Frente a gargalos de infraestrutura, setor de logística trabalha para reter e motivar profissionais como forma de garantir competitividade

por andre_inohara — publicado 27/02/2012 15h07, última modificação 27/02/2012 15h07
São Paulo – Case do Grupo Luft, que busca aprimorar gestão da frota, fortalecer liderança e melhorar ambiente interno, foi apresentado no primeiro encontro do ciclo de debates “Gestão x Gargalos de Infraestrutura” do comitê de Logística.
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O setor de Logística vive hoje um momento crítico diante dos amplamente conhecidos gargalos de infraestrutura do País. Para garantir a competitividade dos negócios, as empresas investem em melhorias da porta para dentro, ou seja, em termos de aprimoramento da sua gestão. A atração, capacitação e retenção de pessoal são alguns dos pontos mais importantes.

Um dos maiores desafios é hoje a atração de motoristas, como indicou debate do comitê de Logística da Amcham-São Paulo na terça-feira (28/02). O encontro deu início ao ciclo de debates “Gestão x Gargalos de Infraestrutura”, que prevê outras duas reuniões.

O fato de que outros segmentos da economia oferecem opções mais atrativas de carreira tende a comprimir ainda mais a disponibilidade desses profissionais, avaliaram os participantes.

O aumento dos custos de transporte e a crescente necessidade de qualificação e elevação da remuneração dos motoristas também são uma preocupação. O motivo é que custos maiores tendem a dificultar o estabelecimento de políticas para atrair novos empregados.

Case Luft

Um exemplo de como as companhias do setor trabalham para garantir sua competitividade interna vem do Grupo Luft. Para ampliar e garantir a eficiência dos seus serviços de logística de transportes e armazenagem, a empresa decidiu aperfeiçoar vários processos. Investiu na melhoria da gestão de frotas, recrutou lideranças e apostou em mais treinamentos internos, o que resultou em crescimento de retenção e motivação de funcionários.

“Contratamos mais gestores, remanejamos supervisores e criamos novas estruturas de frota. Com a mudança da gestão e melhoria na estrutura interna, conseguimos reter mais funcionários e melhorar o ambiente interno”, disse Joyce Pereira, responsável pela área de Treinamento e Desenvolvimento da Luft Logistics.

Dividida em oito unidades de negócios, a Luft possui uma frota de 2,1 mil caminhões e 800 motoristas, além de operar 30 armazéns em 11 estados. O volume movimentado em 2011, entre mercadorias e operações em armazéns, somou 2,6 milhões de toneladas.

Na divisão Express do grupo [responsável por transporte de cargas sensíveis por meio dos modais aéreo e rodoviário], o tempo médio de permanência de profissionais de nível operacional aumentou para oito meses. Essa era uma das áreas da Luft onde a troca de profissionais era mais frequente.

“Não era difícil encontrar profissionais que não ficavam nem um mês”, contou Joyce.

Melhoria da gestão de frotas

Ao aperfeiçoar sua gestão de frotas, a Luft começou a envolver mais os seus funcionários. Na divisão Express, o grupo reorganizou a área de transporte com base nas necessidades dos motoristas.

“Tínhamos uma área de frota que era formada por tráfego, escala e operação. Conseguimos aumentar o número da frota [de veículos], reduzir a jornada de trabalho e dividir melhor as escalas”, conta.

Em muitos casos, o trabalho de condução exige que o profissional se ausente de casa por vários dias. Por isso, a Luft estimulou as lideranças a criar escalas de trabalho que levassem em conta os compromissos pessoais dos motoristas.

Muitas vezes, eles estão com algum problema particular e não querem se ausentar por muito tempo. Nesse caso, há a possibilidade de serem realocados para cumprir distâncias mais curtas.

“Criamos uma estrutura em que o motorista consegue programar seu dia de folga e roteiros para circular, de modo que possa ter mais equilíbrio em sua vida pessoal”, assinala Joyce.

Formação interna e reconhecimento

Na divisão Agro da Luft, responsável pelo transporte e armazenamento de produtos agrícolas, foi necessário ajustar salários e promover recrutamento e formação interna. O aumento indesejado da rotatividade de motoristas em 2010 foi o motivo para que a companhia estudasse alternativas para desestimular essa prática.

“Avaliamos o que era preciso melhorar, pois não queríamos que a rotatividade acontecesse novamente”, afirma. “Melhoramos a remuneração de motoristas e diferenciamos os vencimentos de conferentes, líderes de operação e operadores de empilhadeiras."

Além da melhora salarial, também foi necessário criar canais adicionais de recrutamento. “Tivemos que formar internamente instrutores habilitados, e a partir daí oferecemos oportunidades a profissionais que queriam ser condutores de carretas”, conta.

Além da retenção maior no grupo, a rotatividade de pessoal e absenteísmo também baixou. “Ele não quer só salário. Se o funcionário se sente reconhecido, dificilmente procurará uma justificativa para faltar”, destaca Joyce.

O ciclo de debates de infraestrutura

A Amcham está promovendo o ‘Ciclo de Gestão x Gargalos de Infraestrutura’, uma série de debates sobre os gargalos que comprometem o setor de Logística e o que as empresas fazem da porta para dentro, ou seja, em termos de aprimoramento da sua gestão, para garantir competitividade no mercado.

A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) estima que o País precisaria de investimentos anuais de cerca de R$ 187 bilhões até 2015 para garantir uma infraestrutura condizente com seu crescimento econômico, um volume de recursos é o dobro do que o BNDES projeta para o setor no período.