Por competitividade e inserção global, Brasil terá que se adaptar a um cenário mais diversificado

publicado 19/04/2016 12h52, última modificação 19/04/2016 12h52
São Paulo – Criatividade e flexibilidade são vantagens brasileiras, diz Marcos Troyjo (Columbia University)
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Para o Brasil ser mais competitivo e fazer mais comércio com o mundo nos próximos anos terá que se adaptar a uma realidade mais diversificada, na opinião do economista e cientista político Marcos Troyjo, co-diretor do BRICLab da Columbia University. “O terreno no qual teremos para assentar as nossas trocas corporativas vai ser marcado, em primeiro lugar, pelo desenho das novas geometrias de parceria econômica”, disse, no lançamento do programa Mais Competitividade da Amcham Brasil, na sexta-feira (15/4), referindo-se aos novos acordos e blocos comerciais.

Essa realidade mais diversificada do comércio exterior, segundo Troyjo, terá que levar em conta o respeito à propriedade intelectual, direitos humanos aplicado às relações de trabalho, desenvolvimento sustentável e proteção ambiental. Como exemplo, o economista cita a Parceria Transpacífico. O acordo assinado no final de 2015 entre os EUA e mais onze países da região do Oceano Pacífico definiu parâmetros de comércio e também de temas como propriedade intelectual, questões trabalhistas e sustentabilidade. Os países envolvidos respondem por 40% do PIB global, e a expectativa é de expansão do fluxo comercial e de cadeias produtivas na região.

“É um erro achar que esse é um acordo de comércio regional. O que caracteriza os princípios da adesão dos signatários do acordo não é o fato de serem banhados pelo Pacífico, mas por pensarem da mesma maneira. Acho que esse é um processo aberto para a entrada de outros países não banhados pelo Pacífico”, argumenta.

  Para se inserir no novo cenário, o Brasil tem cinco vantagens importantes, de acordo com o economista: a criatividade empresarial, a flexibilidade de adaptação a situações críticas, atuação bem sucedida em setores de alto valor agregado, aprendizado em crises e o fim do ciclo populista e protecionista. “Temos que tentar construir um caminho, uma estratégia, a partir das características do mercado global e das vantagens das empresas brasileiras.”

Em relação à flexibilidade, o economista disse que a convivência com períodos de crise nas últimas décadas preparou o empresariado para atuar em períodos turbulentos. A hiperinflação dos anos 1980 foi uma dessas situações. “Vivemos ciclos emocionais muito terríveis. A realidade da política brasileira muda, com imenso impacto no mundo dos negócios e isso cria, claro, uma casca dura para enfrentar.”

Outro ponto de destaque foi o ciclo de políticas populistas no Brasil, que Troyjo acredita estar perto do fim. E compara a situação brasileira a de outros países. “Em outras regiões do mundo o protecionismo não acabou e, curiosamente, vem crescendo em algumas nações que são tradicionalmente campeãs de comércio. Nos EUA, por exemplo, a retórica de protecionismo baseada em critérios superficiais de benefícios dos acordos de globalização do (pré-candidato à presidência Donald) Trump faz com que Brasil tenha vantagem comparativa e mais uma vez possa se posicionar, se tiver inteligência, as empresas e governo, em situação mais favorável.”