Secretário José Aníbal: em breve, placas solares fornecerão energia para toda iluminação pública de SP

publicado 12/09/2013 11h38, última modificação 12/09/2013 11h38
São Paulo – Governo pretende ampliar de 55% para 69% as energias renováveis na matriz energética
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O governo paulista está incentivando a produção de energias renováveis no Estado, com destaque para a geração a partir da biomassa e de placas fotovoltaicas (energia solar). Os vetores saíram do Plano Paulista de Energia, que pretende ampliar de 55% para 69% as energias renováveis na matriz energética do estado.

“Acredito que, daqui a pouco tempo, a iluminação pública será toda fotovoltaica”, disse o secretário estadual de Energia, José Aníbal, no comitê aberto de Energia da Amcham – São Paulo, terça-feira (10/09).

O incremento de energia renovável se deve à política de mudança climática aprovada em 2009, pela Assembleia Legislativa, determinando que, em 2020, os níveis de emissão de monóxido de carbono sejam 20% menores que os de 2005, no Estado.

Aníbal diz que a meta de participação de energia renovável (69%) é maior que a do Brasil, de 48,1%. Apenas a cana deve representar 46% da matriz paulista, daqui a oito anos – atualmente, é de 33,5%. O salto significa que o potencial instalado de bagaço e palha de cana vai passar de 5 mil MW para 13 mil MW, no estado, nesse período.

Para o secretário, o país deve privilegiar leilões de energia que considerem as fontes de energia de cada região. “Temos potencial de biomassa de cana, nem precisamos criar um sistema de transmissão porque já estamos no centro da carga”, avalia.

Investimentos

O subsecretário estadual de Energia, Milton Flavio, afirma que a pasta está trabalhando em conjunto com a Investe SP, agência de fomento do governo. Uma possível beneficiada poderá ser uma empresa suíça de fabricação de placas fotovoltaicas coloridas, com amplo uso arquitetônico.

A empresa, que a princípio analisa a região de Campinas para se instalar, fez uma [única exigência, conta o subsecretário: a garantia de fornecimento de 50 mil m³ diários para manter o forno do vidro que cobre as peças. “Fizemos reunião entre eles e a Comgás, que deu a garantia”, diz.

Segundo Milton Flavio, o que chamou atenção do fabricante suíço foi a possibilidade de usar gás verde, o que seria inédito, nessa cadeia de produção. “O produto deles é para geração de energia sustentável, mas a fabricação não é [sustentável]. Nossa expectativa é de que a Comgás tenha gás verde injetado na tubulação, com o outro gás, como um mix. Mas a compra [de gás] será de gás verde”, declara.

Além disso, o estado deve contar com mais 500 mil m³ de energia verde até o final do ano, diz o subsecretário. O volume de gás metano será extraído de aterros sanitários em uso, numa operação que envolve quatro empresas, ao menos uma do setor energético. Ele não cita o nome porque uma das companhias é listada em bolsa. “Eles já têm tecnologia e logística definidas. Estamos fazendo a regulação do setor”, explica.

De acordo com o subsecretário, também há possibilidade de canalizar gás de vinhaça em regiões como a de São José do Rio Preto. “O que nos parece mais próximas são as energias fotovoltaica e a da biomassa”, completa Milton Flavio.

Muito sol

Existem planos de potencializar usinas hidrelétricas já existentes, instalando placas fotovoltaicas flutuantes no espelho dos lagos formados pelos reservatórios.

O governo já aprovou proposta para geração de 70 MW de energia solar para Taubaté e estuda liberar 30 MW para uma unidade em São João da Boa Vista. Itajubi e Votuporanga podem ter usinas com três MW, em processos em andamento. “Para se ter ideia, a maior produção fotovoltaica da América Latina tem 2 MW”, compara Milton Flávio.

Para a usina Porto Primavera, em Rosana, no Pontal do Paranapanema, a Cesp (Companhia Energética de São Paulo), tem um projeto de P&D com geração fotovoltaica e eólica, que depende da aprovação da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

“Temos interesse também em eólica, mas há uma exigência legal para leilão de haver, por no mínimo dois anos, a medição da velocidade do vento no ponto em que a usina será instalada”, diz, acrescentando que a secretaria tem um atlas que aponta onde estão os locais de vento.

Benchmarking nos EUA

A Secretaria de Estado de Energia vai participar da missão de green technology realizada pela Amcham, no final de outubro. No roteiro da comitiva, estão empresas privadas e públicas que são referência mundial no setor.

“É importante conhecer o que já foi feito. Você pega atalhos e pula dificuldades que já foram ultrapassadas, não precisa errar de novo”, comenta o subsecretário, Milton Flávio.