Sem inovação, é difícil sobreviver no mercado, ensina embaixador alemão ao Brasil

por marcel_gugoni — publicado 26/04/2012 09h32, última modificação 26/04/2012 09h32
Marcel Gugoni
São Paulo – Competição saudável entre empresas e economias se dá por meio de incentivos à produtividade e à inovação, com reflexos no número de patentes registradas, afirma Wilfried Grolig.
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Sem inovação, é difícil sobreviver em um mercado global competitivo como o de hoje. A lição é do embaixador alemão no Brasil, Wilfried Grolig. Segundo ele, a competição saudável entre empresas e economias se dá por meio de incentivos à produtividade e à inovação, refletida no número de patentes registradas.

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“Se minha invenção estiver eficientemente protegida por patentes e marcas registradas, ela vai inspirar meu concorrente a fazer igual ou melhor. Isso torna toda essa competição mais interessante”, disse ele em entrevista ao site após participar do “Seminário Oportunidades nas Relações Comerciais do Brasil frente à nova configuração dos blocos econômicos mundiais”, realizado na Amcham-São Paulo nesta terça-feira (24/04).

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Com o câmbio alemão valorizado e os salários altos, “como competir tendo em vista que qualquer produto fica mais caro? Temos que inovar”, ressalta. Ele afirma que o país foge dos subsídios e do protecionismo. “Subsídio é desperdício de dinheiro. Se a indústria alemã não consegue ser competitiva, melhor interrompê-la o quanto antes. Caso contrário, perderemos muito dinheiro”, brada. “É preciso concorrer para sobreviver no mercado. Nosso sucesso é nunca termos fugido da competição.”

Confira aqui vídeo com a entrevista do embaixador à Amcham.

Leia os principais trechos da entrevista com Wilfried Grolig:

Amcham: Quais são as maiores oportunidades do Brasil com a Alemanha?

Wilfried Grolig: Uma das principais oportunidades é reforçar as parcerias em tecnologia e inovação. Temos boas universidades na Alemanha, assim como muitas companhias apostando em inovação, inclusive médias empresas, por meio de parcerias educacionais nesta área. E essas parcerias podem ser interessantes para os dois países. O Brasil é o parceiro mais importante da União Europeia na América Latina, movimentando 22 bilhões de euros. A Alemanha é o quarto maior parceiro do Brasil. Há outras áreas com potencial para cooperação por conta da Copa e dos Jogos Olímpicos, mas mesmo sem esses eventos haveria muitas oportunidades nos desafios de infraestrutura, energia e agricultura.

Amcham: Quais os caminhos para reforçar esses laços?

Wilfried Grolig: Temos grande ligação cultural. Creio que, quando se reforçam as parcerias por interesses pessoais e culturais, então há uma base mais forte para complementar o caminho econômico. No segmento político, esses contatos podem ser interessantes para dar uma ideia aos nossos colegas brasileiros sobre a Alemanha de hoje em termos de negócios, clima, sociedade e outros, em uma perspectiva de 360 graus. Há muito avanço econômico e muitas oportunidades de negócios no Brasil, em diversas regiões, do Norte e Nordeste ao Sul. O que queremos e chegar mais perto destas oportunidades.

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Amcham: E as parcerias educacionais?

Wilfried Grolig: O Ciência Sem Fronteiras é base para o futuro. Fico muito feliz por o País ter identificado a Alemanha como um dos destinos de estudantes. Pelo menos 35 mil estudantes serão mandados para a Europa. Tenho certeza de que, quando eles voltarem, haverá uma geração nova e muito ativa de cientistas, prontos a reforçar a relação econômica entre UE e Brasil.

Amcham: Na sua opinião, quais os maiores desafios da economia brasileira?

Wilfried Grolig: Creio que os desafios da economia brasileira são os mesmos da economia alemã. Vivemos em uma sociedade globalizada, com mercados globais altamente competitivos. O desafio é descobrir como sobreviver, como se adaptar nesses ambientes para ser o número um, ou quem sabe o número dois. Um bom exemplo da capacidade de competir do Brasil é a agricultura, que tem importantes pesquisas e desenvolvimento de tecnologias. A pergunta é se o Brasil tem como transferir essa liderança para outras áreas.

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Amcham: De que forma a inovação aparece neste esforço para superar os desafios?

Wilfried Grolig: Sem inovação, é difícil sobreviver no mercado, porque meus competidores são capazes de analisar e adaptar novas tecnologias e novos produtos. Se minha invenção estiver eficientemente protegida por patentes e marcas registradas, ela vai, no máximo, inspirar meu concorrente a fazer igual ou melhor. Isso torna toda essa competição mais interessante e, neste contexto, a inovação permanente é inevitável. Com o câmbio alemão valorizado e os salários altos, como competir tendo em vista que qualquer produto fica mais caro? Temos que inovar para manter nossa competitividade. É preciso concorrer para sobreviver no mercado. Nosso sucesso é nunca termos fugido da competição. Subsídio é desperdício de dinheiro. Se a indústria alemã não consegue ser competitiva, melhor interrompê-la o quanto antes. Caso contrário, perderemos muito dinheiro.

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