Tecnologias de gestão e modernização de equipamentos ajudam a compensar infraestrutura deficitária de transportes

por andre_inohara — publicado 26/09/2012 07h46, última modificação 26/09/2012 07h46
São Paulo – Empresas de serviços logísticos apostam em sistemas que aumentam produtividade do setor.
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Diante de gargalos de infraestrutura, barreiras aduaneiras e elevada burocracia, executivos do setor de logística têm que ser criativos e buscar inovação para poder competir em um mercado que hoje é global. Ganham cada vez mais espaço novas tecnologias de gestão de frotas, por exemplo, conta João Guilherme Araújo, diretor de Negócios da consultoria Ilos – Instituto de Logística e Supply Chain. Ele participou do comitê de Logística da Amcham-São Paulo em 14/09, em reunião que integra o Ciclo de Tendências e Novos Desafios para a Cadeia Logística.

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Segundo Araújo, caminhões mais rápidos, econômicos e menos poluentes estão sendo usados para atender as exigências trazidas pelas novas regulações. “Em tecnologia de ativos, alguns exemplos são caminhões com carrocerias mais leves e motores que geram menos poluição.”

Entre essas normas, há a nova lei que regulamenta a profissão de motorista (12.619/11), determinando períodos de descanso a cada quatro horas – o que tende a prolongar o tempo de viagem –, e as restrições à circulação de caminhões em grandes cidades.

Sistemas mais precisos e interligados de gestão de frotas e estoques também são grandes aliados dos empresários para elevar a produtividade. “Há soluções de rastreamento de caminhões e que possibilitam interagir com o motorista nos cockpits. Essas tecnologias permitem intervenção dinâmica, como atualização imediata do plano de rota”, exemplifica Araújo.

As pressões por mudanças ocorrem de todas as partes. A sociedade está mais exigente quanto ao cumprimento de responsabilidade social e ambiental e, do lado dos clientes, há cada vez mais itens e portfólios para se administrar. “O atendimento em termos de níveis de serviços exigidos têm apresentado complexidade crescente”, comenta.

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Case Plannera

No setor logístico, uma das vantagens que a tecnologia pode oferecer é o estreitamento das operações comercial e operacional, afirma Diego de Souza, sócio-diretor da Plannera Soluções em Planejamento, uma das empresas do Grupo Ilos.

A Plannera é a divisão do Ilos responsável por soluções de planejamento logístico integrado. Uma dessas ferramentas, o S&OP (sigla em inglês para Planejamento de Vendas e Operações), é uma plataforma integrada entre os departamentos comercial e operacional.

Quando o sistema recebe informações de vendas, cria um planejamento adequado de produção e otimização de estoques, e gera dados que servirão de base para análises gerenciais. Alguns dados produzidos são o de previsão de vendas e indicadores de aderência ao planejamento. Esses dados revelam o percentual em que a empresa está em relação ao plano de produção, comenta Souza.

Destrinchar indicadores comerciais e operacionais até o nível mais detalhado possível é uma vantagem, argumenta o executivo. “Saber que o plano de vendas teve erro de 40% nos diz apenas que estamos mal”, exemplifica Souza, que apresentou as vantagens da técnica S&OP no comitê. “Mas uma lista dos maiores erros, por produto e CD (centro de distribuição), nos diz onde a operação foi mais impactada, e onde agir para que isso não aconteça de novo.”

Case PC Sistemas

A necessidade de oferecer serviços mais sofisticados de gestão logística foi o motivo de o grupo mineiro PC Sistemas criar um laboratório de pesquisa logística, o Ceilog (Centro de Excelência e Inovação em Logística) Ana Patrus em 2010.

“Criamos um laboratório de pesquisa há dois anos, referente a amadurecimento da inovação, através de várias parcerias com empresas de tecnologia, associações e universidades”, disse Ezequiel Gouveia Borges, diretor de Estratégias do Negócio do Grupo PC Sistema e gerente de inovação do Ceilog Ana Patrus.

O centro produzirá soluções logísticas com base no conceito de Inovação Aberta (Open Innovation), pelo qual as empresas buscam desenvolver soluções junto com universidades e instituições privadas de pesquisa.

No centro, são desenvolvidas três linhas de pesquisa. Uma em tecnologia RFID (identificação por rádio frequência), para atender processos de armazenagem em empresas de alimentos e medicamentos. Outra linha de desenvolvimento consiste em plataformas de automação no pequeno e no médio varejo. “Para desenvolver soluções de checkout integrado e caixa inteligente”, comenta Borges.

A empresa também desenvolve soluções de mobilidade e geoprocessamento. “As duas primeiras linhas estão mais avançadas. Temos produtos-piloto para o mercado. Mas contamos com outras frentes em pesquisa operacional e monitoramento. Nossa proposta é convergir tecnologias e oferecer soluções mais viáveis e acessíveis dentro da cadeia logística”, afirma o executivo.

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