Projetos públicos com maior detalhamento técnico permitem melhor apuração de custos, segundo Camargo Corrêa

publicado 29/07/2013 10h26, última modificação 29/07/2013 10h26
São Paulo – Governo precisa investir mais em qualificação e detalhamento de projetos de infra-estrutura
marcelo-bisordi-2662.html

Se as propostas públicas de concessão de infra-estrutura apresentassem maior nível de detalhamento técnico, as empresas teriam condições de calcular melhor os custos e oferecer propostas mais realistas das obras.

“A diferença entre o valor inicial e o final seria menor, ao contrário do que vem acontecendo hoje. Por exemplo, a licitação de um trecho de ferrovia. Se ela tiver aspectos técnicos como gradação de curva, carga máxima e os detalhes da fundação, seria possível especificar o custo real. Hoje não dá para falar nisso, o governo precisa investir mais em qualificação e detalhamento de projeto”, argumenta Marcelo Bisordi, vice-presidente de Relações Institucionais da empreiteira Camargo Corrêa.

O executivo foi um dos painelistas do Seminário Produtividade Brasileira da Amcham-São Paulo, realizado na quarta-feira (24/7). Para ele, a qualificação tanto de profissionais como de projetos são chave para se ganhar eficiência. Veja a entrevista de Bisordi ao site da Amcham.

Amcham: Que balanço o sr. faz das discussões?

Marcelo Bisordi: Achei interessante o formato de chamar empresas de setores distintos, que revelaram opiniões e problemas distintos. Mas de forma macro, todos pensaram a mesma coisa: o investimento em pessoas é o ponto principal no qual todos estão preocupados. É preciso qualificar a mão de obra, porque o crescimento do País vem se dando muito mais pelo ingresso de gente nova, e muito menos pela produtividade que essa mão de obra pode oferecer.

Amcham: Qual o grande desafio das empresas para aumentar a produtividade?

Marcelo Bisordi: É fazer com que essa mão de obra que vem ingressando no mercado de trabalho ativo tenha a produtividade necessária. Ou seja, que ela se qualifique mais. É isso que as empresas estão fazendo, como deu para perceber no painel. E o investimento em tecnologia, também importante, passa por isso. Uma coisa está amarrada a outra.

Amcham: Como o setor público pode influenciar a produtividade?

Marcelo Bisordi: Cabe ao governo executar tudo o que ele sabe que tem que fazer. Ou seja, colocar em prática todas as reformas necessárias. As reformas política e tributária, principalmente, para os grupos privados perceberem que a intenção é real e se interessem em investir aqui. Porque eles estão ressabiados. Há ações setoriais a serem feitas, mas de uma forma macro, os projetos públicos têm que ser mais qualificados.

Amcham: Poderia explicar melhor?

Marcelo Bisordi: Se recebermos uma proposta de projeto mais qualificada, poderemos orçar os custos com fidelidade maior. A diferença entre o valor inicial e o final seria menor, ao contrário do que vem acontecendo hoje. Eles são licitados atualmente como propostas pré-básicas ou, em outras palavras, uma ideia. Por exemplo, a licitação de um trecho de ferrovia. Se ela tiver aspectos técnicos como a gradação de curva, carga máxima e os detalhes da fundação, será possível especificar o custo real. Hoje não dá para falar nisso, o governo precisa investir mais em qualificação e detalhamento de projeto.

Amcham: O seu setor, construção civil, emprega muita mão de obras. O que é mais importante, investir em qualificação de pessoal ou tecnologia operacional?

Marcelo Bisordi: As duas coisas estão amarradas. Não dá para investir em tecnologia sem gente qualificada, e sem ela não se consegue qualificar pessoal. Mas se fosse escolher, diria que a qualificação da mão de obra é o ponto chave para sucesso de nosso setor.