Pesquisa Amcham/ Ibope: para 54% do setor regulado, atuação da Anvisa é regular

por andre_inohara — publicado 14/09/2011 10h48, última modificação 14/09/2011 10h48
São Paulo – Estudo mostra também que 18% veem trabalho da agência como ótimo ou bom e que, conforme 28%, é ruim ou péssimo.

Pesquisa realizada pela Amcham em parceria com o Ibope mostra que as empresas reguladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) têm uma avaliação predominantemente regular sobre o órgão.

Para 54%, a atuação da Anvisa merece nota três (numa escala de um a cinco). Outros 28% atribuem notas um e dois e, para 18%, a avaliação merecida fica no topo da escala, entre quatro e cinco.

“Para todas as gerências, de maneira geral, as empresas mostram-se otimistas em relação à melhoria no processo de trabalho da Anvisa", diz Eduardo Fonseca, diretor de Relações Governamentais da Amcham.

De 17/09/10 a 08/10/10, foram aplicadas entrevistas qualitativas via internet junto a 114 agentes regulados dos setores de Medicamentos e Insumos Farmacêuticos, Alimentos, Saneantes, Cosméticos e Tecnologia e Produtos para Saúde, que correspondem às diferentes gerências da agência.

O perfil dos entrevistados é de 68% de indústrias, 24% de empresas de comércio e 8% de serviços.

Os resultados foram entregues ao diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, em agosto. Veja aqui como foi a entrega do relatório.

Estrutura do relatório

A primeira parte do questionário continha 77 perguntas comuns a todas as companhias, para captar a avaliação sobre a agência de acordo com a percepção dos usuários das diferentes gerências. Foram abordados assuntos como qualidade de atendimento, fiscalização e eficácia da comunicação.

Em seguida, os respondentes opinaram sobre aproximadamente 15 questões específicas para cada departamento, relacionadas principalmente a processos burocráticos.

Histórico

A sondagem sobre a Anvisa e suas gerências é realizada desde 2005. O objetivo é garantir informações relevantes à agência reguladora para o aperfeiçoamento de suas atividades de fiscalização e regulação sanitária, contribuindo para um melhor ambiente de negócios no País.

Os resultados ano a ano podem ser comparados, sendo que, desde 2009, a sondagem foca as gerências específicas mais do que a agência como um todo, uma vez que cada área tem uma relação singular com o setor correspondente.

Melhora

Entre os respondentes de todas as áreas, identifica-se uma percepção predominante de que tem havido melhora no processo de trabalho da Anvisa. A parcela dos que têm essa visão otimista chega a 91% no caso da gerência de Saneantes e tem seu nível mais contido em Medicamentos e Insumos (55%).

"Os resultados foram mais positivos que o ano anterior, mas ainda existe um grande espaço para melhoria, notadamente nos setores de Medicamentos e Insumos e Produtos para Saúde”, segundo Fonseca.

Conheça a opinião dos agentes regulados sobre as gerências da Anvisa:

Medicamentos e Insumos Farmacêuticos

Em 2010, houve uma melhora na avaliação sobre a atuação da gerência de Medicamentos e Insumos por parte das empresas que mantêm relacionamento direto com essa área.

Tanto em 2009 quanto em 2010, não houve menção à nota máxima e a fatia dos que atribuem nota quatro foi de 9%, mas a parcela de quem vê o trabalho como regular subiu de 43% para 59% e a dos que indicam as notas um e dois, as mais baixas, caiu de 47% para 32%.

Questionadas se essa gerência da Anvisa atende as funções para as quais foi criada de maneira satisfatória, 68% das empresas que se relacionam diretamente com ela afirmam que isso acontece frequentemente, o que representa uma evolução em relação aos 58% que deram essa resposta em 2009.

Vale notar que em 2010 não houve respondentes que declarassem que a gerência sempre cumpre sua função satisfatoriamente, diferente de 2009, quando 4% afirmaram que isso ocorreu ao longo do ano.

Entre os aspectos abordados especificamente na edição de 2010, os entrevistados que se relacionam com a gerência de Medicamentos e Insumos foram bastante críticos ao analisar a compatibilidade da força de trabalho dessa área com o desempenho das suas funções.

Dos entrevistados, 73% dizem que essa adequação ocorre raramente ou nunca; e apenas 28% acham que a área sempre ou frequentemente tem um quadro compatível de funcionários.

Para 56% das empresas, a gerência de Medicamentos e Insumos Farmacêuticos sempre ou frequentemente interpreta e executa as normas regulatórias de maneira uniforme. Esse ponto representou um grande avanço em relação a 2009, quando apenas 21% dos consultados fizeram essa avaliação.

Por outro lado, 55% consideram que esse departamento da Anvisa raramente ou nunca aplica as normas de forma consistente. Essa opinião já foi pior: em 2009, as empresas que tinham uma visão negativa sobre a gerência eram de 80%.

Alimentos

As organizações que se relacionam com a gerência de Alimentos ficaram menos satisfeitas em 2010. As avaliações positivas de bom a ótimo (notas quatro a cinco) vieram de 26% dos entrevistados, com 4% atribuindo nota cinco e 22%, nota quatro.

Em 2009, a faixa de avaliações positivas foi de 50%, sendo que 7% das empresas deram nota cinco e 43% concederam quatro.

Entre 2009 e 2010, a faixa de avaliações regulares (nota três) aumentou de 32% para 48%. Já as avaliações ruins, com notas um e dois, somaram 26% em 2010, aumentando oito pontos percentuais em relação à edição anterior (18%).

Das empresas que se relacionam com essa gerência, é majoritária (67%) a avaliação de que a área sempre ou frequentemente atende satisfatoriamente as funções para as quais foi criada, mas há que se notar que a fatia dos que têm essa noção caiu 22 pontos percentuais diante de 2009 (89%).

Em 2010, as empresas foram questionadas se a força de trabalho dessa gerência era compatível com o desempenho das suas funções. A soma dos que responderam sempre e frequentemente foi de 55%.

Também se perguntou se, para as empresas que lidam com essa gerência, as normas regulatórias eram interpretadas e executadas de maneira uniforme. A parcela dos que responderam sempre ou frequentemente caiu de 75% em 2009 para 55% no ano seguinte.

Saneantes

A gerência de Saneantes da Anvisa recebeu avaliações mais satisfatórias das empresas em 2010. O número de participantes que deu notas quatro e cinco, as maiores, subiu para 65% ante 42% em 2009.

Já as avaliações regulares (três) caíram de 53% para 25% e as ruins (dois) aumentaram de 5% para 10%. Não houve indicação de nota um, a pior, nos dois anos.

Quando questionados sobre a competência da gerência de Saneantes para atender satisfatoriamente as funções para as quais foi criada, 77% afirmaram achar que isso ocorre sempre ou frequentemente. Foi um ganho de 66 pontos percentuais na comparação com 2009.

Para 67% das empresas, a força de trabalho dessa gerência frequentemente é compatível com o desempenho de suas funções institucionais.

Outros 29% responderam raramente e 5% disseram nunca. Não houve quem indicasse que sempre a força de trabalho é compatível com as funções.

Em 2010, 67% das empresas acharam que essa gerência sempre ou frequentemente segue à risca a tarefa de aplicar as regras. A avaliação foi mais que o dobro das 26% que tinham essa opinião em 2009.

Cosméticos

A gerência de Cosméticos também foi uma das áreas com percepção mais positiva dos agentes regulados em 2010. A metade (50%) das empresas pesquisadas considerou que essa gerência mereceu notas quatro (42%) e cinco (8%).

Na pesquisa anterior, as avaliações nesse intervalo corresponderam a 45%, sendo que 39% de notas quatro e 6%, nota cinco.

O percentual de empresas que considera regular a atuação dessa área caiu de 44% em 2009 para 33% no ano seguinte e a fatia dos que atribuíram notas mais baixas (um e dois) subiu de 12% para 17%.

Isso não afetou a boa imagem da gerência, uma vez que a grande maioria das empresas (83%) declarou que o atendimento sempre ou frequentemente satisfaz às funções para as quais foi criada. Esse percentual foi menor em 2009 (73%).

Para 67% das empresas, a força de trabalho da área frequentemente é compatível com o desempenho de suas funções institucionais. Outros 29% responderam raramente e 4%, nunca.

No quesito fiscalização, a gerência de Cosméticos frequentemente segue à risca a tarefa de aplicar as regras para 63% dos consultados.

Esse percentual foi ligeiramente menor em 2009, com 61%, ano em que 11% dos pesquisados responderam sempre – contra nenhuma indicação nesse sentido em 2010.

Tecnologia e Produtos para Saúde

O grau de satisfação das empresas que se relacionam com a gerência de Tecnologia e Produtos para Saúde melhorou em 2010.

As maiores notas, quatro e cinco, somaram 20% das respostas (contra 3% de notas quatro e nenhuma nota cinco no ano anterior), enquanto 48% classificaram sua satisfação como regular (nota três).

Em 2009, o percentual das empresas que tinham essa opinião era de 52%. As avaliações negativas (um e dois) somaram 32% na pesquisa de 2010. Um ano antes, eram 45%.

A pesquisa mostra também que, para 56% das empresas que se relacionam com essa gerência, seu atendimento frequentemente ou sempre é satisfatório, contra 43% das que avaliam que isso raramente ocorre.

Em 2009, 47% responderam frequentemente ou sempre e 53% achavam que a atenção raramente era satisfatória.

Para 44% dos entrevistados, a força de trabalho de Tecnologia e Produtos para Saúde raramente é compatível com o desempenho de suas funções institucionais. Uma parcela menor, de 33%, considera que ela frequentemente é compatível; 2% acham que sempre é; e 21% dizem que nunca é.

Na avaliação da forma como a gerência interpreta e executa as normas regulatórias, as respostas negativas predominaram. Em 2010, 56% acharam que a área raramente ou nunca cumpre as regras de maneira uniforme, acima dos 44% que opinaram que a gerência o faz frequentemente.

Não houve quem optasse por dizer que a agência sempre realiza essa atividade satisfatoriamente. Em 2009, as empresas que responderam frequentemente eram 37%, e as que disseram nunca ou raramente, 63%. Também não houve a resposta sempre.