Retomada em São Paulo: entenda os critérios utilizados para o estado

publicado 13/07/2020 14h20, última modificação 13/07/2020 14h20
São Paulo – Patricia Ellen afirma que, além do diálogo com setores do mercado, governo se baseia fortemente em dados e ciência para tomar decisões a respeito da reabertura
“Entendemos que a previsibilidade é outra questão fundamental para gestão da pandemia e estamos investindo muito nisso para evitar instabilidade”, afirma a Secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo..jpg

“Entendemos que a previsibilidade é outra questão fundamental para gestão da pandemia e estamos investindo muito nisso para evitar instabilidade”, afirma a Secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.

Com apenas três municípios com ocupação de leitos hospitalares maior que 80% (Ribeirão Preto, Campinas e Franca), o estado de São Paulo iniciou a retomada das atividades econômicas por meio do chamado Plano São Paulo. Segundo Patricia Ellen, Secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, a reabertura vem sendo minunciosamente baseada em dados e ciência.

Além da transparência e compromisso com a ciência, entendemos que a previsibilidade é outra questão fundamental para gestão da pandemia e estamos investindo muito nisso para evitar instabilidade”, afirmou durante o nosso webinar ‘Retomada das atividades econômicas no estado de SP’, no dia 09/07.

 

CRITÉRIOS E RESULTADOS

Segundo ela, nenhuma pessoa do estado deixou de ser atendida, mais de 75 mil vidas foram salvas e a adesão do uso de máscaras está acima de 97%, chegando a 99% na capital – número que cresceu devido ao anúncio de multas para quem desrespeitasse a regra. Além disso, a decisão da retomada envolveu diálogos com os diferentes setores afetados. “No gabinete de crise, temos um modelo com a equipe de todo o governo fazendo um sistema de monitoramento inteligente, que nos permitiu lançar e aplicar o plano”, completa.

Com a reabertura, avaliando notas fiscais eletrônicas nas últimas cinco semanas, Patricia afirma que houve aumento no volume de transações e também o valor do tíquete médio voltou a ser semelhante ao que era antes da quarentena. Entretanto, até agora, somente o município e as sub-regiões sudeste e sudoeste da Região Metropolitana de São Paulo entraram na terceira fase (amarela) do plano, que permite a abertura de negócios como bares, restaurantes e salões de beleza.

 

COORDENAÇÃO

Entramos na fase amarela com um fluxo importante que agora precisa ser bem gerido. Temos um caminho bastante promissor pela frente que depende da aplicação correta dos protocolos em todos os setores”, aponta a secretária. Por isso, ela alerta que seguir as recomendações do plano à risca – tanto por parte das empresas quanto por parte das prefeituras – é a melhor forma de avançar rápida e eficientemente na retomada. “Tivemos uma série de prefeitos que responderam liminares no Ministério Público e tiveram que retroceder em relação ao plano”, comenta.

Um ponto de sucesso no projeto de retomada foi a integração dos poderes de São Paulo, que, segundo Patricia, têm a mesma visibilidade: “A fiscalização da gestão municipal é feita pelos órgãos de controle (em especial do Ministério Público), que estão bastante coordenados com o governo do estado”. Ela acrescenta, ainda, que os municípios, em geral, estão cumprindo o plano, e exceções que não cumpriram tiveram como efeito rebote o retrocesso. “Uma decisão que parece ótima em uma semana, se torna muito ruim na semana seguinte, por isso é preciso cumprir as regras corretamente”, manifesta.

Em relação à coordenação com o governo federal, a secretária salienta que o trabalho com a parte técnica da União tem funcionado bem. “Estamos em um contato técnico muito satisfatório: com a Casa Civil e Secretaria de Desburocratização temos tido muita parceria e a Anvisa também ajudou muito no início de testes da Coronavac e aprovação de respiradores”, detalha.

Ainda assim, ela fala que a administração política federal e articulação com o governo do estado tem deixado a desejar. A crítica é de que os órgãos desprovidos tecnicamente, como o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, têm feito muita falta. “Educação e tecnologia, infelizmente, não estão como pauta prioritária do governo e fariam total diferença”, declara.

Além disso, a falta da integração e coordenação nacional tem cada vez mais se mostrado uma barreira no processo de reabertura. Como exemplo, Patricia cita o colapso recente no sistema de Minas Gerais: “A equipe técnica de minas está com 130% de ocupação e recorre atendimento também ao estado de São Paulo – um motivo nosso de preocupação”. Desta forma, ela acredita que o País perdeu a oportunidade de fazer um controle muito mais coordenado.

 

APOIO DO SETOR PRIVADO

Mesmo o plano de contenção da pandemia em São Paulo parecendo estar funcionando bem, ainda há espaço para melhorar e toda ajuda é bem-vinda. Algumas demandas públicas podem ser atendidas com ajuda da iniciativa privada. Para isso, foi criado o Comitê Solidário, que passa semanalmente conecta ambas as esferas e conta com e equipes dedicadas a mapear todas as necessidades. “É a maior operação logística que já fizemos”, conta a secretária.

Existem diferentes de formas de ajudar que vão da participação de startups com soluções de combate ao coronavírus no edital do IdeiaGov até a doação de capital. Patricia explica que é realizada uma auditoria para fazer todo compliance desde quando o recurso é recebido até a chegada dele na ponta. “Existem oportunidades em diversas áreas, como gestão hospitalar, monitoramento e testagem, por exemplo”, esclarece.

O tema é um dos pilares do nosso Movimento Soma, plataforma que une governos, empresas e sociedade na construção de soluções para o combate à pandemia. Nele, é possível conhecer as iniciativas envolvendo o poder público as quais sua empresa pode somar. Clique aqui e conheça algumas delas.

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial. Diante da atual situação com a COVID-19 no Brasil, transformamos os encontros presenciais em atividades digitais e webinários.

PARA QUEM SÃO E COMO FUNCIONAM?

Os webinários especiais sobre a Covid-19 são públicos, totalmente gratuitos e podem ser acessados pelo link amcham.com.br/aovivo. Inscreva-se no aplicativo da Amcham (disponível na Apple Store ou no Google Play).

registrado em: , ,