Produtividade é fruto de mudança cultural e investimentos, segundo BCG

publicado 17/04/2015 09h50, última modificação 17/04/2015 09h50
São Paulo – Programas de eficiência aumentaram resultados de Itaú, GE Transportation, Algar e Sanofi
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“Quando se fala em produtividade, ganhos expressivos podem ser obtidos com mudança de cultura e investimentos.” O consultor Masao Ukon, sócio e diretor da BCG (Boston Consulting Group), resumiu nesta frase os resultados que Itaú, Sanofi, GE Transportation e Algar Telecom conseguiram com programas de redução de custos e aperfeiçoamento de práticas empresariais.

Os representantes dessas empresas participaram do 2º Seminário de Produtividade Brasileira, realizado pela Amcham – São Paulo na quinta-feira (16/4). Na ocasião, Ukon apresentou alguns dados da pesquisa de produtividade da BCG, revelando que o Brasil é o país menos competitivo entre os emergentes.

Investimentos em produtividade

No caso da operadora Algar Telecom, a necessidade de crescer rapidamente esbarrava na falta de recursos financeiros para todos os projetos de expansão. A solução foi criar, em 2013, um programa permanente de eficiência operacional. “Criamos uma estrutura própria e começamos a estudar as iniciativas que poderiam gerar esse tipo de resultado”, conta Tatiane de Souza Panato, diretora financeira e de relações com investidores da Algar Telecom.

O programa identificou algumas oportunidades de melhoria, sendo uma delas na área operacional. Tatiane disse que antigamente os atendentes da Algar tinham que abrir até 15 telas de computador para conseguir responder às diversas solicitações dos clientes. O processo exigia muito tempo e trabalho braçal.

Ao consolidar as informações necessárias para atendimento em um número menor de dispositivos, a Algar conseguiu reduzir de 40% a 60% o tempo médio de atendimento, e também o uso de pessoal. “Reduzimos o custo de prestação de serviço ao cliente e aumentamos a sua satisfação, pois eles eram atendidos em menos tempo”, comemora a executiva.

De acordo com Afonso Borges, diretor de operações da GE Transportation (divisão da General Electric responsável pela fabricação de locomotivas), ganhar eficiência em um setor sazonal, como o ferroviário, é uma condição de sobrevivência.

Aplicando conceitos de melhoria operacional e qualificando colaboradores, os indicadores de gerenciamento e utilização de mão de obra mostram evolução constante. “Nossa meta de produtividade em 2013 era de aumento de 18% e atingimos 25%. No ano passado, esperávamos 15% e chegamos a 23%”, comenta. A meta desse ano, segundo Borges, é de 12%.

Para o executivo, aumento de produtividade é obtido com melhoria de processos e desenvolvimento de pessoas. “Mas, entre esses dois fatores, o humano é o mais importante. Por isso treinamos nossos talentos constantemente.”

Mudando a cultura

Para que o Itaú-Unibanco se transformasse hoje no banco com maior índice de retorno sobre patrimônio líquido (medida que avalia a capacidade da empresa de aumentar seu valor investindo o próprio capital) entre as instituições financeiras, foi preciso começar um trabalho de integração em 2008, quando o banco se fundiu com o ex-concorrente Unibanco.

“Tivemos que vencer barreiras culturais. Queríamos que as pessoas olhassem com desapego ao que faziam e atentassem para as atividades realmente importantes para o negócio”, disse Luis Fernando Staub, diretor executivo do Itaú-Unibanco.

O processo de eficiência operacional também passou pela redução de níveis hierárquicos, separação de áreas e adoção de conceitos de melhoria contínua trazidos da indústria. “Foi um desafio adaptar técnicas de Kaizen para a área de serviços, mas o resultado compensou”, resume Staub.

Na farmacêutica Sanofi, os custos logísticos eram bastante significativos. Com isso, a empresa decidiu aperfeiçoar sua cadeia logística. “Tivemos que readaptar processos e sistemas. Também reestruturamos áreas, criando uma de excelência operacional, por exemplo”, afirma Rodrigo Alponti, diretor de supply chain da Sanofi.

Reduzindo estruturas, a Sanofi conseguiu aumentar sua distribuição de produtos e também baixar o tempo de entrega. “Isso se refletiu em mais satisfação de clientes”, segundo o executivo.

Os exemplos dados pelas empresas têm vários pontos em comum, na opinião de Ukon, da BCG. “É possível identificar o foco no cliente e aproveitamento de oportunidades”, disse o consultor. Para ele, o cenário de incerteza econômica é o momento para as empresas investirem em produtividade. “O Brasil vai voltar a crescer e as empresas têm que estar preparadas para o novo ciclo.”