Transição energética é principal pauta do setor de Óleo & Gás

publicado 19/11/2019 16h51, última modificação 21/11/2019 15h02
Rio de Janeiro - Para especialistas, o futuro do setor depende deste processo
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Atender a demanda por energia num contexto de crescimento da população mundial e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões de carbono é um dos grandes desafios do século na visão de Adriano Bastos. Para o presidente da BP Upstream Brasil, a solução é tentar equilibrar as diversas fontes na matriz energética. “Analisando os gráficos mundiais, há um aumento na contribuição das renováveis e do gás natural, que ultrapassa o carvão e ocupa o lugar de segundo maior contribuinte da matriz. O óleo ainda tem maior participação, mas decresce percentualmente a cada ano”, explicou o executivo.

Segundo Bastos, enquanto a demanda por energia na Europa se mantém e, certas vezes, diminui, no Brasil a situação é totalmente oposta. “Nossa demanda vai crescer cerca de 2% ao ano até 2040. Por isso, o olhar dos investidores se voltou para cá; precisamos aproveitar este momento”, completou.

E estamos no caminho certo. Levantamento realizado pela KPMG aponta que o país possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e até 2029 o cenário tende a ser ainda mais otimista. A maior contribuição continua a ser do petróleo, com 49% (20 pontos percentuais a menos do que atualmente). Os outros 51% se dividem entre 17% eólica; 7% biomassa; 5% solar e 7% de outras fontes, que contribuem minimamente, como nuclear. O destaque, com certeza, é o gás natural: 15% da energia produzida e ofertada virão deste combustível, que dobrará a produção até 2030.

Empresas de energia já entendem a realidade

De acordo com estudo do banco Morgan Stanley, será preciso investir cerca de US$ 50 trilhões em diversos setores da economia para atingir o objetivo da Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade prevê que a transição energética é imprescindível para evitar o aumento da temperatura global em 1,5ºC e, para zerar as emissões de dióxido de carbono até 2050, é preciso diminuir a emissão de 53 bilhões de toneladas ao ano.

Por isso, Heloisa Borges, superintendente de Promoção de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), chama atenção para a urgência da venda das áreas exploratórias de petróleo. “O futuro é a transição energética. Nossas reservas são muito valiosas e é essa renda que pode nos guiar até lá”, destacou a palestrante durante o 15º Brazil Energy and Power, realizado pela Amcham Rio de Janeiro.

Também presente no evento, Rogerio Carvalho, presidente da Fugro Brasil, salientou a capacidade do país nas energias renováveis. “Além de estarmos presentes no mercado de petróleo e gás, atuamos no setor de energia eólica, que já é uma realidade mundial. O Brasil tem pleno potencial para desenvolver outras fontes de energia e precisamos ser rápidos porque a sociedade está exigindo a transição”.

Corroborando com a afirmação, Paulo Veronesi, general director da americana McDermott, acrescentou que as organizações não são mais operadoras de petróleo, mas sim de energia. “Agora, elas precisam decidir aonde alocar seus recursos, considerando os custos e, ainda, a pressão da sociedade pela redução do dióxido de carbono para colaborar com as causas ambientais”, finalizou.

Na vanguarda das discussões, a Amcham Rio de Janeiro realiza, no dia 29 de novembro, o 2º Fórum Brasileiro de Transição Energética. Entre os painéis do evento estão: novas demandas do consumidor de energia, Green Bonds e outros mecanismos de financiamento para infraestrutura energética no Brasil e a precificação do carbono no Brasil. Para participar, acesse aqui.

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