Pesquisa Amcham: transporte, turismo, petróleo e gás, e educação são setores mais promissores para investimentos em Pernambuco nos próximos anos

por daniela publicado 04/08/2011 09h35, última modificação 04/08/2011 09h35
Recife – Levantamento foi apresentado no evento Competitividade Regional, que integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham.

Os setores de modais de transporte (rodovias, portos, ferrovias e aeroportos), turismo e entretenimento, petróleo e gás, e educação são os mais promissores para investimentos no Estado de Pernambuco nos próximos anos, segundo o setor privado. Esses segmentos aparecem empatados na primeira posição, com 38% das opiniões.

É o que revela pesquisa da Amcham apresentada no seminário Competitividade Regional nesta sexta-feira (05/08) em Recife. O evento integra o programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação” da Amcham. O levantamento, em parceria com o Instituto Análise, foi realizado junto a 223 altos executivos de empresas de todos os portes no País, sendo 32 deles de Recife.

O segmento de serviços responde por 25% da amostra regional, seguido por indústria (16%) e tecnologia (13%). As áreas de advocacia, construbusiness, comunicação, finanças e recursos humanos aparecem com 6% cada. Os setores automotivo, logística, bens de consumo, varejo e saúde possuem 3% respectivamente.

"Ficou claro pela pesquisa que Pernambuco precisa focar a mão de obra e a infraestrutura. A pesquisa mostra o que é preciso para avançar nessas questões no Estado", afirmou Luis Delfim de Oliveira, vice-presidente regional da Amcham-Recife.

Impactos dos projetos nacionais

Com relação aos grandes projetos que o Brasil implementará nos próximos anos, o empresariado avalia que os empreendimentos que causarão impacto ou alto impacto em Pernambuco estão relacionados a construção civil, exceto habitação (91%), construção naval (88%), petróleo e gás (87%), Copa de 2014, rodovias (84%), mobilidade urbana, ou seja, trem, metrô e serviço de ônibus rápido  (82%), ferrovias (81%), hotelaria (81%), portos e hidrovias (75%), indústrias de novas tecnologias (69%), aeroportos (60%), siderurgia (56%), usinas hidrelétricas (35%) e Olimpíadas 2016 (28%).

Construção naval, mobilidade urbana e petróleo e gás aparecem na dianteira quando se fala em alto impacto (72%, 63% e 59%, respectivamente).

Foco de interesse

Do ponto de vista prático, os projetos em que as companhias têm maior interesse em atuar diretamente são os que dizem respeito a Copa do Mundo de 2014 (56%); indústrias de novas tecnologias (47%), Olimpíadas de 2016 (34%), setores de petróleo e gás (25%), hotelaria (25%) e construção civil (22%).

Na sequência, vêm construção naval (19%), rodovias (13%), mobilidade urbana (13%), ferrovias (6%), mineração (6%), agropecuária, portos e hidrovias, cada um com 3%.

Na visão dos participantes da pesquisa da Amcham, os segmentos que deveriam ter maior apoio governamental e de organizações da iniciativa privada são modais de transporte (34%), educação (22%) e saneamento urbano (16%). Serviços de informática e habitação urbana receberam 6% das respostas cada.

Raio-X da infraestrutura local

Em Pernambuco, o empresariado local demonstrou alto grau de descontentamento em relação a todos os modais de transporte. O mais criticado foi o das rodovias públicas estaduais, com 94% de respostas negativas. Em seguida, estão as rodovias públicas federais, com 88% de declarações de insatisfação, e as ferrovias, reprovadas por 65% dos respondentes.

A qualidade dos serviços públicos melhora um pouco quando se fala dos aeroportos e portos, porém estes também foram mal avaliados por 31% dos respondentes. As rodovias públicas sob concessão aparecem em seguida, com 26% de insatisfação.

Dentre os modais de transporte, os que deveriam receber prioridade de investimentos, de acordo com os consultados pela Amcham, são rodovias (59%), ferrovias (34%) e portos (6%).

Parcerias público-privadas

Pela sondagem da Amcham, 94% das empresas que atuam na região de Recife nunca participaram de processos licitatórios para a implementação de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Eles se mostram insatisfeitos com questões como burocracia (56%), divulgação dos projetos (50%), processos licitatórios (44%) e clareza na divulgação dos editais (44%).

Na avaliação dos executivos, os principais entraves para maior envolvimento em projetos de infraestrutura são excesso de burocracia (69%), falta de transparência (63%), insegurança jurídica (50%), gestão pública dos processos (41%), falta de divulgação dos projetos (34%) e dificuldade para obtenção de financiamentos (31%).

As sugestões do setor privado para ampliar sua atuação passam por redução da burocracia (25%), maior divulgação dos projetos (22%) e mais clareza dos objetivos (19%). Modificação na lei de licitações e redução ou isenção de impostos aparecem com 9% cada.

Falta mão de obra técnica qualificada

Em Pernambuco, a escassez de mão de obra atinge fortemente os níveis técnico de ensino médio e superior, de acordo com, respectivamente, 75% e 72% dos respondentes, níveis bastante superiores aos apontados para déficit de profissionais em geral (31%) e não especializados (34%).

As propostas de maior relevância para enfrentar esse quadro, para os empresários pernambucanos, são desenvolvimento de programas intensivos de melhoria do ensino médio nas áreas de matemática e ciências, para 90%; direcionamento do ensino médio à profissionalização através da atualização do conteúdo curricular (84%); aprovação de uma lei de incentivo fiscal às companhias que investem em capacitação nos moldes da lei Rouanet (81%); implementação de campi avançados de cursos superiores em cidades de porte médio (78%); e isenção fiscal para bolsas de estudo (75%).

Reformas necessárias

O setor privado de Pernambuco defendeu ainda uma série de ações governamentais que ajudariam no desenvolvimento das empresas. A redução da carga tributária foi citada por 75%, seguida pelas reformas no sistema de impostos (50%) e das leis trabalhistas (50%).
Diminuição da taxa básica de juros (31%), simplificação tributária (19%) e reforma previdenciária (16%) complementam a lista de recomendações dos empresários.

Quanto à reforma fiscal, a desoneração da folha de pagamentos como quesito que mais impulsionaria os negócios foi unânime entre os pesquisados (100%) e é algo que pode tornar suas companhias mais competitivas (66%) ou aumentar o emprego formal (34%). "A desoneração da folha com compensação arrecadatória é a grande prioridade que o empresariado de nossa região vê. O governo acaba de lançar sua nova política industrial. No que concerne a mão de obra, quatro setores foram beneficiados com um projeto piloto de desoneração. É o 1º passo que o governo está dando na direção certa”, comentou Delfim de Oliveira.

Outros dois aspectos considerados bastante relevantes na reforma fiscal foram a política de desoneração de investimentos (94%) e o redesenho de PIS/Cofins para a criação de um imposto sobre valor adicionado (78%).

A grande maioria dos pesquisados (91%) é a favor de alterações nas regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Desse universo, 93% consideram que a diminuição de alguns encargos sociais traria o impacto mais favorável para suas companhias. Dar o direito ao trabalhador de escolher com carteira assinada ou através de nota de prestação de serviços é outro aspecto positivo na avaliação de 59%. A eliminação do poder normativo da Justiça do Trabalho seria outra medida benéfica às atividades empresariais, apontada por 48% dos respondentes.