Pernambuco precisa de mais parcerias para formação técnica, afirma novo reitor da UFPE

por daniela publicado 08/08/2011 17h59, última modificação 08/08/2011 17h59
Recife - Anísio Brasileiro comentou os desafios para ampliar a competitividade do Estado em evento da Amcham.
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A formação de mão de obra técnica é o principal desafio de Pernambuco nos próximos anos e, nesse sentido, as parcerias entre governo e instituições de ensino será fundamental. É o que defende Anísio Brasileiro, pró-reitor para Assuntos de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor recém-eleito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Brasileiro participou do evento Competitividade Regional realizado pela Amcham na sexta-feira (05/08) no Recife.

Em entrevista ao site da entidade, ele comentou sobre as necessidades de profissionais no Estado, iniciativas das universidades locais e parcerias com empresas. Acompanhe:

Amcham: Quais os setores que mais sofrem com a falta de mão de obra qualificada em Pernambuco?
Anísio Brasileiro:
A construção civil e todos os segmentos envolvidos na área de infraestrutura sofrem mais. Há escassez de pessoas, especialmente em relação à formação no nível médio.

Amcham: A formação superior tem acompanhado as necessidades do mercado no Estado?
Anísio Brasileiro:
Acredito que a formação superior está buscando alinhamento com as necessidades do mercado. Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por exemplo, tivemos a implantação dos cursos de Engenharia Naval e Engenharia de Energia, além da instalação de uma nova área de equipamentos na Engenharia Mecânica. A UFPE está bastante alinhada com o que o mercado busca atualmente. Da mesma maneira, a Universidade de Pernambuco (UPE) também segue esses passos com os cursos na área de petróleo. Acredito que o mais importante é fortalecer os institutos e escolas técnicas para a formação tecnológica.

Amcham: Como avançar nesse fortalecimento dos cursos técnicos?
Anísio Brasileiro:
Isso é possível, principalmente através de parcerias entre as Secretarias de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo, de Educação e de Ciência e de Tecnologia junto às universidades, formando um comitê de integração para focar na formação de recursos humanos.

Amcham: A UFPE tem se relacionado com as empresas para aprimorar a formação?
Anísio Brasileiro:
Dentro da universidade, contamos com sete empresas juniores que estão fomentando as áreas de empreendedorismo e inovação. Temos cooperações de ponta com a Petrobrás, com a Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), com a Celpe (Companhia Energética de Pernambuco) e, também, com grandes empresas na área de informática. Além disso, estamos reestruturando a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento (FADE) para criar um marco regulatório que seja mais flexível, menos burocrático, para parcerias entre as empresas e a universidade.

Amcham: Conforme sondagem da Amcham, uma das propostas priorizadas pelo empresariado para ampliar a capacitação de pessoal é a implementação de campi avançados no interior. A UFPE tem duas unidades no interior...
Anísio Brasileiro:
Cerca de 90% dos vestibulandos que ingressaram no campus de Caruaru não são de Recife, são estudantes do interior. É muito importante termos polos universidades em cidades como Caruaru e Garanhuns. Porém, agora, com programa de vestibular nacional na primeira fase, temos a presença de estudantes de outros estados na graduação. No campus de Recife, a grande maioria dos estudantes é da região metropolitana.

Amcham: Em relação ao Porto de Suape, quais os principais desafios?
Anísio Brasileiro:
Os grandes problemas no Porto de Suape são o acesso à região, a logística de transporte muito precária e as rodovias. Outra questão que precisa ser pensada é a base social no entorno de Ipojuca, onde é preciso realizar projetos de formação de renda para evitar a formação de favelas. Nesse contexto, é muito bem vinda a mão de obra qualificada de outras partes do Brasil, mas precisamos nos qualificar para competir.

Amcham: Como você visualiza a questão de mão de obra no contexto da competitividade do Estado?
Anísio Brasileiro:
A questão de competitividade é um fenômeno mundial. Pernambuco tem que ter projetos estratégicos como o Suape Global, com os casos da Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) e da Companhia Petroquímica, que são estruturas em que a competição acontece de forma global. Nesse sentido, temos o desafio de preparar a mão de obra com cursos técnicos na área de metalurgia.

Amcham: Quais as medidas que podem ser tomadas pela iniciativa privada para superar esse gargalo?
Anísio Brasileiro:
As empresas precisam ser mais proativas, criando departamentos de pesquisa e inovação dentro de suas estruturas. Além disso, é preciso aproveitar melhor os jovens em programas de estágio e trainee.