Senadora Ana Amélia defende melhor interlocução com empresariado

publicado 06/12/2013 14h43, última modificação 06/12/2013 14h43
São Paulo – Política do PP-RS esteve na Amcham e se reuniu com representantes do setor privado
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Com clareza e objetividade, a senadora Ana Amélia (PP-RS) se disse favorável a que o setor privado se articule melhor na defesa de seus interesses junto à classe política, desde que respeitados os princípios de ética, transparência e responsabilidade. Para ela, o empresariado deve ter representantes que conheçam as autoridades do seu setor, para “bater na porta certa”. “Não adianta discutir política industrial no Ministério da Agricultura”, exemplifica a parlamentar.

Em visita à Amcham-São Paulo na sexta-feira (6/12), a senadora, que também é presidente da Fundação Milton Campos, também falou sobre a missão parlamentar aos Estados Unidos em setembro, e defendeu o debate sobre multipartidarismo no Brasil. “Temos quase 40 partidos, e (abrigar todos os partidos aliados no governo) fragiliza, sim, a democracia. Quanto maior o número de partidos, mais problemas existem na composição de governo e também de governança”, comenta ela.

Veja abaixo a entrevista de Ana Amélia concedida à Amcham:

Amcham: Qual deve ser o limite das relações públicas e privadas?

Ana Amélia: Posso resumir em três palavras: ética, transparência e responsabilidade. De parte a parte. Esses conceitos têm que pautar a área política, através de seus líderes, agentes públicos do parlamento, executivo, judiciário e demais instituições. Ela também tem que existir no setor privado, aquele que faz a economia crescer e o país andar. Quanto maior for o grau de respeito, melhor para o país, institucionalmente falando.

Amcham: Ambos os lados se acusam mutuamente de falta de entendimento. O que é possível fazer para construir pontes de relacionamento?

AA: Dos dois lados, é preciso maior grau de preparo e competência para o diálogo, de forma que ele se torne mais fluido e construtivo. Sem preparo, os princípios que mencionei podem até se perder, porque não estão sustentados pelo conhecimento e informação.

Amcham: Poderia dar exemplos de como o setor privado aperfeiçoaria seu diálogo com o governo?

AA: O setor privado deve preparar cada vez mais seus interlocutores. Há os que representam o varejo e a indústria. Mas há a indústria química, moveleira, calçadista e automobilística. Cada segmento tem uma natureza própria de interesses, que às vezes se conflita com o de outros. Tem o fornecedor de matéria prima, mas também o de produto final. Então cada setor tem que se conhecer profundamente e saber como fazer a interlocução. Quem são as autoridades do seu setor e conhecer o mapa do poder para bater na porta certa. Não adianta discutir política industrial no Ministério da Agricultura, por exemplo. Salvo se for algum assunto relacionado.

Amcham: Então o setor privado precisa se articular melhor para defender seus interesses?

AA: É preciso ter conhecimento e grau de profissionalização muito grande do setor privado no trato da relação política. Isso pode construir uma nova realidade. Quanto às questões relacionadas às boas práticas de governança e relacionamento, elas se devem exatamente a obedecer rigorosamente aos princípios de ética. Estou falando de não se aceitar propina, não admitir corrupção e não ser seu agente passivo ou ativo. Isso tem que pautar a relação com o setor público, ter isso como princípio.

Amcham: Mudando de assunto, a senhora esteve na missão parlamentar que foi aos EUA conhecer o trabalho do congresso americano. Que balanço a senhora faz da visita?

AA: Acho que a Amcham está no caminho correto [de fomentar o intercâmbio bilateral], pois sempre há aprendizado. Mas assim como no Brasil, os congressos têm as suas comissões temáticas, suas consultorias e os relacionamentos políticos.

Amcham: E que lições é possível extrair do sistema político americano?

AA: Os Estados Unidos são um país multipartidário, mas que a rigor são apenas dois partidos (Democratas e Republicanos) que governam. No Brasil temos quase 40 partidos, e (abrigar todos os partidos aliados no governo) fragiliza, sim, a democracia. É preciso debater esse tema, olhando um pouco o exemplo americano. Também podemos nos espelhar nos exemplos multipartidários da America Latina. Quanto maior o número de partidos, mais problemas existem na composição de governo e também de governança. Esse é o mesmo problema que teve o Lula e o FHC. E que todos os presidentes tiveram, que é o de juntar em bloco de apoio ao governo, partidos de A a Z, da extrema direita e da extrema esquerda.