São Paulo abre temporada de caça aos investimentos, diz Afif

por andre_inohara — publicado 24/08/2011 16h23, última modificação 24/08/2011 16h23
André Inohara
São Paulo – Guilherme Afif Domingos, vice-governador de São Paulo, avalia que Estado tem potencial para atrair investidores privados internacionais devido ao elevado grau de desenvolvimento.
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Há liquidez internacional para investir em projetos, e países que apresentam crescimento contínuo como o Brasil tendem a ser os destinos preferenciais. Por isso, o Estado de São Paulo abriu “temporada de caça” aos investimentos, disse o vice-governador do Estado, Guilherme Afif Domingos.

São Paulo tem a tradição de crescer por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), argumentou Afif. Por isso, está em posição privilegiada para atrair esse tipo de projeto. Veja a entrevista do vice-governador ao site da Amcham, concedida após participar do seminário "Competitividade Brasil – Custos de Transação/ Infraestrutrura" na terça-feira (23/08) em São Paulo:

Amcham: Como estimular a participação do setor privado em projetos de PPP?
Guilherme Afif Domingos:
O setor privado, principalmente o investidor internacional, procura locais onde aportar seus recursos. A crise deixa Europa, EUA e Japão estagnados, e uma grande massa de recursos financeiros está migrando de um país para outro, procurando oportunidades de maior rentabilidade e segurança. Há, portanto, interesse e recursos de investidores. É preciso haver contrapartida do governo brasileiro. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin determinou a abertura da temporada de caça aos investimentos, ou seja, trazer aqueles empresários que queiram investir em parcerias com o governo do Estado, nos principais setores de infraestrutura. Estamos abertos para isso. O que falta no mundo é projeto, e os colocaremos na praça.

Amcham: Em que consiste a temporada de caça aos investimentos?
Guilherme Afif Domingos:
Quando se sai a campo para atrair empresas, é necessário oferecer oportunidades. O governador assinará nos próximos dias um decreto instituindo as Propostas de Manifestação de Interesse (PMI) – projetos de PPPs apresentados pela iniciativa privada. Isso abrirá oportunidades para o setor privado identificar áreas de interesse dentro do setor público e apresentar propostas para investimentos. Já temos projetos de interessados no transporte metropolitano, em monotrilhos e linhas de metrô.

Amcham: Quais as vantagens competitivas de São Paulo?
Guilherme Afif Domingos:
O Estado se encontra em elevado estágio de desenvolvimento. Se fôssemos um país, seríamos a 25ª economia mundial. Nosso PIB (Produto Interno Bruto) é maior que o da Argentina, e ainda temos tradição em PPPs. O Estado inteiro foi criado a partir dessas parcerias.

Amcham: Poderia explicar melhor?
Guilherme Afif Domingos:
Tanto a rede ferroviária como as primeiras usinas de energia elétrica foram construídas com capitais privados ingleses e canadenses, que aportaram aqui para explorar a atividade econômica. Temos uma tradição histórica de sucesso.

Amcham: Há algum segmento mais carente de investimentos?
Guilherme Afif Domingos:
As estradas paulistas sob regime de concessão estão entre as melhores da América Latina. Temos de estender essa qualidade de serviços para todos os setores, principalmente o transporte metropolitano – metrô e trem. O problema de mobilidade da região metropolitana de São Paulo é muito sério.

Amcham: Qual o modelo ideal de PPP?
Guilherme Afif Domingos:
Precisamos ter uma visão global, aproveitando todos os aspectos de um projeto. Quando se constrói uma hidrelétrica, é necessário pensar em eclusas porque é possível cobrar passagens dos barcos que trafegarão, além de ser uma forma de melhorar a rentabilidade do projeto, por não se restringir à geração de energia. No caso do metrô, pode-se fazer um conjugado com operações urbanas que valorizarão o entorno, como a construção de shopping centers.

Amcham: Como deve estar a infraestrutura urbana em 2014 no Estado?
Guilherme Afif Domingos:
O governador quer dobrar ou triplicar a construção de trilhos na região metropolitana de São Paulo. Até 2014, esperamos a conclusão do monotrilho que interligará o aeroporto de Congonhas à região de Paraisópolis e Morumbi. Ainda estamos aguardando definições sobre o projeto do trem-bala, que está paralisando outras decisões. Mas, se ele não sair, temos condições de fazer em curto prazo um trem que andará a 180 quilômetros por hora, fundamental para ligar a região metropolitana de Campinas a São Paulo e ao aeroporto de Guarulhos.