PwC: pequenas e médias empresas familiares têm dificuldades para recrutar profissionais

por daniela publicado 01/12/2010 17h54, última modificação 01/12/2010 17h54
Porto Alegre- Organizações também veem necessidade de aprimorar gestão de fluxo de caixa.

A falta de mão de obra e a dificuldade para recrutar profissionais qualificados são os principais desafios a serem enfrentados pelas pequenas e médias empresas familiares, de acordo com pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PwC), realizada entre maio e agosto deste ano. O estudo da consultoria abrange 35 países, onde foram ouvidos mais de mil empresários proprietários.

“Para superar essa situação apontada por 38% dos entrevistados, 67% das empresas familiares planejam investir em recursos humanos e treinamentos em 2011”, afirmou Carlos Biedermann, sócio líder da PricewaterhouseCoopers na Região Sul, que participou na segunda-feira (29/11) do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham-Porto Alegre.

Além do fator humano, as organizações ainda consideram que não estão preparadas  adequadamente para fazer a gestão de fluxo de caixa ou controle dos custos, aspecto apontado em 30% das respostas. Ainda assim, segundo Biedermann, as empresas familiares superaram com maior tranquilidade a crise financeira de 2008 do que as empresas de capital aberto, levando em consideração outros levantamentos elaborados pela PwC.

“Isso porque esses negócios estão sob menor pressão por resultados trimestrais e pagamentos de dividendos aos acionistas, bem como raramente apresentam os mesmos níveis de dívidas”, explicou.

A pesquisa sobre organizações familiares revelou ainda que 59% delas não alteraram seus modelos de negócios nos últimos 12 meses e apenas 14% fizeram mudanças significativas, enquanto 26% colocaram em andamento somente pequenas transformações. Biedermann interpreta esses dados como uma  postura relativamente conservadora.

Outro aspecto interessante abordado é que cerca de 50% dos gestores responderam que marcas fortes, design de qualidade e variedade de produtos são percebidos como os pontos fortes das empresas familiares.

Empresa familiar

Biedermann aproveitou o evento na Amcham para detalhar conceitos importantes do mundo dos negócios. Uma empresa familiar diferencia-se das demais porque o controle de gestão é decidido por membro ou diversos integrantes de uma família que fundou ou adquiriu um negócio. Além disso, pelo menos um representante da família participa efetivamente da gestão. No caso da companhia aberta, o fundador possui controle por meio de suas ações e ao menos um membro da família faz parte do conselho.

No caso das empresas familiares, o representante da PwC destacou que são frequentes conflitos de interesse e que alguns assuntos elevam os ânimos das partes. A pesquisa aponta que o principal motivo das controvérsias refere-se à estratégia do negócio, seguido pela análise do desempenho dos envolvidos.

Para buscar maior harmonia, as medidas mais adotadas pelas companhias familiares são realizar acordos de acionistas ou conselheiros. Outras preferem apostar nos mediadores externos como solução.

Sucessão

Segundo o estudo  da PwC, 36% das organizações resistem a uma sucessão e apenas 5% existem há mais de cinco gerações. “Em alguns casos, o fundador original da empresa está tão envolvido com a administração diária que não pensa no futuro”, enfatizou Biedermann.

Ele considera que não preparar a sucessão é o maior motivo para que uma empresa familiar feche as portas. “Os empresários relutam em transferir o controle. A própria paixão que os levou a criar as empresas pode impedi-los de se afastar do leme.”

O que mais assusta Biedermann é a falta de planejamento. Conforme a pesquisa, 47% das empresas não têm planos estruturados para o futuro e 62% não se declaram preparadas para casos de doença ou morte de um gestor ou acionista. Ainda assim, a pesquisa revela que 53% das empresas que preveem mudança de direção nos próximos cinco anos esperam  que a liderança permaneça no âmbito da família. As outras principais hipóteses seriam venda estratégica para outra companhia (21%) ou para um investidor de private equity (20%).