Reforma fiscal é essencial para aumentar competitividade, defende Ciro Gomes

publicado 14/03/2018 16h14, última modificação 03/08/2018 18h00
São Paulo – Ex-governador foi o primeiro da série presidenciáveis “Seu País, Sua Decisão” da Amcham

O ex-governador do Ceará e pré-candidato à Presidência do PDT, Ciro Gomes, defendeu a reforma fiscal como condição essencial para aumentar a competitividade da economia. “O sistema tributário brasileiro precisa ser reformado, e uma das razões é a simplificação na gestão para impedir as brechas de elisão e evasão fiscal”, disse, na Amcham – São Paulo na quarta-feira (14/3).

Gomes inaugurou a série de debates da Amcham “Seu País, Sua Decisão. Presidenciáveis 2018”, realizada em conjunto com o Brazil-US Business Council [grupo de empresários americanos que investem no Brasil]. A Amcham vai convidar os pré-candidatos à Presidência para debater ideias e projetos de governo aos empresários e executivos associados da Amcham. Os próximos encontros serão divulgados de acordo com a disponibilidade de agenda dos pré-candidatos. Acompanhe no www.amcham.com.br/acontece.

De acordo com o ex-governador, uma reforma fiscal vai tornar o Brasil mais eficiente e menos dependente de ciclos econômicos para crescer. E citou os períodos de alta das commodities metálicas que impulsionaram a expansão econômica. “Lula entregou o governo à Dilma com a tonelada de ferro a 190 dólares (2011). Quando Dilma saiu (2016), o preço estava em 38 dólares a tonelada”, disse.

Como parte da sua proposta de reforma fiscal, o ex-governador pretende acabar com o Refis, programa de refinanciamento de dívidas tributárias. “Estamos fazendo Refis a cada dois anos, quando os inadimplentes e fraudadores são perdoados. Quem paga imposto nesse país usa nariz de palhaço”, argumenta o ex-governador.

O combate à sonegação será prioridade. “No meu governo, vou agravar temas tanto econômico como os de cadeia para evitar a sonegação fiscal. E vou simplificar o modelo tributário para impedir as brechas de elisão e evasão fiscal”, acrescenta.

Gomes também quer aumentar o imposto sobre lucros e dividendos como forma de melhorar a arrecadação tributária. “Faz sentido um país como o Brasil, com crise fiscal, não cobrar tributo sobre lucros e dividendos? Na América do Norte e Europa, a tributação sobre herança vai de 29% a 50%. No Brasil, por lei, é de 4% a 8%”, compara.

Relação Brasil x EUA

Na política externa, Gomes disse que o Brasil precisa estreitar sua relação com os Estados Unidos por meio de parcerias preferenciais, de transferência de tecnológica e via mecanismos favoráveis de financiamento.

O Brasil pode ter uma relação mais produtiva com os EUA se souber para onde quer ir. “Não sei quantas resistências encontrarei, mas estou dizendo o que pragmaticamente buscarei”, comentou.

Coxinhas x mortadelas

O pré-candidato também criticou a polaridade do debate entre eleitores de direita, chamados de “coxinhas”, e os de esquerda, ou “mortadelas”. “Agora é assim, qualquer um que não seja coxinha, tem que ser mortadela. Isso está fazendo mal ao país, porque nos impede de refletir fraternamente os fatos fundamentais e modelos diferentes de economia e política.” Na ocasião, aproveitou para dizer que não faz parte de nenhum dos dois grupos.

 

Série Presidenciáveis Amcham 2018

A Amcham é uma entidade apartidária e tem como objetivo fornecer aos nossos associados um espaço democrático para debates de ideias e para apresentação da Agenda da Amcham a cada um dos Presidenciáveis, contendo propostas para um Brasil + Competitivo e que levam à melhoria do ambiente de negócios no país. A ordem dos encontros segue a disponibilidade de agendas dos pré-candidatos, e os próximos serão divulgados tão logo tenhamos as confirmações. Participe das discussões sobre o futuro do país que queremos. 

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