Reforma tributária é essencial para desenvolver o Nordeste, revela 51% dos empresários que participaram da pesquisa Amcham

publicado 23/01/2020 13h31, última modificação 23/01/2020 15h49
Recife – Pesquisa com 76 empresários revela os desafios e potenciais econômicos da região
Alessandra Andrade, nossa Superintendente Regional Nordeste, apresenta os resultados da Pesquisa NE 2020 para executivos durante a edição do Plano de Voo, em Recife.jpg

Alessandra Andrade, nossa Superintendente Regional Nordeste, apresenta os resultados da Pesquisa NE 2020 para executivos durante a edição do Plano de Voo, em Recife

Das reformas estruturais a serem feitas, a tributária é considerada por 51,3% do empresariado nordestino como a mais importante para incentivar o desenvolvimento da região. É o que revela a pesquisa da Amcham realizada entre 20 e 27 de novembro com 76 empresários e executivos graduados do Nordeste.

“Assim como o Brasil, o Nordeste depende de reformas estruturais para desenvolver a sua economia. Nossa região é rica de potencial e tem atrativos de negócios que fazem a diferença. Temos, por exemplo, centros desenvolvidos de tecnologia e estamos mais perto de mercados desenvolvidos”, observa Alessandra Andrade, superintendente da Região Nordeste da Amcham-Brasil.

De acordo com Luiz Pretti, presidente do Conselho da Amcham, a reforma tributária é a “mãe” de todas as reformas. “Somente a partir dela poderemos desatar os nós que nos impedem de crescer com eficiência. Falamos isso com a percepção de quem – como a Amcham – representa 1/3 do PIB do Brasil e gera mais de 3 milhões de empregos formais”, disse Pretti, na Audiência Pública sobre a Reforma Tributária que recebemos em São Paulo em 19/9.

No evento, Pretti entregou ao Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), 18 sugestões de mudança nos dispositivos legais da PEC 45 (proposta de reforma tributária) elaborados pelo nosso Grupo de Trabalho de Eficiência Tributária (GTET) – formado pelos principais executivos tributários das empresas sócias. Veja aqui o que aconteceu na reunião.

Além da tributária, os empresários também mencionaram o Programa de Privatizações e Concessões (18,4%) e o Marco regulatório de Ciência, Tecnologia e Inovação (13,1%) como reformas essenciais ao futuro do Nordeste. O Marco do Saneamento (9,2%) e a Reforma Administrativa (7,9%) também foram questões levantadas.

As respostas foram enviadas por CEOs, presidentes, sócios ou vice-presidentes, que compõem 96% do perfil pesquisado. Mais da metade dos empresários vêm do setor de serviços (52,9%), seguidos por Tecnologia da Informação (16,2%) e Indústria (13,2%). Mas há empresários de ConstruBusiness, Comércio, Varejo e Saúde.

A pesquisa foi divulgada durante o Plano de Voo, evento de perspectivas realizado em Recife no dia 22/01.

 

COMPETITIVIDADE NORDESTINA

Dos nove estados da região, Pernambuco foi considerado por 46% como o mais competitivo, seguido por Ceará (30,3%), Bahia (22,4%) e Rio Grande do Norte (1,3%).

Entre os diferenciais do Nordeste em relação às demais regiões brasileiras, 30,9% mencionaram a existência de centros de tecnologia como grande vantagem competitiva, seguida da localização geográfica (28,1%) que torna a região mais próxima dos Estados Unidos e da Europa. Também foram apontadas as facilidades logísticas (18,7%), incentivos fiscais (12,2%) e mão de obra qualificada (10,1%).

No plano de negócios de 2020, a maioria (80,2%) elegeu a região como destino de investimentos. Desse montante, 69,7% colocam a região como foco de crescimento das suas empresas, enquanto 10,5% vão aguardar condições mais favoráveis para investir. Apenas 19,8% não consideram investir na região, preferindo localidades de fora.

Mas, estruturalmente, a região não se destaca em relação ao país. Ela é proporcionalmente competitiva em relação às demais, de acordo com 46%. E 43,4% a consideram pouco competitiva. Apenas 10,5% avaliaram que o Nordeste é muito competitivo.

Diante dos desafios de crescimento, a expectativa de crescimento da região em 2020 será em linha com o PIB nacional, na opinião de 46,4%. No entanto, um terço (33,3%) estima que o desenvolvimento da região será acima do PIB, e 20,3% acha que o Nordeste vai crescer menos que o PIB.

 

Qual o foco em 2020?

No próximo ano, as empresas vão priorizar investimentos em crescimento, pesquisa e produtividade. Mais de um terço (35,5%) dos empresários pretende expandir suas operações, seguido por pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços (23,7%) e melhoria da produtividade, de acordo com 18,4%.

Para atingir as metas de 2020, as principais tecnologias e processos que serão priorizados são a digitalização (minimização de burocracias e tarefas repetitivas, facilitar acesso ao conteúdo), de acordo com 36,9%, e a customização de experiências do cliente (27,6%). Também foram mencionadas a aplicação de tecnologias de indústria 4.0 (18,4%) e atualização de computadores e softwares (9,2%).

 

Alcântara e vazamento de óleo

Para o setor privado nordestino, há perspectivas positivas com acontecimentos recentes. Aprovado recentemente pelo Congresso, o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas de Alcântara (MA) prevê o uso da base pelos EUA para lançamento de foguetes e intercâmbio de tecnologias para o Brasil. Segundo 42% dos empresários, o evento é um indutor positivo para as empresas regionais investirem em pesquisa e capacitação tecnológica.

Já o recente episódio de vazamento de óleo nas praias nordestinas terá efeito neutro, na opinião de 55,1%. Em que pese as consequências negativas para o setor de turismo, os negócios dos envolvidos não estão interligados a essa cadeia e nem dependem desse setor.