Rede social é caixa de ressonância que potencializa o sentimento da população, diz especialista político

publicado 14/09/2018 14h35, última modificação 14/09/2018 16h22
São Paulo – Para Manoel Fernandes (Bites Consultoria), João Amoêdo (Novo) é o que melhor usa as ferramentas digitais

As mídias sociais são uma “caixa de ressonância” do sentimento da população e movidas à “emoção”, disse o jornalista Manoel Fernandes, diretor da Bites Consultoria. “Entendo que a rede social é uma grande caixa de ressonância. Quando vejo os programas de alguns candidatos que têm muito tempo de televisão, como o Alckmin (PSDB) e o Meirelles (MDB), sem muita emoção, vejo que isso não vai rebater na rede. Que a rede precisa de emoção”, opina.

O especialista participou do webinar da Amcham-São Paulo sobre a influência das redes sociais nas eleições na quarta-feira (12/9). Fernandes também usou como exemplo a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto, para ilustrar como as mídias digitais potencializam o sentimento da população em relação aos presidenciáveis.

Em outubro de 2014, o deputado Jair Bolsonaro dá uma entrevista ao Estadão dizendo que seria o candidato da direita em 2018. Na época, Fernandes estima que Bolsonaro tinha cem mil seguidores nas redes sociais, como Instagram, Twitter, Facebook e YouTube.

“Hoje, ele tem dez milhões. Multiplicou algumas vezes esse número até chegar aos dez milhões. Então entendo que a rede é uma grande caixa de ressonância.” Fernandes avalia que o crescimento de Bolsonaro se deve ao fato de ele ter conseguido “arregimentar um sentimento da população e fazer uso disso”.

Redes sociais não decidem eleições

Fernandes destaca que as redes sociais não decidem eleições. É a televisão que continua sendo a mídia mais influente para formar a opinião dos eleitores, continua o especialista. Nem tanto pelo tempo de exposição de cada candidato, mas pelo conteúdo gerado.

“Não é que o Bolsonaro tenha sete segundos de campanha na TV. O que ele tem são trinta segundos no maior noticiário do país, o Jornal Nacional. É isso o que vai reverberar na rede social”, exemplifica.

O que as mídias sociais fazem, segundo Fernandes, é apenas propagar o conteúdo de um veículo como a TV. “As redes, por si mesmas, não têm a capacidade de se articular e produzir o próprio conteúdo.”

Digital x Analógico

Para Fernandes, a eleição atual está testemunhando um confronto entre campanhas digitais e analógicas. “O que a gente está vendo nessa eleição, que é muito diferente, é claramente que tenho um candidato que é só digital, e tenho um candidato que é só analógico. E aí está havendo confronto entre essas duas forças”.

O especialista também analisou o desempenho dos candidatos nas redes sociais. Baseado na lei eleitoral, os candidatos podem impulsionar posts no Facebook e gerar links patrocinados no Google. A restrição é que os presidenciáveis não podem fazer banners em portais próprios.

O desempenho de Bolsonaro nas mídias é devido ao crescimento orgânico. “Independente da estrutura digital que ele tem, as pessoas falam dele de um jeito absurdo”, segundo Fernandes. O segundo melhor desempenho digital é de João Amoêdo (Novo), baseado na gestão profissional de suas redes. “Ele está sabendo comprar mídia e impulsionar crescimento. Seu número de seguidores já é maior que Alckmin. Ele só perde para Bolsonaro, Lula – que não tem mais candidatura – e Marina”, afirma.

A tendência é que as próximas eleições sejam mais bem administradas, por equipes profissionais, observa Fernandes. “Os candidatos estão aprendendo a usar as mídias. A próxima eleição será diferente.”

Presidenciáveis Amcham

Como parte do esforço de melhorar o ambiente de negócios no Brasil, a Amcham-Brasil tem convidado os principais pré-candidatos à Presidência da República para debater seus programas de governo com o empresariado na série ‘Seu País, Sua Decisão’.

Já participaram da série os presidenciáveis Geraldo Alckmin (24/7), Álvaro Dias (18/6), João Amoêdo (14/5), Henrique Meirelles (23/4) e Ciro Gomes (14/3). A Amcham-Brasil é apartidária e democrática, e reúne cinco mil empresas associadas, sendo 85% de origem nacional.

Cada presidenciável recebeu as propostas de competitividade da Amcham para um Brasil + Competitivo, baseado em quatro pilares: segurança jurídica e atração de Investimentos; modernização do sistema tributário; integração do Brasil nas cadeias globais de valor; melhoria da relação bilateral Brasil-EUA.

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