Tabela de frete foi considerada confusa, incoerente e injusta, afirma diretor da Cargolift

publicado 16/08/2018 10h33, última modificação 16/08/2018 14h38
São Paulo – Executivos trouxeram perspectivas positivas e negativas a respeito da lei sancionada por Temer

Na quinta-feira (09/08), o presidente Michel Temer sancionou a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, a lei que institui valores mínimos de fretes rodoviários praticados no Brasil. Joaquim Koller, Diretor de Negócios e Operações da Cargolift, afirmou que a lei foi considerada confusa, incoerente e injusta para muitos que trabalham com logística, trazendo mais problemas do que soluções. O especialista, que participou do comitê de Logística da Amcham - São Paulo, realizado no dia 09/08, trouxe os pontos positivos e negativos da lei.

Um dos exemplos que ele dá é que o frete para produtos perigosos é inferior a produtos comuns. Além disso, instituições importantes como a CNI e CNA não aprovaram as mudanças e discordam da metodologia dos cálculos. Por outro lado, alguns segmentos como siderurgia e alimentos aprovaram as mudanças e a lei foi bem recebida pelos autônomos e para Transportadores Rodoviários de Carga (TRC).

Como pontos positivos da mudança, Koller trouxe dados que 31% das transportadoras darão continuidade na parceria com terceiros autônomos e que 69% das empresas acreditam que o Piso será bom para o TRC. Do lado negativo, 37% das transportadoras irão rescindir ou substituir contratos com terceiros autônomos e algumas organizações estudam inclusive fazer insourcing - transportar suas próprias cargas.

“Enfim, a Medida Provisória foi sancionada, virou lei e foi publicada no Diário Oficial da União. Em resumo, existem segmentos mais felizes ou infelizes, mas todo mundo vai ter que se adaptar, é lei”, declarou.

Para Fernando Simões, presidente da JSL, uma tabela fixa de preços não é solução para o problema. “Nós não acreditamos em tabela. Para nós, a solução é a livre negociação, seja com o cliente ou motorista, acreditamos em diálogo. Tudo que é imposto está longe da livre negociação. Nenhuma indústria tem tabela de preço - se você não tem tabela de preço para o seu produto, você não pode ter tabela de preço para pagar pra alguém. A tabela não espelha uma realidade”, critica.

Rodrigo Fernandes, gerente de Logística da BD para a América Latina, afirma que algo que deve mudar após o estabelecimento da lei e da greve dos caminhoneiros, é que as empresas devem ficar muito mais atentas na hora de contratar frete. A tendência é que se observe como a transportadora contrata seus motoristas, prestando atenção se são terceirizados ou autônomos, por exemplo. “Isso ficou para ficar em próximos processos na contratação de frete”, relata.

 

Histórico antes da Lei

Koller lembrou que há um histórico muito longo que terminou na Greve dos Motoristas Autônomos. Ele lembra que, entre 2013 e 2018, o preço do frete aumentou em 12%. Por outro lado, gastos como o pedágio, IPCA e IGPM variaram, respectivamente, mais de 30% neste período. O diesel, estopim da crise, aumentou 44% nesses cinco anos.

“Houve defasagem grande no frete: foi uma questão de lei de sobrevivência, fazer mais com menos, acarretando no achatamento de concorrências, que foi um dos motivos que achatou o frete dos motoristas autônomos. O excessivo aumento do diesel foi gota da água para eles”, resume.

 

Posicionamento da Amcham

Em junho deste ano, após o estabelecimento da Medida Provisória que agora é lei, a Amcham - Brasil se posicionou contra a medida, alegando que traria elevação de custos para o setor produtivo, desafios logísticos e insegurança jurídica. Para ler a nota completa do Presidente do Conselho de Administração da Amcham, Hélio Magalhães, acesse aqui.