Reforma da Previdência: 80% de chance de ser aprovada, segundo economista do Safra

publicado 01/02/2019 13h35, última modificação 04/02/2019 10h59
São Paulo – Mais de 800 ouvintes acompanharam o webinar sobre perspectivas para 2019 com Carlos Kawall
Carlos Kawall Webinar Amcham Brasil.jpg

No nosso primeiro webinar de 2019, mais de 800 pessoas acompanharam as projeções econômicas de Carlos Kawall, economista-chefe do Banco Safra e ex-Secretário do Tesouro Nacional. O encontro aconteceu em São Paulo no dia 30/1. A íntegra da conversa está disponível no Amcham Connect, plataforma exclusiva de associados da Amcham.

“Nossa avaliação em relação a esses primeiros trinta dias (de governo) é de otimismo com as perspectivas para a economia brasileira nesse novo ciclo político. Particularmente porque entendemos que vamos ter uma oportunidade histórica para avançar na reforma da Previdência. Que hoje é a condição sine qua non para o Brasil retomar o crescimento sustentável”, disse.

Agora que começou o ano legislativo do Congresso (1/2), Kawall acredita que o projeto de reforma da Previdência deverá ser encaminhado “em duas ou três semanas”. As chances de sucesso são boas. “Entendemos que a probabilidade de aprovar a reforma da Previdência é em torno de 70% a 80% hoje.”

Ainda existe incerteza no mercado sobre a capacidade de o novo governo articular apoio no Congresso para projetos importantes. Mas para a reforma da Previdência, deve haver respaldo político.

“Pesquisas feitas junto aos parlamentares mostram que, especificamente no caso da Previdência, o apoio à reforma é majoritário. Aqueles que consideram que o Brasil não precisa fazer reforma não chegam a 10% dos parlamentares.” O que ainda não está claro qual será o projeto. “Essas dúvidas só serão dirimidas com a apresentação da proposta”, disse.

Também existe forte apoio popular ao governo, o que contribui para a aprovação do projeto. “A popularidade do presidente Bolsonaro está em torno de 55% a 60%. A meu ver, isso dá condições para iniciar essa agenda (de reformas)”, continua. Tudo vai depender de um cenário favorável com recuperação da economia, inflação e juro baixos. “É possível a aprovação dentro desse novo contexto”, reforça.

Continue acompanhando nossos próximos eventos no calendário de atividades. No dia 7/2, o Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, expõe em São Paulo as diretrizes do novo governo no evento Plano de Voo.

Agenda econômica

Tem mais motivos que justificam o otimismo. Além da reforma da Previdência, a equipe econômica vai tomar medidas de eficiência e redução do Estado.

”Diz respeito à maior eficiência da economia, por intermédio de uma reforma do Estado, privatizações, desregulamentação no sentido de viabilidade, de dar condições ao setor privado deslanchar o crescimento da economia, e não mais o Estado. E inclusive com a possibilidade de uma nova agenda, que essa é diferente dos governos anteriores, que seria a abertura comercial”, afirma.

Kawall fala da proposta de independência do Banco Central, “anunciado como prioridade”, e o leilão do petróleo excedente da área da cessão onerosa da Petrobras. Em 2018, foi aprovado um projeto que permite à Petrobras transferir a outras empresas até 70% dos direitos de exploração de cinco bilhões de barris de petróleo por meio do chamado acordo de cessão onerosa.

Ou seja, a Petrobras abre mão de ativos que não vai conseguir explorar. “Vai equacionar uma coisa importantíssima para o país e que vai atrair um volume inacreditável de recursos de investimentos nos próximos anos”, comenta Kawall.

A privatização de ativos e as parcerias de investimentos, com leilões de aeroportos, portos e rodovias, também foram medidas citadas pelo economista. “Uma agenda que me agrada muito é o foco na privatização. Mesmo com a exceção de Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, devemos ter aí um esforço de venda de ativos que incluem a Eletrobrás mais para frente.”

Empreendedorismo

Um ouvinte perguntou se Kawall tinha conhecimento de ações para incentivar o empreendedorismo. Ele disse desconhecer iniciativas específicas do assunto, mas vê com bons olhos o direcionamento liberal do governo.

“O que me deixa esperançoso é que o ministro Paulo Guedes criou uma área específica ligada à competitividade. É uma agenda mais aberta e o ministro e pessoas que já estiveram no governo, como o atual presidente do BNDES, Joaquim Levy, já viram com muita simpatia o Brasil atuar para ter uma legislação, ter requisitos regulatórios que melhorem a nossa classificação naquele ranking do Doing Business (Banco Mundial) que a gente sempre está lá em 40º, 50º lugar. Depois de muito esforço muda uma ou duas casas, mas cai três.”

É um governo pró-iniciativa privada, continua. “Porque se você opta por um caminho mais liberal onde o estado não é mais o protagonista, você tem que dar condição para o setor privado trabalhar. Tem que tirar as amarras que limitam o empreendedorismo e a iniciativa privada de um modo mais geral. Agendas, inclusive, que se fossem encaminhadas pela Amcham e outras nessa direção, terão grande receptividade no governo. E encaro com otimismo a postura, de modo geral, dessa equipe econômica.”

No webinar, Kawall também disse que as estimativas de crescimento do Banco Safra estão entre 2,7% a 3% do PIB, inflação de 3,9% em dezembro e juro básico estável. Em janeiro, o economista Luiz Paulo Rosenberg (Rosenberg Associados) esteve na Amcham para compartilhar suas perspectivas para a economia. A visão de Rosenberg pode ser acompanhada nesse link.

registrado em: