Previ: oportunidades existem, mas aportes em infraestrutura no País necessitam estudo criterioso

por daniela publicado 04/05/2011 15h33, última modificação 04/05/2011 15h33
Daniela Rocha
São Paulo - Concorrência de investidores estrangeiros exige "garimpo" e criatividade, explica Renê Sanda, diretor de Investimentos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil.

O crescimento da economia brasileira com a ascensão de classes e os eventos esportivos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 abrem diversas possibilidades de investimentos em infraestrutura no País. A Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) pretende, entretanto, fazer um exercício cuidadoso para definir os destinos dos aportes nessa área, principalmente diante da pesada concorrência colocada pelo aumento do fluxo de investimentos estrangeiros, que operam com custos mais baixos, destaca Renê Sanda, diretor de Investimentos do fundo de pensão.

“O capital estrangeiro tem um custo menor do que o capital interno ou de fundos de pensão. Isso é positivo para o Brasil, faz com que haja disposição dos investidores estrangeiros para investirem em infraestrutura com requisitos de taxas internas de retorno muito menores do que vinham sendo praticadas historicamente. Nós, fundos de pensão, teremos de garimpar oportunidades porque a perspectiva é de que as melhores concessões, os ‘filés’, ficarão para os grupos estrangeiros. Precisaremos ser mais criativos”, afirmou Sanda, que  participou nesta quarta-feira (04/05) do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham-São Paulo.

Aportes indiretos

Os investimentos da Previ em infraestrutura (energia e transportes) não são diretos, mas realizados através de Fundos de Investimentos em Participação (Fips) e empresas participadas, especialmente a Log-In (braço de logítica da Vale), a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), a Neoenergia e a Invepar, que foi criada em 2000 pelo fundo de pensão  junto com outros dois - Petros (Fundação Petrobras de Seguridade Social (PETROS) e Funcef ( Fundação dos Economiários Federais).

A Invepar atua na área de concessões rodoviárias e tem atuação no Metrô do Rio de Janeiro. A ideia é colar foco também em portos e aeroportos, conforme surjam projetos interessantes e as regulamentações ligadas às estruturas aereoportuárias se tornem mais claras. Os aportes direcionados à infraestrutura da Previ somam atualmente R$ 1 bilhão, um volume ainda pequeno levando-se em consideração o patrimônio total do fundo de pensão de aproximadamente R$ 150 bilhões em ativos.

Na carteira total da Previ, em termos de renda variável, a maior fatia diz respeito a Vale, Petrobras, Banco do Brasil e CPFL. Quanto à renda fixa, figuram os títulos públicos federais indexados pela inflação.

Mercado imobiliário

Hoje, cerca de 4% do patrimônio da Previ são investimentos em empreendimentos imobiliários. No ano passado, a carteira desse segmento teve uma valorização de 18% em relação ao ano anterior.

“Não temos interesse em investimentos residenciais. Nosso objetivo são os comerciais de alto padrão, em geral em Brasília, Rio de janeiro e São Paulo. Estamos focados em shopping centers devido à acensão das classes C e D. Há uma tendência positiva que ainda persistirá por alguns anos”, ressaltou Renê Sanda. A Previ pretende ampliar a fatia de investimentos imobiliários em R$ 1 bi ao ano nos próximos anos.

Novos índices

O diretor de Investimentos da Previ vê com bons olhos a recente criação de quatro novos índices de ações pela BM&F Bovespa - Índice Brasil Amplo (IBrA), Índice Dividendos (IDIV), Índice Materiais Básicos (IMAT) e Índice Utilidade Pública (UTIL).

“A Vale e a Petrobras acabam dominando muito o Índice Bovespa, sendo que existem muitas empresas novas crescendo no País. Acho saudável que a Bovespa queira destacar outros segmentos até para permitir a criação de fundos especialidados e outros benchmarks (referenciais de excelência) que possam ser acompanhados”, disse Sanda.