Teto de gastos terá que ser revisto no próximo governo, diz diretor da LCA

publicado 15/08/2018 09h41, última modificação 23/08/2018 10h59
São Paulo – Fernando Sampaio cita reforma da previdência e alta de impostos como parte do ajuste fiscal

O próximo presidente terá uma “agenda pesada” de reformas a partir de 2019, observa o diretor de macroeconomia da consultoria LCA, Fernando Sampaio, no comitê estratégico de Marketing da Amcham-São Paulo na quarta-feira (15/8).

“O investimento público está no chão, então quem se eleger vai ter uma agenda pesada. Primeiro, tem que fazer a reforma da previdência. Ou mexe no primeiro ano, ou não mexe mais. E o teto de gastos vai ter que ser revisto, porque foi fixado em uma calibragem muito baixa”, afirma.

A limitação de gastos públicos estabelecida em 2017 é a principal medida de ajuste fiscal do governo Temer e trouxe confiança ao mercado. Em contrapartida, a medida está restringindo investimentos em áreas importantes.

O investimento do setor público como um todo – que junta a União, os governos estaduais e as prefeituras – está na faixa de 2% do PIB, o nível mais baixo já observado, segundo Sampaio.

"A União, isoladamente, investe hoje só 0,3% do PIB. Com isso a rede rodoviária, por exemplo, que é em grande medida federal, está se deteriorando. O que você está fazendo de manutenção é insuficiente pra repor a depreciação. E isso sem falar que seria preciso melhorar e expandir a malha de estradas", continua.

A revisão do teto de gastos também está na pauta de alguns candidatos à Presidência, como Marina Silva. Para ela, a restrição vai afetar o desembolso com educação e é preciso aumentar o limite.

Em relação à previdência, Sampaio comparou a situação a uma “bomba com pavio aceso”. “Tem que apagar esse pavio. A proporção das pessoas que estão trabalhando e contribuindo, comparando com a proporção de velhinhos, é a mais baixa que vai haver. Daqui para frente, só vai aumentar”, disse.

À medida que a população envelhecer e diminuir a população ativa que contribui para a aposentadoria, a situação ficará pior. “Hoje, com poucos velhinhos, o Brasil tem gasto parecido com a França e Alemanha em previdência – onde a população já é mais velha. A questão da reforma da previdência está posta há muito tempo, mas o fim do bônus demográfico vai acelerar a urgência da reforma”, exemplifica.

Na “agenda pesada” do futuro governo, Sampaio também não descarta o aumento de impostos. “Vai ter que reonerar a folha, porque o aumento de imposto é necessário. Não tem outro jeito de melhorar o resultado fiscal no curto prazo.”