Tecnologia pode empoderar paciente e ajudar a criar cenário de prevenção a doenças

publicado 10/10/2017 15h47, última modificação 11/10/2017 09h10
São Paulo – CEO da Hi Technologies lembra que incentivar pessoas a levarem vida saudável diminui custos na saúde

O desafio da saúde no século XXI não é mais diagnosticar o paciente, e sim empoderá-lo com informações para criar um cenário de prevenção de doenças. Essa é a posição de Marcus Figueredo, CEO da Hi Technologies. Durante o Fórum de Saúde da Amcham - São Paulo, encontro que reuniu diversas entidades para discutir a questão da saúde privada e pública no dia 10/10, o executivo defendeu o uso da tecnologia como ferramenta para diminuir custos na saúde.

“O desafio é maior: é fazer com que o paciente siga o tratamento, se alimente melhor, pratique esportes e tenha uma vida saudável. Trazer ele para ajudar a resolver o problema é muito mais difícil para diagnosticar. Se a gente conseguir empoderar o paciente com informações e dados, conseguimos criar um modelo com indivíduos empoderados, levamos esse cenário onde o indivíduo cuida da própria saúde e cria um cenário de prevenção”, explicou, durante o Fórum de Saúde da Amcham - São Paulo, realizado no dia 10/10. O painel, mediado por Guilherme Hummel, Head Mentor da eHealth Mentor Institute, também teve a participação da IBM e da DASA.

Como exemplo, Figueredo lembra que no Brasil há uma estimativa que 1,5 milhão de pessoas tenham Hepatite C e que boa parte ainda não sabe que está doente. Se descoberta no início, o custo de tratamento da doença é muito mais barato e as chances de recuperação também são maiores. A tecnologia tem o papel de facilitar alguns exames e aliviar os custos desse mercado, algo que preocupa os que trabalham a área. Estima-se que, em média, o gasto nos Estados Unidos com exames, tratamentos e consultas médicas equivale a 20% do PIB do país. “Estamos caminhando para um cenário em que as pessoas vão trabalhar para pagar sua própria sobrevivência”, lamenta. “O que estamos tentando fazer é tentar manter os custos abaixo das receitas. Estamos muito preocupados com mortalidade infantil, mortalidade materna, doenças infecciosas e crônicas. Esses são quatro grandes problemas que podem destruir o sistema de saúde.”, alerta.

Fabio Gandour, Cientista-chefe da IBM, concorda que um dos maiores impactos da tecnologia será justamente empurrar o conhecimento médico até o paciente, que chegará aos consultórios com mais informação. O que ele acredita que precisa mudar é o que chama do “problema crônico do prontuário médico”. “A tecnologia ainda não deu essa resposta. O prontuário médico é o mesmo de 40 anos atrás”, opina.

Para Ricardo Orlando, CIO da DASA, criar mecanismos e soluções ágeis com startups são maneiras de criar mais inovações na área. A colaboração pode ser um fator chave nesse sentido: “Acreditamos que não vamos desenvolver tudo, isso é impossível, acreditamos em parcerias, em usar novas tecnologias que estão aparecendo”. Um exemplo disso é a parceria que o grupo fechou com o setor de saúde do Cubo coworking, centro de empreendedorismo fundado pelo Itaú. Radiologia e genética são as áreas em que o especialista identifica mais oportunidades e inovação no setor.