Reformas administrativa e do pacto federativo devem vir antes da tributária no ano que vem

publicado 21/10/2019 16h14, última modificação 21/10/2019 15h10
São Paulo – Agenda econômica do País está focada no longo prazo e na retomada do consumo
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Ex-secretária do Tesouro e economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi, durante o nosso Comitê Estratégico de CEOs

Passada a reforma da previdência, o segundo passo na agenda de reformas é que o governo envie três propostas ao Congresso: administrativa, do pacto federativo e tributária. “Provavelmente administrativa vem na frente, pacto federativo logo em seguida, e a reforma tributária vai ser cozinhada por muito tempo até conseguir realmente avançar”, afirma a economista chefe da Rosenberg Associados, Thais Marzola Zara.

A agenda de reformas visa recuperar a produtividade em longo prazo, o que segundo a ex-secretária do Tesouro e economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi, é o ideal. “Crescer de forma correta não é o mais fácil. O Brasil precisa perder cultura de curto prazo, que já nos levou para o buraco várias vezes”, pontua.

Thais esteve presente durante o nosso Comitê Estratégico de Diretores Comerciais e Ana durante o nosso Comitê Estratégico de CEOs. Ambos aconteceram no dia 09/10 e trouxeram discussões a respeito do cenário macroeconômico para 2020. Além dos comitês, realizaremos o Brasil 2020, no dia 25/10. O evento abordará cenários esperados para o Brasil em 2020 e está com inscrições abertas aqui.

Thais lembra também que, embora a agenda econômica do governo proponha atrair capital e deixar o setor privado fazer uma parte importante dos investimentos – já que o Estado não tem recurso fiscal suficiente –, é preciso reduzir gargalos institucionais antes. “Enquanto não houver credibilidade no marco regulatório das instituições no Brasil não haverá investimento da forma que esperamos do setor privado”, avalia.

Ana acrescenta que o cenário positivo é que o Brasil vai crescer mais que os ricos nos próximos anos, mas é preciso crescer da forma correta para não ter novos ‘voos de galinha’ – comparação ao ritmo decepcionante de crescimento do país nos últimos tempos. “Se não cresce com produtividade, a renda fica estagnada”, completa.

CONSUMO

Com a inflação controlada, o Banco Central do Brasil (BC) consegue reduzir o juros, refletindo, assim, no crédito e gradualmente no mercado de trabalho. Desta forma, a expectativa é que o consumo venha com força para 2020, com a confiança do consumidor – que já vinha aumentando – ainda mais em alta. “Já atingimos a menor taxa de juros real da história”, comenta Thais.

Na visão dela, o crédito para pessoa física vai trazer uma diferença em termos de consumo. “Não apenas o financiamento para empresas, mas financiamento para pessoa física – com fintechs, com cadastro positivo em algum momento entrando em vigor – também é algo que está melhorando”, avalia.

Segundo a economista, o País nunca teve uma melhora em termos de crédito como está tendo agora. Fato que reflete diretamente na confiança do consumidor – aliado à melhora do índice de ocupação da população. Além disso, a injeção do FGTS, calculada pelo BC, tende a incrementar 1% o consumo das famílias apenas no primeiro trimestre de 2020.

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