Sem reformas, Brasil vai crescer menos que 2% ao ano após a retomada da economia

publicado 27/05/2015 13h42, última modificação 27/05/2015 13h42
São Paulo – Economistas participaram da conferência da Americas Society/Council of the Americas na Amcham
reformas-foto01.jpg-5950.html

Com recessão provocada pelo forte ajuste fiscal e perspectiva de piora na classificação de risco, a economia do Brasil deve ter decréscimo de 1,5% em 2015, com recuperação a partir de 2016. Mesmo quando for retomado, o crescimento será menor que o verificado na última década, principalmente pela falta de reformas econômicas. A análise é de  Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, durante a conferência anual da Americas Society/Council of the Americas na Amcham – São Paulo, quarta-feira (27/05). “O ajuste conserta erros e evita a crise, mas as reformas é que são necessárias para o País crescer. Sem elas, o crescimento não consegue passar dos 2% ao ano nos próximos três anos”, diz.

O evento discutiu o panorama econômico e de negócios no país. Também participaram Gustavo Loyola, economista e sócio da Tendências Consultoria Integrada, e Rafael Guedes, diretor executivo no Brasil da agência de classificação de risco Fitch. O debate foi moderado pelo jornalista Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do grupo Estado.

Classificação

Em abril, a Fitch colocou o País sob perspectiva negativa. A decisão se deve a uma deterioração “forte e rápida” dos aspectos macroeconômicos, estruturais e de contas públicas e externas verificados a partir do segundo semestre de 2014, segundo Guedes. O Brasil tem tido desempenho pior do que o de outros países com classificação semelhante, de triplo B.

“Historicamente as contas públicas têm viés negativo. O que é novo, recente, não são só os aspectos macroeconômicos em desequilíbrio, mas a própria fortaleza das contas externas, que historicamente era a força do rating brasileiro, mas também vem piorando”, explica Guedes. “Por um lado há crescimento baixo e alta inflação e, por outro, temos a qualidade das contas externas piorando”, complementa.

Mercado e recessão

Ex-presidente do Banco Central  (1992 - 1993 e 1995-1997), Gustavo Loyola concorda com a previsão de Goldfajn de que o país vá sair da recessão no próximo ano. Mas diz que, diante da recessão e do custo Brasil, o setor privado é obrigado a “fazer malabarismos” em busca de produtividade. Ele destaca que, nos últimos anos, setores da economia tiveram grande crescimento em função de políticas governamentais e que, agora, estão em má situação.

“Fica a grande lição para o setor privado de que ter suas estratégias de negócios dependentes do setor público é muito perigoso”, avalia. “Não significa que não tenha que exercer sua cidadania, precisa influenciar o governo. Mas o setor privado tem de andar com as próprias pernas”, comenta.

As empresas terão de buscar estratégias considerando um cenário de menor crescimento do que o registrado na última década, ressalta Loyola. Deve-se considerar a segmentação da economia no país, com seus aspectos regionais e heterogêneos, que apresentam nichos de crescimento, uma vez que o mercado de consumo não terá a mesma expansão dos últimos anos.

“O Brasil não vai crescer da maneira espetacular da última década, não haverá mais boom de commodities, as famílias estão mais endividadas e gastamos mais as nossas reservas. Nos próximos anos, será mais transpiração do que inspiração”, afirma.

Destaque na imprensa 

A Conferência da Amcham e AS/COA foi destaque no Estadão e na Reuters. Acesse os links da matéria com o conteúdo completo:

Sem ajuste, dinâmica da dívida é explosiva, diz Goldfajn 

Para Fitch, Brasil cresce menos que países em situação semelhante 

Brasil vive momento interessante para negócios 

Brasil está pior do que países com mesmo rating, diz Fitch