenças ambientais”, observou.

Pernambuco é uma região estratégica para a Transnordestina, avalia Andrade. “Grande parte da nossa malha ferroviária está concentrada no Estado, e estamos 100% alinhados com o crescimento da região”, comentou.

Projeto de Suape é resultado de planejamento de longo prazo

A efervescência da economia pernambucana e, em especial, a concretização do Complexo Industrial e Portuário de Suape, são uma realidade hoje devido ao planejamento feito no passado, concordam os palestrantes do evento da Amcham.

“Pernambuco está na situação atual (receber investimentos) devido, em grande parte, à lucidez de investir em infraestrutura”, disse Tânia Bacelar, champion regional do programa Competitividade Brasil e sócia-diretora da Ceplan Consultoria.

Tânia foi a mediadora do painel de infraestrutura, e acrescentou que o projeto de Suape, quando concebido, há cerca de trinta anos, foi desacreditado.

“Passamos décadas sobrevivendo a momentos diferentes tanto econômicos como políticos, mas conseguimos consolidar uma infraestrutura portuária e um distrito industrial que nos permitiu receber o atual bloco de investimento”, comentou.

Frederico Amâncio, responsável pelo Complexo de Suape, disse que o Plano Diretor da instalação do complexo foi projetado para suportar um desenvolvimento industrial e logístico até 2030 sem necessidade de ampliação antes desse período.

“A maior parte dos investimentos públicos é focada no plano plurianual, dos próximos quatro anos. O plano diretor de Suape é focado para 2030, com ações desenvolvidas hoje e planejamento vinte anos à frente", assinalou. "Isso mostra que ter visão de futuro pode ser um grande fator de desenvolvimento, e o que estamos experimentando hoje é fruto do planejamento passado", concluiu.