Real forte e falta de regulamentação prejudicam comércio exterior brasileiro

por daniela publicado 30/11/2010 17h10, última modificação 30/11/2010 17h10
São Paulo- Para professora da FGV, estes aspectos devem ser enfrentados para obtenção de maior competitividade no cenário global.
real_materia.jpg

A valorização da moeda brasileira e a falta de regulamentação adequada para as operações de exportação e importação tornam o Brasil pouco competitivo no comércio internacional. Estes são os dois maiores desafios a serem enfrentados para que o País possa usufruir mais de sua abundância de recursos naturais e também investir no desenvolvimento de produtos e serviços de maior valor agregado. A análise é de Vera Thorstensen, professora da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Hoje, a política de fixação do dólar da China diminui ainda mais a competitividade brasileira, que não consegue fazer frente aos baixos preços dos produtos asiáticos. Nesta posição, somos obrigados a exportar commodities, enquanto a indústria de produtos e serviços perde força. O pior é que as fábricas chinesas se instalaram em países vizinhos como o Uruguai e se utilizam de algumas brechas das regras de comércio internacional para penetrar no Brasil”, criticou Vera, que participou do comitê de Legislação da Amcham-Porto Alegre nesta terça-feira (30/11).

Para a professora, o Brasil deve avançar nos acordos e normas com o mundo inteiro, pois seu foco está muito concentrado na relação com o Mercosul, sendo que existem outros sitemas regionais e bilaterais que podem representar grandes oportunidades de negócios. Além disso, ela recomenda atenção do governo às mudanças nos marcos regulatórios de cada nação e às novas normas ambientais desenvolvidas pelo próprio interesse do mercado, que necessitam de esforço maior de interpretação e, muitas vezes, dificultam as transações.

Ainda conforme a especialista, faltam pessoas no País que entendam e sejam capazes de fazer o acompanhamento das convenções internacionais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para orientar as empresas.