Pesquisa Amcham: empresariado da região de Campinas aponta grave escassez de mão de obra técnica

por andre_inohara — publicado 25/07/2011 09h43, última modificação 25/07/2011 09h43
Campinas – Levantamento foi apresentado no evento Competitividade Regional, que integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham. Mais da metade dos consultados sente essa dificuldade.

As empresas da região de Campinas sentem que um problema central para a competitividade local está hoje na falta generalizada de mão de obra técnica. Pesquisa da Amcham revela que, para 55% do setor privado nessa importante área paulista, há escassez de profissionais com formação técnica de nível superior. Outros 49% apontam insuficiência de técnicos de nível médio.

Esse déficit de técnicos é muito mais proeminente do que o de outros segmentos profissionais. Com relação a mão de obra não especializada, a baixa disponibilidade é sentida por 32% dos consultados, e, quanto a profissionais em geral, 30% dos consultados percebem que não é possível preencher as vagas disponíveis.

O levantamento, em parceria com o Instituto Análise, foi realizado junto a 190 altos executivos de empresas de todos os portes no País, sendo 84 deles de Campinas, e apresentado nesta terça-feira (26/07) no seminário Competitividade Regional em Campinas. O evento integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham.

O setor de indústria responde por 39% da amostra regional, seguido por serviços (14%), automotivo (11%),  recursos humanos (7%) e tecnologia (6%).  Outras áreas com participação relevante são advocacia (5%), comunicação (4%) e bens de consumo (4%).

"A dificuldade na região de Campinas está principalmente na contratação de posições técnicas e cargos de nível superior. Para a qualificação dessa mão de obra especializada, levam-se anos de educação, um grande pipeline", afirmou Roberto Bucker, vice-presidente regional da Amcham-Campinas.

Executivos apontam soluções

As companhias que operam na região de Campinas priorizaram propostas para enfrentar a escassez e a baixa qualificação da mão de obra.

A mais votada, com 91%, foi a aprovação de uma lei que garanta incentivos fiscais às empresas que investem em capacitação de profissionais, uma espécie de Lei Rouanet. Para 61%, essa medida é muito importante, e outros 30% a consideram importante.

O direcionamento do ensino médio à profissionalização, com conteúdo focado em áreas de interesse profissional, foi a segunda alternativa mais votada. Uma fatia de 90% considera essa sugestão muito importante ou importante.

O desenvolvimento de programas intensivos de melhoria do ensino médio nas áreas de matemática, ciências, física e química é requisitado por 88% dos executivos.

Outra saída, indicada por 76%, é que a concessão de bolsas de estudos aos colaboradores sejam consideradas como rendimento isento de tributos.

Duas propostas tiveram praticamente o mesmo peso na opinião dos entrevistados.

A primeira é a implementação de campi universitários avançados em cidades de porte médio e a segunda, a inclusão de temas ligados a sustentabilidade, empreendedorismo e dinâmica de relacionamento com clientes e fornecedores nos currículos de cursos superiores.

Elas foram indicadas por, respectivamente 67% e 66% dos consultados.

Setores promissores

Questionados sobre os setores mais promissores na região para investimentos nos próximos anos, os pesquisados elencaram modais de transporte (36%), grandes obras de construção civil exceto habitação (35%), petróleo e gás (27%), indústria automobilística (24%) e habitação urbana (19%).

Outros segmentos votados foram turismo e entretenimento, material eletrônico de comunicação e comércio em geral (todos com 16% das respostas). Educação e energia elétrica foram apontados por 12% cada.

Instados a revelar que setores que deveriam contar com maior apoio governamental e das organizações da iniciativa privada, os respondentes da pesquisa da Amcham voltaram a dar grande relevância para vários desses segmentos.

Eles colocaram em primeiro lugar na lista de prioridades a educação em geral e formação profissional (32%), reflexo direto da falta de profissionais.

A seguir, listaram modais de transporte (27%), serviços de saúde (10%) e grandes obras da construção civil (6%). Turismo e entretenimento, energia elétrica e habitação urbana aparecem com 5% cada.

Para destravar os investimentos e impulsionar os negócios, as ações governamentais mais impactantes na visão do empresariado da região de Campinas seriam a redução da carga tributária (74%) e concretização das reformas tributária (44%) e trabalhista (39%).

Foram lembradas também simplificação do critério e da forma para pagamento de impostos (27%), diminuição do custeio da máquina pública (34%), redução da taxa básica de juros da economia (19%), desvalorização do real (11%), reforma previdenciária (10%) e combate à inflação (10%).

Mudanças na legislação trabalhista

A maior parte do empresariado da região (82%) se mostra favorável a alterações no regime de trabalho baseado na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Somente 12% acham desnecessária a mudança, enquanto 6% não sabem ou não quiseram responder a pergunta.

Para os que consideram as mudanças na CLT fundamentais, os modelos alternativos adequados seriam a diminuição de alguns encargos sociais (94%), direito ao trabalhador de escolher entre os regimes de carteira assinada ou prestação de serviço através de nota fiscal (49%), e fim do imposto sindica (38%).

A conciliação prévia antes de recorrer à Justiça do Trabalho foi lembrada por 33% e a limitação do valor da contribuição sindical foi citada por 32%.

Entre outras saídas votadas, estão pluralidade sindical (25%), eliminação do poder normativo da Justiça do Trabalho (23%) e redução da jornada de trabalho (4%).

A sondagem apurou ainda se as empresas estão realizando algum tipo de provisão para eventuais indenizações relacionadas às ações trabalhistas. Na amostra, 48% das empresas informaram que sim, 33% disseram que não e 19% preferiram não responder.

Em meio às que fazem essas provisões, 48% explicam que a decisão dos valores é feita com base nos processos e ações trabalhistas em curso, e 30% destacaram que provisionam com base no valor médio das causas enfrentadas. Uma fatia de 22% não respondeu.

A pesquisa verificou se as companhias realizam algum tipo de gestão e prevenção de passivos trabalhistas. Uma fatia de 67% dos respondentes revelou que sim, 17% que não e 16% não comentaram.

Os que adotam ações preventivas compartilharam que se concentram em controle dos processos de contratação, promoção e demissão (89%), orientação jurídica para os procedimentos a serem adotados para atenderem à legislação (89%), controle dos registros de ponto, horas extras e folha de pagamento (80%) e controle de saúde do trabalhador e de acidentes (79%).

Ações fiscais

De acordo com 77% dos respondentes, a desoneração da folha de pagamento poderá tornar as companhias mais competitivas. Para 21%, a diminuição dos encargos na folha aumentaria a geração de empregos formais, e apenas 1% acha que isso ajudaria a reduzir a burocracia.

Pensando em uma reforma fiscal profunda, os principais aspectos mencionados para incentivar o desenvolvimento das empresas foram a desoneração da folha de pagamento (89%) e política de desoneração efetiva de investimentos (82%).