Por uma questão de credibilidade, inflação precisa convergir ao centro da meta em 2012, afirma Alexandre Mathias

por daniela publicado 31/05/2011 14h36, última modificação 31/05/2011 14h36
Daniela Rocha
São Paulo - Expectativa do economista é de correção via aumento da taxa básica de juros.
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Por uma questão de credibilidade institucional e em prol do desenvolvimento do País, a inflação deveria convergir em 2012 ao centro da meta estabelecida pelo Banco Central (BC), de 4,5% ao ano, avalia o economista Alexandre Mathias. Ele espera um movimento de alta na taxa básica de juros, que percebe como a forma mais efetiva de conter o aumento geral de preços.

A meta de inflação fixada pelo BC no País é de 4,5% ao ano, com possibilidade de viés de dois pontos porcentuais para baixo (2,5%), ou para cima (6,5%). O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado período de 12 meses é de 6,51%, já acima do teto.

“A inflação não deveria passar de 6,5% nunca, mas chegará a 7% já em agosto ou setembro. Isso indica que houve complacência demais nos últimos 12 a 18 meses. O governo está atuando nisso, o Banco Central está agindo, mas acho fundamental que se consiga levar o índice ao centro da meta em 2012. Seria muito ruim não atingir perto de 4,5%, o que acarretaria perda de credibilidade”, disse Mathias, que acompanhou na sexta-feira (27/05) o comitê estratégico de Economia da Amcham-São Paulo.

Na visão de Mathias, as medidas macroprudenciais que foram tomadas até o momento, como o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os financiamentos para 3%, têm pouco efeito. “Essas ações têm alguma repercussão, mas o instrumento básico para lidar com a inflação, especialmente a relacionada ao excesso de atividade, precisa ser elevação de juros. É isso que estamos aguardando”, comentou.

Além da alta dos juros, o economista ressalta que o governo precisa cortar gastos de forma consistente, medida que consistiria em um complemento importante para a política monetária e a cambial. “Na verdade, o governo vem apresentando resultado orçamentário muito bom em 2011 com superávit, mas a questão central é que isso é feito por gestão de caixa. Nesse caso, a credibilidade é menor porque pode voltar a descompressão. É necessário cortar gastos definitivamente e não somente conter gastos”, afirmou.  

Reforma política

O comitê da Amcham teve como temática a reforma política e contou com apresentações de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República; senador Francisco Dornelles (PP-RJ), presidente da Comissão Especial da Reforma Política; e Cláudio Couto, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Após ter acompanhado a reunião, Mathias destacou que a reforma política é fundamental e está sendo muito demandada pelos brasileiros. “Nosso sistema político tem de mudar para aumentar o grau de identidade entre os eleitores e os eleitos”, indicou.