Prioridade das tesourarias das multinacionais é aperfeiçoar previsibilidade de caixa, indica pesquisa da Accenture

por daniela publicado 18/08/2011 14h57, última modificação 18/08/2011 14h57
Daniela Rocha
São Paulo - Para enfrentar desafios globais, departamentos também buscam otimizar gestão dos recursos e intensificar controle de riscos, diz Adriano Levi, líder de Corporate Finance da consultoria.
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Para enfrentar os desafios globais, 61% das tesourarias das multinacionais veem como prioridade o aperfeiçoamento da previsibilidade de caixa. É o que aponta pesquisa realizada pela consultoria Accenture em parceria com as publicações CFO Magazine e The Economist.

“A pesquisa procurou retratar onde os tesoureiros pretendem alocar seus esforços e quais são as tendências nessa área. A principal vertente de atuação é a melhoria da previsibilidade do caixa”, ressaltou Adriano Levi, líder da prática de consultoria em Corporate Finance para a América Latina da Accenture. Ele participou do comitê de Finanças da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (18/08).

Foram entrevistados diretores financeiros e controllers de 114 companhias de grande porte com operações em mais de uma região, representando 15 setores industriais, sendo que 25% estão presentes na América Latina, sendo parte no Brasil.

Os participantes elencaram iniciativas fundamentais para lidar com processos de internacionalização, complexidade dos instrumentos financeiros, demandas regulatórias e pressões por reduções de custos. A sondagem foi realizada no final de 2010 e vem sendo apresentada ao mercado, em fóruns de executivos, neste ano.

De olho no caixa

A previsibilidade de caixa, conforme o consultor, permite que as tesourarias, além de garantirem os pagamentos aos fornecedores e os recebimentos dos clientes, tenham capacidade para expandir o capital de giro operacional e obter maior liquidez para movimentos de aquisição ou expansões via investimentos de capital. Essa previsão mais exacerbada dos recursos contribui ainda para que as empresas sejam capazes de honrar os pagamentos de dividendos aos acionistas, destacou Levi.

Para Flávia Martins, gerente geral da área de Back Office Global e Engenharia Financeira da Vale, a tesouraria deve estar cada vez mais alinhada com a estratégia corporativa , atuando com um elemento gerador de valor ao negócio. “É importante que as tesouraria se aproxime das áreas comercial e de compras para garantir maior previsibilidade no caixa, o que auxilia na gestão da liquidez”.

Ela informou que na Vale esse é um objetivo que vem sendo perseguido, especialmente porque a companhia está em franco crescimento e vem realizando pesados investimentos. “Temos de buscar o controle total da nossa posição de caixa e das nossas posições de endividamento”, afirmou. 


Outras prioridades

Além da previsão de caixa mais efetiva, a sondagem da Accenture indica que as tesourarias buscam a otimização da gestão do caixa a partir de novas técnicas (41%) e ainda a intensificação do controle de riscos (41%).

“Há uma preocupação maior em identificar riscos inerentes a essa função e de como monitorá-los”, explicou Levi. Isso porque as variações no câmbio, taxas de juros e até regulamentações podem impactar na precificação dos ativos das organizações.

Tendências

O estudo da Accenture identificou que há uma tendência de as tesourarias de empresas globais terem uma atuação cada vez mais centralizada. “O poder está mais centralizado, com grande parte dos processos feitos por uma entidade central dentro do grupo e não de forma diluída em diversas regiões”, afirmou Adriano Levi. Outro movimento que foi notado é o de maior automatização e sofisticação das ferramentas de gestão.

Levi comentou que está aumentando a exigência das organizações em relação à qualificação dos profissionais das áreas financeiras. “A necessidade de capacitação é cada vez maior, envolvendo, por exemplo, habilidades analíticas, não apenas matemáticas. Os tesoureiros precisam entender toda a dinâmica de fatores de risco que impactam a gestão do caixa e ter a capacidade de ‘navegar’ dentro da organização para interagir com as diversas áreas que participam, de certa forma, do processo de geração do caixa.” 

“O mercado demanda profissionais altamente qualificados porque a complexidade dos instrumentos financeiros é cada vez maior”, acrescentou Flávia, da Vale. Na tesouraria da mineradora, atuam principalmente engenheiros, administradores e economistas, muitos deles com mestrado em Finanças e que continuam buscando atualização constante. A companhia vem proporcionando treinamentos à equipe.