Diplomata britânico lembra que relações com Brasil são mais antigas do que com Europa e quer fortalecê-las

publicado 06/07/2016 13h49, última modificação 06/07/2016 13h49
São Paulo - Para Wasim Mir, Reino Unido continuará sendo um grande lugar para fazer negócios, mesmo se sair da União Europeia
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Mesmo com o cenário incerto, o Reino Unido (RU) continuará sendo um bom lugar para fazer negócios. A avaliação é de Wasim Mir, Encarregado de Negócios da Embaixada Britânica em Brasília. O especialista participou nesta quarta-feira, dia 06, de um debate promovido pela Amcham – São Paulo sobre as possíveis consequências do Brexit para o Brasil e o mundo. Ele lembrou que os laços entre RU e Brasil são bem mais antigos do que aqueles com a União Europeia (UE).

Com a mediação de Marcos Troyjo, diplomata e diretor do BRICLab da Columbia University, os professores Otto Nogami (Insper), Marcus Vinicius de Freitas (FAAP) e José Augusto Fontoura Costa (Faculdade de Direito da USP) debateram os impactos do plesbicito para o mundo e UE. No painel seguinte, “Reino Unido e Brasil: Riscos ou Oportunidades?” participaram Wasim Mir, da Embaixada Britânica em Brasília, e Roberto Giannetti da Fonseca, Presidente do Conselho Empresarial da América Latina Capítulo Brasil.

Confira os destaques do evento:

Otto Nogami, Professor de Economia do Insper e Sócio da Nogami Participações

“A convocação desse plesbicito suscitou os interesses mais conservadores da população na Grã-Bretanha.“
“A gente tem que entender que, na formação na União Europeia, a Inglaterra, que tinha alguns grandes parceiros comerciais, teve que abandoná-los para poder ingressar no bloco no conceito de união aduaneira. Naquele primeiro momento, a inflação na Grã-Bretanha estourou. São pequenos detalhes, mas que os britânicos estão resgatando nesse momento.”
“Existe uma coisa chamada Commonwealth. Um conjunto de países como Canadá, Austrália, Moçambique, Nova Zelândia e Índia que fazem parte dessa comunidade. Se dessa comunidade se formar um bloco econômico, ele vai se equiparar à UE.”
“O centro financeiro londrino continua sendo um dos mais importantes do mundo. A grande questão de desvalorização [da libra] é uma decorrência natural da instabilidade, mas a tendência a longo-prazo é de estabilização.” 

Marcus Vinicius de Freitas, Professor de Direito e Relações Internacionais, FAAP

“O presidente do Conselho da União Europeia, Donald Tusk, falou muito claramente: o que os britânicos querem é uma Europa a la carte. E isso vai contra todo o sentindo da União Europeia.”
“O grande fluxo migratório no Reino Unido foi utilizado politicamente com a questão dos refugiados - como se eles fossem a nova onda a invadir o Reino Unido.”
“Se fossemos resumir isso [Brexit], é o nacionalismo em alta e o medo da globalização.”

José Augusto Fontoura Costa, Professor e Vice-Chefe do Departamento de Direito Internacional e Comparado da Faculdade de Direito, USP

“Nunca vi divórcio, sem um amante envolvido. No caso, o amante pode ser uma aproximação comercial maior com os Estados Unidos.”
“O vínculo deles [RU e UE] do ponto de vista formal é difícil de romper. Do ponto de vista jurídico, existe a necessidade de gerenciar uma separação quando não tem uma previsão jurídica e legal pra isso.”
“Uma coisa que o Brexit nos ajuda a perceber é a lenta desagregação que vêm sofrendo os grandes sistemas multilaterais de liberalização e promoção comercial.”
“Não deve ter um efeito dominó no continente europeu, acho que eles [membros] se unem.”

Wasim Mir, Encarregado de Negócios, Embaixada Britânica em Brasília

“A relação entre o Reino Unido e o Brasil é antiga, muito mais antiga que nossa parceria com a UE. E ao longo de nossa história, nossa relação com o Brasil foi fortalecida. A quantidade de estudante brasileiros no RU aumentou drasticamente . Além disso, com a separação da UE, pensando num plano global, há muitas oportunidades pra fortalecer ainda mais essa relação. “
“É importante ter em mente que, até esse momento, nada foi mudado na nossa relação com a União Europeia. Depois de ativarmos o artigo 50, o Reino Unido continuará sendo um membro da União Europeia até a conclusão das negociações. “
“É importante lembrar que, mesmo com essa instabilidade, há oportunidades. O Reino Unido é e sempre será aberto a negócios. Embora não saibamos como vai ser nossa relação com a União Europeia, está muito claro que queremos ter ligações políticas e econômicas mais fortes possíveis com nossos vizinhos europeus. E nós queremos fortalecer relações com parceiros fora do bloco, como com o Brasil.”

 Roberto Giannetti da Fonseca, Presidente do CEAL – Conselho Empresarial da América Latina Capítulo Brasil e Presidente da Kaduna Consultoria e Participações

“Hoje em dia, eu tenho uma visão muito preocupada se não estamos vivendo um momento de algumas rupturas e eclosões econômicas que lembram um pouco 2008. A instabilidade e a volatilidade das moedas tem sido excessiva e isso traz consequências.”
“Não podemos analisar simplesmente com passividade essa situação da União Europeia - temos várias erupções políticas e econômicas ocorrendo simultaneamente no continente europeu, e isso pode causar mais incerteza.”
“Hoje as exportações do Brasil para o Reino Unido representam apenas 1,5% das exportações brasileiras, o que é pouco significativo. Isso [Brexit] significa oportunidade de crescer - nossa exportação para lá e importando mais produtos deles. Acho que há uma possibilidade de crescimento bilateral.”