Rubens Sardenberg: ajuste fiscal, modernização e aumento em investimentos devem estar na agenda do próximo Presidente

publicado 17/05/2018 17h03, última modificação 17/05/2018 17h11
Campinas – Economista Chefe da Febraban participou de encontro com empresários promovido pela Amcham
Rubens Sardenberg

Para especialista, cenário de incerteza política atrasa recuperação econômica em 2018

Para Rubens Sardenberg, Economista Chefe da FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos), o cenário de incerteza política impacta no crescimento econômico de 2018. Ainda assim, esse deverá ser um ano mais positivo para os brasileiros. Após participar do Regional Meeting da Amcham – Campinas em 15/05, o especialista concedeu uma entrevista à Amcham contando suas expectativas na política e economia para os próximos meses.

 

Amcham: Como acredita que a economia vai se comportar em 2018?

Rubens: A economia brasileira está numa recuperação cíclica depois de anos de recessão. A expectativa de crescimento para 2018 é de 2,5%. É uma recuperação a partir de uma base muito baixa, mas acho que ela é consistente, espraiada em todos os setores. Também ela é um pouco mais lenta do que a gente imaginava. Isto está ligando provavelmente à profundidade da recessão que passamos. E, eventualmente deve ter impacto da incerteza política. Mas ainda fecharemos o ano em crescimento e a expectativa é que em 2019, passado o período eleitoral, vamos crescer ainda mais.

 

A: O cenário de eleições pode impactar nos índices econômicos deste ano?

R: Eu acho que sim, isso já está acontecendo um pouco. A eleição é muito importante esse ano, o Brasil tem uma agenda de reforma que tem que implementar, fazer um ajuste fiscal, reforma da previdência, discussões em torno de privatizações, coisas que vão depender muito do próximo presidente. Então a campanha eleitoral acaba afetando porque, dependendo dos candidatos que estarão aí no cenário, a reação da economia é mais positiva ou negativa. Neste cenário de incerteza, tanto famílias como empresas acabam adiando algumas decisões de gastos e investimento, então a economia acaba crescendo menos.

 

A: Como deverá ser a gestão econômica do próximo Presidente da República?

R: Do meu ponto de vista, existe uma agenda bem definida para o próximo presidente. Acho que a primeira coisa que o Brasil precisa fazer é um ajuste fiscal. Tem uma trajetória de crescimento da dívida que é insustentável, por isso, a primeira coisa que precisa fazer é complementar o ajuste que começou a ser feito neste governo. Depois, o Brasil precisa partir para uma agenda de modernização da economia, de aumento da eficiência, que eu acho que passa por um programa de privatização e de concessões porque o setor público não tem o dinheiro para fazer os investimentos. Acho que também passa por uma abertura maior da economia, para ter mais modernização e produtividade.

 

A: Quais são os principais desafios da economia brasileira para uma retomada a longo prazo?

R: Além da questão fiscal, o Brasil tem baixo nível de investimento, algo em torno de 15% do PIB, quando deveria ser 20%. Precisa ampliar esses investimentos e a produtividade, que está estagnada. Acho que tem uma série de outros fatores que serão importantes para o Brasil, como uma agenda de redução de desigualdade e investimento em educação e saúde, por exemplo.