Pesquisa Amcham: questão tributária, qualidade de serviços e formação de pessoal são prioridades em telecom

por andre_inohara — publicado 27/03/2013 12h33, última modificação 27/03/2013 12h33
São Paulo – Sondagem com executivos revela desafios e impactos regulatórios no setor.
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A questão tributária e fiscal é essencial para o maior desenvolvimento da cadeia de telecomunicações no Brasil, juntamente com a melhora na qualidade de serviços e do capital humano. Esses três fatores são considerados os mais importantes para o futuro do segmento, conforme pesquisa inédita da Amcham divulgada nesta quarta-feira (27/03).

Participaram da sondagem, realizada entre 01 a 21/03, 68 altos executivos de empresas de variados portes da cadeia de telecom que são associadas à Amcham, compondo uma amostra de abrangência nacional. A maioria (66% das respostas) colocou as questões tarifárias/ tributárias/ fiscais no topo das prioridades. Em seguida, vem a qualidade dos serviços (54%) e a capacitação e formação de mão de obra (36%).

O estudo intitulado ‘A visão sobre a cadeia de Telecomunicações no Brasil’ foi apresentado em primeira mão no seminário ‘Competitividade Setorial Telecomunicações – Brasil: Avanços e desafios do setor frente à expansão do tráfego e as necessidades imediatas de investimentos’.

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

O evento reuniu especialistas da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações – e do setor privado para debater as perspectivas da cadeia de telecomunicações no Brasil e os fatores que afetam seu desenvolvimento. 

O seminário faz parte do Programa ‘Competitividade Brasil – Custo de Transação’ da Amcham-Brasil. Lançado em 2010, o projeto visa a debater e apontar soluções para os gargalos estruturais que comprometem a competitividade brasileira.

Efeitos da estrutura tributária sobre a competitividade e os investimentos

De acordo com os respondentes, a questão tributária é fundamental tanto para acelerar a competitividade como os investimentos em telecom. O setor é reconhecidamente um pilar importante de desenvolvimento do País, mas demanda constante apoio à competitividade.

Nesse contexto, 63% dos entrevistados consideram a redução da carga tributária sobre o setor como a principal medida que o governo deveria tomar para acelerar a competitividade. Iniciativas como a desoneração de custos (impostos e taxas) também são fundamentais para 54%, seguidas de estímulo ao compartilhamento de redes das concessionárias (40%).

Desregulamentação/ desburocratização do serviço (30%), aumento da fiscalização (21%), regulação mais ágil (21%) e novas regras para a entrada de novos players no mercado (16%), também foram mencionados.

Em relação aos investimentos necessários para a modernização da infraestrutura de telecomunicações, que têm sido constantemente cobrados pelo governo, há uma percepção de descompasso entre as exigências e as ações de estímulo.

Para 48% dos executivos, faltam ações do governo que contribuam para a diminuição do peso dos tributos. Outro entrave aos investimentos é a falta de ações que alinhem e atendam às necessidades dos diferentes elos da cadeia, com 21% das respostas. Ainda de acordo com 18% da amostra, é preciso criar políticas públicas que contribuam para acelerar a expansão das redes nos estados.

Investimentos

Neste ano e no próximo, as empresas de telecom pretendem investir na oferta de produtos e na qualificação de pessoal. Quando questionados sobre os três investimentos prioritários para 2013 e 2014, 62% responderam que vão focar no desenvolvimento de serviços de valor agregado. O aumento de portfólio de produtos e/ ou serviços prestados foi mencionado por 44%. Em seguida, vem a capacitação/ treinamento de equipes (32%).

Outras áreas também vão receber atenção das empresas, visando ganhos de escala e sinergia. São ações como melhoria do suporte técnico (29%), expansão para outras regiões do País (26%) e fusão/ aquisição com outras empresas (25%).

A intenção de reforçar a pesquisa e desenvolvimento (P&D) foi apontada por 19% dos respondentes, à frente da abertura de novas unidades (16%) e da melhoria do design de produtos (12%).

No que toca à oferta de serviços ao mercado, 35% dos executivos dizem que suas empresas vão investir em tecnologias de mobilidade e 35% em computação em nuvem. Outros 4% indicaram segurança e mais 4% sinalizaram para o BYOD [aparelhos pessoais de comunicação dos usuários conectados ao sistema da empresa]. A geração de conteúdo será uma alternativa conforme 3% dos respondentes.

Foco em inovação

No tema da inovação, os executivos consultados foram questionados sobre o modo como suas empresas compreendem esse tipo de iniciativa. Para 35% dos respondentes, a percepção sobre o que é inovação no setor de telecom está relacionada à qualidade dos serviços e/ ou produtos, e 32% consideraram ser linhas de serviços e/ ou produtos.

Na opinião de 18%, a inovação está ligada a modelos de negócios. Há ainda os que remetem suas respostas a tratamento do usuário, redes de infraestrutura, mapeamento do perfil dos clientes e outras questões, somando 14%.

Em relação ao desenvolvimento e/ou transferência de tecnologia, os consultados indicaram três linhas de atuação de suas empresas: desenvolvimento nacional, com a área de engenharia das companhias realizando esse tipo de ação (47%), via desenvolvimento de produtos customizados (40%) e por meio de aquisição de tecnologia de empresas nacionais (29%); desenvolvimento internacional, com aquisição de tecnologia do exterior (38%) e desenvolvimento de produtos de série sob licença de fabricante internacional (3%); e parcerias, sejam com clientes (35%) ou com universidades e centros de pesquisa (26%).

As tecnologias ‘verdes’ também estão no radar das empresas. Em 2012, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) decidiu priorizar os pedidos de patentes de tecnologias sustentáveis. Nesse cenário, 46% dos executivos entrevistados apontam que suas empresas preveem investir nesse tipo de tecnologia. Desse total, 48% dizem que as companhias vão direcionar de 1% a 6% do faturamento para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. Outros 12% dos que afirmam serão destinados mais de 6% do faturamento.

Da amostra total de respondentes, 19% revelam que suas empresas não investirão em tecnologias verdes, e 35% não souberam responder.

Impacto das políticas públicas

As políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento do setor, passando por pontos como exigência de conteúdo nacional e universalização da banda larga, também foram avaliadas. De acordo com 87% dos entrevistados, apesar de as políticas públicas estarem em busca de constante adequação, ainda estão aquém das necessidades atuais do País.

Uma fatia de 9% respondeu que, apesar de as políticas não estarem alinhadas com as internacionais, atendem às necessidades do setor no Brasil. Um grupo de 4% afirmou que estão em linha com políticas internacionais e as necessidades do País.

Em relação à política de conteúdo nacional, a maioria das respostas mostrou uma visão negativa. Para 36%, a exigência aumenta os custos de investimento das operadoras de telecom, e 30% apontaram a inibição do processo de modernização da indústria local, diante de aspectos da reserva de mercado.

A pesquisa também detectou que há opiniões favoráveis ao conteúdo mínimo nacional. São 30% os que acreditam que a política trará desenvolvimento sustentável da indústria e de tecnologias locais. Outros 16% citam o impulso para a indústria de equipamentos do ponto de vista regional. Outras respostas foram mencionadas por 7% dos respondentes.

Com relação aos desafios no processo de consolidação do mercado de banda larga no País, 24% dizem que o ponto principal se refere à manutenção/ melhoria da qualidade dos serviços. Outros 24% apontam a redução da carga tributária, e 16% sinalizam para o desenvolvimento de infraestrutura.

Unificação de serviços

Indagados sobre como uma mudança na regulação que promovesse unificação, com padrões de atendimento e cobrança dos serviços de telefonia fixa e móvel, banda larga e TV por assinatura, poderia afetar o setor, 60% disseram acreditar em ganho de eficiência. Para 47%, isso traria aumento da competição e, consequentemente, melhoria na percepção de qualidade do serviço.

A redução dos preços de serviços oferecidos seria outro efeito, na opinião de 44%, enquanto 22% consideraram que os investimentos aumentariam. Para 19%, haveria incentivo à consolidação do setor no Brasil.