Sem qualificação básica sólida, não há como formar mais engenheiros

por andre_inohara — publicado 20/10/2011 11h37, última modificação 20/10/2011 11h37
André Inohara
São Paulo – Ensino de matemática, física e química tem que ser reforçado entre os jovens, sustenta presidente do Instituto de Engenharia.
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Com ensino básico inadequado e baixo interesse dos jovens pela carreira, o Brasil tem dificuldades para formar mais e melhores engenheiros.

O presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo, Aluizio de Barros Fagundes, crê que é fundamental despertar o interesse dos jovens pelos cursos de exatas. Havendo interesse, é possível formar bons engenheiros em alguns anos.

Na formação de nível técnico, Fagundes disse que as parcerias entre os setores privado e público tem ajudado grandes e pequenas empresas a encontrar os quadros necessários para tocar as atividades diárias.

Veja a entrevista de Fagundes ao site da Amcham, concedida após o seminário “Competitividade Brasil: Custos de Transação – Qualificação da Mão de Obra” realizado na terça-feira (18/10) em São Paulo:

 

Amcham: O Brasil forma menos engenheiros que países emergentes como China, Rússia e Índia. O que pode ser feito para acelerar o surgimento de mais engenheiros em curto prazo?
Aluizio de Barros Fagundes:
É preciso atrair o jovem. O Brasil tem capacidade de formação de pelo menos 40 mil engenheiros por ano, e dobrar o contingente não é difícil. Esse volume não deixa o País num patamar de tranquilidade, mas pode, pelo menos, suprir o mercado de imediato. Temos um novo desafio. Quando me formei, em 1967, estávamos no início do milagre brasileiro. Meu registro no Crea (Conselho Regional de Engenharia) é 21.285 e do meu pai, 8 mil. Na época, havia, ao todo, cerca de 17 mil engenheiros de para enfrentar o período de crescimento brasileiro daquela geração. Enfrentamos esse desafio com todo o esforço da classe, e acho que acontecerá a mesma coisa agora.

Amcham: O que pode ser feito para melhorar a formação dos engenheiros?
Aluizio de Barros Fagundes:
A qualificação tem de ser feita rapidamente. É preciso começar pelas matérias básicas, ensinando matemática, física e química. Em três anos, se consegue preparar um homem para enfrentar os assuntos de engenharia. Infelizmente, os cursos não têm melhorado. Isso está em franca discussão, e o que se espera é que haja uma melhora daqui para a frente, em função da exigência do mercado.

Amcham: Passando para a formação de nível técnico, o sr. acha que as parcerias entre governo e setor privado têm cumprido o papel de formar mão de obra especializada?
Aluizio de Barros Fagundes:
Pudemos ver no evento da Amcham uma demonstração de que setores diversos estão se movimentando por um Brasil mais preparado. Mas as grandes e pequenas empresas se organizam de forma diferente.

Amcham: Como assim?
Aluizio de Barros Fagundes:
Quando falta mão de obra técnica, grandes empresas montam escolas próprias e treinam o pessoal de que necessitam. Para a pequena empresa, restou o poder público, que está dando conta do recado. O governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria da Ciência e Tecnologia, com as escolas-embrião e o Instituto Paula Souza, está dando treinamento profissional de nível médio que supre a pequena empresa. E temos o exemplo mais bem-sucedido de parceria público privada, o sistema de ensino técnico formado por Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). A manutenção financeira dessas instituições vem dos impostos, portanto, do público. Mas quem administra é o setor privado, como indústrias e estabelecimentos de comércio. Esse é o caminho.