Política de juros será “mais passiva” no governo, diz economista Luis Paulo Rosenberg

publicado 18/01/2019 15h13, última modificação 18/01/2019 15h14
São Paulo – Equipe econômica deve priorizar medidas de austeridade e eficiência na gestão
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Para o economista Luís Paulo Rosenberg, fundador da Rosenberg Associados, o novo governo deverá adotar uma postura “mais passiva” e mexer na taxa Selic o mínimo possível. “Vocês vão ver uma tendência a uma política de juros muito mais passiva do que tinha no passado”, afirma, no comitê estratégico de Finanças da Amcham-São Paulo na quinta-feira (17/1).

Atualmente, a taxa Selic está em 6,5% ao ano e deve subir para 7% em dezembro, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central de 11/1. Isso porque a equipe econômica liderada pelo Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, tende a seguir uma linha mais liberal. Tanto ele como alguns de seus principais assessores são favoráveis ao livre mercado e baixa intervenção estatal, pensamento defendido pela chamada Escola de Chicago.

Para ilustrar essa doutrina, Rosenberg compara a política monetária a um ar condicionado. “Digamos que um aparelho desses influencie decisivamente a produção de uma fábrica. Você não pode pegar e baixar a temperatura para 18 graus quando quer diminuir a produção, ou aumentar para 32 graus se quiser acelerar o ritmo. O ar condicionado deve ser mantido a 24 graus e a fábrica cuida do resto”, explica.

“A teoria brasileira de que, se você não tem ajuste fiscal (para equilibrar a economia), compensa-se com política monetária e pratica juros reais como nenhum país do mundo faz é veementemente condenada em Chicago”, continua.

Entre outras medidas econômicas, a equipe anunciou que vai priorizar a austeridade fiscal e políticas de aumento de competividade. Muitas delas, como a reforma fiscal e privatizações, dependerão de apoio do Congresso. E conseguir a maioria parlamentar necessária para aprovar projetos não será fácil, observa Rosenberg.

Segundo o economista, a estratégia do presidente Bolsonaro para conquistar apoio parlamentar não é negociar cargos com partidos. “Ele está procurando apoio primeiramente em suas bases de sustentação, que é a bancada da Bala (ex-policiais), do Boi (agronegócio) e da Bíblia (evangélicos). Com isso ele cria, vamos dizer, apoiadores em todos os partidos e tenta fazer com que eles venham de dentro para fora.”

Economia e contas públicas

Além do panorama político, Rosenberg aprofundou comentários sobre economia. Na avaliação de Rosenberg, a inflação estabilizada, volta do emprego, confiança para consumir em alta e safra agrícola abundante são algumas das condições macroeconômicas que preparam o Brasil para um crescimento forte em 2019.

“O Brasil nunca teve condições melhores de dar certo do que agora”, disse. Tanto que sua previsão de crescimento do PIB para este ano é superior à do mercado. “Bate 2,7% fácil esse ano”, afirma, acima dos 2,57% do Boletim Focus do Banco Central de 11/1.

O déficit das contas públicas é o fator que exige maior atenção do governo. Para equilibrar a situação fiscal, é importante aprovar a reforma previdenciária. A mudança é necessária e precisa ser feita em algum momento, observa o economista. “Se não fizer nada, não vai ser uma tragédia. Temos tempo, mas é preciso avançar. Se fizer o trivial bem feito, e a equipe econômica tem capacidade, permite uma virada no crescimento bem importante."

 

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