Presidente do BNDES aponta as cinco principais metas econômicas para 2021

publicado 28/01/2021 00h00, última modificação 28/01/2021 14h55
Brasil – Ainda que o plano pareça otimista, consultoria política Arko Advice acredita não ser o suficiente para dar um ritmo de maior intensidade na retomada econômica
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Presidente do BNDES detalha as metas econômicas para 2021 durante transmissão do "Plano de Voo"

As metas econômicas do governo federal já estão traçadas, segundo Gustavo Montezano, Presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Dentre elas, Gustavo citou as cinco mais importantes do banco de fomento durante o nosso evento “Plano de Voo 2021”, no dia 26/01: executar iniciativas para desenvolvimento da infraestrutura; assumir o risco de projeto; aprimorar ferramentas e produtos para micro e pequenos empresários; tocar a agenda de desinvestimento, e realizar a adaptação aos padrões de ESG (sigla em inglês para “environmental, social and governance”) internacionais. 

Entretanto, ainda que o plano pareça otimista, Murillo de Aragão, CEO da consultoria política Arko Advice, acredita não ser o suficiente para dar um ritmo de maior intensidade na retomada econômica. “A pandemia ainda é uma incerteza, mesmo com todas as expectativas de crescimento. Não há como acreditar que a retomada da economia continue sem a adoção de mais medidas”, pondera. Para ele, o plano de voo para 2021 não é muito otimista, com inúmeras incertezas como a definição do Orçamento e a discussão que envolve um novo auxílio emergencial e o teto de gastos.  

MUDANÇA DE POSCIONAMENTO 

A função do BNDES não é competir com o market share, nosso sucesso é medido com quantas empresas estão abrindo no Brasil e aumentando a competitividade; quantos empregos estão sendo gerados, e se o saneamento e a infraestrutura adequada estão chegando para todas as pessoas. Esse é o nosso novo posicionamento”, afirmou o presidente do banco estatal. 

Gustavo postula ainda que o mercado espere que o BNDES esteja cada vez mais próximo do pequeno empresário. Ainda assim, faz o lembrete: “Não temos agências e não pretendemos fazer o atendimento na ponta, mas estamos ajudando e apoiando muito para que o acesso ao crédito aos micro e pequenos empreendedores melhore”.  

DANÇA DAS CADEIRAS 

Segundo uma pesquisa conduzida por nós no começo de janeiro, 71% dos empresários acreditam que a agenda de Reformas em ritmo lento ou com baixa mobilização política é o que mais pode atrasar a decolagem da economia em 2021. Nesse sentido, será preciso esperar a sucessão no Congresso para o estabelecimento de uma agenda de reformas. “Existe a certeza que haverá uma agenda de reformas, mas a definição de como será vai depender de quem vencer as eleições na Câmara”, explica Murillo.  

Na análise do especialista, mesmo com a expectativa de um Congresso reformista, os indicadores apontam que os projetos podem não passar com tanta facilidade, o que vai depender da articulação política do vencedor da disputa. “A questão das reformas não está totalmente associada a resultados positivos por parte dos candidatos governistas na disputa para sucessão da Câmara, porque o objetivo do governo no momento é se proteger politicamente”, pontua.  

Murillo afirma ser evidente que o ambiente político está mais turbulento e a discussão de impeachment aumenta a necessidade de defensiva do governo. “Nós já estamos vivendo sob a lógica da sucessão presidencial, com indícios de conjuntura preocupantes: economia não cresce, condução da pandemia por parte do governo federal em conjunto com o ministro Pazuello não é satisfatória e a popularidade do presidente caindo”, adverte o analista político.