Tarefa da iniciativa privada para aumentar produtividade independe do governo

publicado 31/07/2013 14h18, última modificação 31/07/2013 14h18
São Paulo – Brasil ainda é atraente e análise ajuda a se posicionar e ser competitivo, diz diretor do BCG
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A produtividade das empresas brasileiras, tão importante para um crescimento sustentável da economia, depende de duas frentes: do próprio setor produtivo e do governo. No entanto, é possível – e fundamental-, que o empresariado faça sua parte, independentemente das ações na esfera pública, adverte Julio Bezerra, diretor do BCG.

Ele participou do Seminário de Produtividade da Amcham – São Paulo, quarta-feira (24/07), em que apresentou estudo que mostra baixa participação da produtividade na expansão do PIB, na última década.

Após sua apresentação, executivos da Embraer, Totvs, Cielo, Camargo Corrêa e Grupo Fleury comentaram o que suas empresas vêm fazendo para expandir a produtividade.

Em entrevista ao portal, ao fim do evento, Bezerra comentou que o país ainda é atrativo para estrangeiros, apesar da queda de crescimento econômico, e que o estudo do BCG auxilia os investidores a se posicionar para conquistar vantagem competitiva.

O que se pode estratificar, sobre produtividade, após a apresentação dos cases que os convidados trouxeram?

Julio Bezerra – De fato há o que as empresas fazerem para aumentar a produtividade e sair à frente dos competidores, nesse contexto. Foram cinco casos de empresas muito diferentes que estão fazendo isso.

Para chegar à produtividade, a tarefa também é do governo ou somente do empresariado?

JB – Há uma parte [da tarefa] do governo, que possui uma agenda que está clara e está procurando progredir. Nossa mensagem principal é que, independentemente da velocidade com que o governo consiga executá-la, há muita coisa que as empresas podem fazer. Elas não podem ficar paradas.

Essa agenda do governo está baseada em que: infraestrutura, questões fiscais e tributárias, trabalhistas?

JB – Está nos quatro pilares que a gente inseriu nesse estudo, que são os desafios da produtividade. Tem a parte de talentos, com a educação e a formação de profissionais, a parte de infraestrutura, a de promoção de investimentos em geral, e depois, a questão institucional, de burocracia, impostos, etc. Esses são os quatro pontos de agenda que estão bastante claros e onde as coisas têm sido feitas. Mas nosso ponto de vista é mais para a empresa, que tem de saber onde agir.

O sr. disse que o estudo foi feito, inicialmente, com o intuito de promover o Brasil lá fora. Vocês continuam mostrando esse estudo para investidores estrangeiros?

JB – O Brasil ainda tem muitos atrativos para empresas de fora, tem muitas empresas vindo para cá. A gente continua tendo um mercado interno extremamente forte, continua tendo vantagens naturais, na parte de agricultura, minério e outras áreas, que tornam o Brasil um ponto atrativo tanto para servir o mercado interno quanto para servir a outros mercados. Isso não vai mudar. O que esse estudo faz é ajudar a quem está lá fora a entender um pouco melhor o contexto, a entender por que estava crescendo a 7,5% em 2010 e por que está crescendo menos. E entendo o que está por trás, essas empresas conseguem se preparar melhor para entrar no país e saber como podem trazer técnicas que usam lá fora, já entrar num modelo diferente de produção, talvez com mais automação, e se tornarem competitivas aqui. O grande objetivo, quando a gente conversa com o pessoal de fora, é mostrar que tem muita oportunidade no Brasil, ainda, e ajudar a entender qual o contexto, para vir da forma certa.

Tem algum setor em que a produtividade esteve mais em baixa ou alta?

JB – Sim, tem variações por setores e, pelas contas públicas, se consegue ver isso. Mas os desafios são gerais: as questões de talento, de infraestrutura, do arcabouço institucional e de investimentos são para todos os setores.