Pesquisa Amcham: aeroportos, novas tecnologias e Copa serão projetos de maior impacto no Paraná nos próximos anos

por daniela publicado 11/07/2011 17h08, última modificação 11/07/2011 17h08
Curitiba – Levantamento foi apresentado no evento Competitividade Regional em Curitiba, que integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham.
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Projetos relacionados a aeroportos, indústrias de novas tecnologias e Copa do Mundo de 2014 são os que causarão maior impacto no Estado do Paraná nos próximos anos, segundo o setor privado. É o que revela pesquisa da Amcham apresentada no seminário Competitividade Regional nesta quarta-feira (13/07) em Curitiba. O evento integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham.

O levantamento, em parceria com o Instituto Análise, foi realizado junto a 155 altos executivos de empresas de todos os portes no País, sendo 43 deles no Paraná.

O setor de serviços responde por 20% da amostra regional, seguido pela indústria (17%) e por tecnologia da informação, recursos humanos e advocacia (com 12% cada).  Outras áreas com participação relevante foram construbusiness (10%), comunicação (5%) e logística (5%).

O estudo indicou que as obras relacionadas aos aeroportos são as que terão maiores efeitos, segundo 78% dos empresários. Desses, 46% disseram que proporcionará alto impacto e 32%, algum impacto. Projetos relacionados a indústrias de ponta, que se fundamentam na inovação e no uso intensivo de tecnologia, terão alto impacto na visão de 34% dos respondentes e algum impacto para 39% (somando, ao todo 73%). Já a Copa do Mundo trará alto impacto de acordo com 37% dos entrevistados e algum impacto conforme 34% (total de 71%).

Em quarto lugar, aparecem os projetos de mobilidade urbana (trens, metrô e serviço de ônibus rápido), que proporcionarão alto impacto ou algum impacto para 70% dos participantes. Outros projetos que causarão reflexos na região são rodovias, construção civil e hotelaria, com 66% de importância cada um, seguidos por portos e hidrovias (61%), agropecuária (61%) e ferrovias (54%).

"Essa percepção empresarial sinaliza que a infraestrura - aeroportos, mobilidade urbana e rodovias - não está pronta para a Copa do Mundo. A pesquisa mostra ainda a importância de transformar o Paraná em um polo de novas tecnologias", afirmou Eduardo Guy de Manuel, presidente do Conselho Regional da Amcham-Curitiba.

Para Gabriel Rico, CEO da Amcham, o estudo serve de base para a elaboração de propostas para solucionar os principais desafios regionais. "Buscaremos caminhos para aproveitar mais as oportunidades que estão surgindo", disse.

Setores promissores

Pela sondagem da Amcham, os três setores mais promissores para investimentos no Paraná são construção civil, exceto habitação (42% dos entrevistados), modais de transporte que incluem rodovias, portos, ferrovias e aeroportos (39% cada) e turismo e entretenimento (37%).

Também se revelam atrativas as áreas de educação em geral e formação profissional (24%), habitação urbana (22%) e petróleo e gás (20%). "O destaque negativo é a perda de competitividade da indústria automotiva, tanto montadoras como fábricas de autopeças. O Paraná perde espaço diante da concorrência do México e também em função das relações sindicais locais. É uma situação que teremos de trabalhar", comentou Guy de Manuel.

Do ponto de vista prático, os projetos em que as companhias têm maior interesse em atuar diretamente são os que dizem respeito a novas tecnologias (52%); Copa do Mundo (32%); usinas hidrelétricas (29%); aeroportos, petróleo e Olimpíadas de 2016 (cada um com 27%); e construção civil (26%). Há disposição para trabalhar também em portos e hidrovias (24%); rodovias (24%); Trem de Alta Velocidade (20%); e ferrovias (18%).

Quando questionados sobre quais os segmentos locais que deveriam receber apoios governamentais ou das organizações da iniciativa privada, as respostas mais recorrentes foram modais de transporte (32%), educação em geral e formação profissional (27%), e turismo e entretenimento (12%). "Os problemas relativos aos modais de transportes chamam a atenção e são mais enfatizados no Paraná do que nas demais regiões do País que foram pesquisadas pela Amcham", destacou o conselheiro regional.

O estudo da Amcham apurou que a maioria das empresas (83%) nunca participou de processos licitatórios para parcerias público-privadas.

Os entrevistados apontaram que, para eles, os principais obstáculos à ampliação da participação da iniciativa privada nos projetos de infraestrutura são o excesso de burocracia e a falta de transparência no processo licitatório, cada um com 63% das respostas. As outras barreiras indicadas estão relacionadas a insegurança jurídica (59%), gestão pública dos projetos (44%) e resultado financeiro não atraente (32%).

Como possíveis soluções para maior entrosamento do empresariado nacional nesses projetos, estão maior clareza dos objetivos (42%), aumento da divulgação dos projetos (15%) e redução da burocracia (10%).

"A falta de transparência e a insegurança jurídica foram tão mencionadas porque ocorreram algumas quebras de contratos nos últimos anos. São aspectos que devem ser aperfeiçoados para ampliar a participação da iniciativa privada, atraindo investimentos que são tão necessários ao desenvolvimento do Estado", ressaltou Guy de Manoel.

Raio-X da infraestrutura local

No Paraná, 56% dos pesquisados responderam estar totalmente satisfeitos ou satisfeitos com as rodovias públicas sob concessão. No entanto, o grau de descontentamento é elevado em relação às rodovias sob gestão federal (75% insatisfeitos ou totalmente insatisfeitos) e estadual (63%).

Em relação à qualidade dos portos, a reprovação é de 73% (insatisfeitos e totalmente insatisfeitos); para as ferrovias, de 61%. Já os aeroportos recebem avaliação negativa por parte de 71%.

Diante desse quadro, o empresariado destaca que o modal de transporte que deve ter prioridade de investimento é o portuário (32% das respostas). "Certamente, o Porto de Paranaguá tem baixo índice de satisfação e deve avançar na sua administração", afirmou o presidente do Conselho da Amcham-Curitiba. Em seguida, aparecem empatados os modais aeroportuário, ferroviário e rodoviário, cada um com 22%. Apenas 2% não souberam como avaliar essa questão.

Ações governamentais prioritárias

Na percepção do setor privado as ações governamentais que melhor ajudariam o desenvolvimento do Estado são a redução da carga tributária (56%), a reforma do sistema de impostos (51%) e a reforma trabalhista (49%).

Na amostra, somente 24% das companhias responderam que contam com algum incentivo fiscal. Esses benefícios são majoritariamente estaduais e federais (40% cada), seguidos pelos municipais (20%).

Dentre os fatores que mais atrapalham no acesso das empresas aos incentivos, destacam-se excesso de burocracia (44%) e desconhecimento dos benefícios que as leis e normas permitem (27%).

Reforma fiscal necessária

A desoneração na folha de pagamentos com busca de mecanismo de compensação arrecadatória seria a reforma fiscal que mais estimularia o desenvolvimento dos negócios no Paraná, na percepção de 85% dos participantes da pesquisa da Amcham.

O redesenho de PIS e Cofins para a criação de um imposto sobre valor adicionado é outra medida considerada incentivadora para o desenvolvimento das empresas, segundo 81%. Em terceiro lugar em termos de relevância, aparece a política de desoneração efetiva dos investimentos para aumento da competitividade (73%). Segundo Guy de Manuel, os dois primeiros itens foram os mais enfatizados pelo empresariado porque o setor de serviços é predominante no Paraná.

Ainda em relação a PIS/Cofins, 56% declararam não confiar que o governo agilizará a devolução desses créditos para a exportação. A esse respeito, após a conclusão das entrevistas, ainda em junho, a Receita Federal informou que devolverá a partir de setembro 100% dos créditos de PIS e Cofins àquelas que preencherem a nova declaração eletrônica do tributo, prevista para ser entregue em julho de forma voluntária e em fevereiro de modo obrigatório. Atualmente, só são restituídos com agilidade – em até 60 dias – 50% dos créditos reivindicados por companhias que tenham exportado 10% de sua produção no último ano. A devolução de créditos tributários federais é uma antiga aspiração do empresariado, mensurada também em pesquisa da Amcham apresentada no Café de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo em 26/05.

Apenas 29% dos entrevistados acreditam que a mudança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do Estado de origem para o de destino simplificará o sistema tributário. Um terço (34%) disse não ter ainda informações suficientes para responder a essa questão, enquanto17% não acreditam que o governo conseguirá aprovar tal mudança. Outros 20% mostram-se descrentes de que essa medida possibilite melhoria efetiva ao ambiente de negócios.